São precisos mais 50 milhões de professores para garantir educação
Os números foram divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para assinalar o Dia Mundial do Professor, celebrado a 05 de outubro.
"Cerca de 58% destas necessidades de recrutamento devem-se ao abandono da profissão por parte dos professores. As taxas globais anuais de rotatividade situam-se atualmente nos 7,2% no pré-escolar, 4,7% no ensino primário e 5,4% no ensino secundário", avançou a agência da ONU em comunicado de imprensa, citando dados obtidos a partir de uma análise da situação educativa em 68 países.
Apenas 27% dos jovens em África e 30% na Europa ambicionam tornar-se professores, mas quando o ensino é a primeira opção de carreira, a probabilidade de abandono precoce diminui 40%.
Em 27 dos países analisados, os salários dos professores mantêm-se "abaixo dos de profissionais com qualificações comparáveis", lamentou a UNESCO, referindo que a situação se verifica "em todos os níveis de ensino".
A organização sublinhou ainda que a proporção global de alunos por professor no ensino primário é a mais elevada (aproximadamente 28 alunos por professor) e que, embora a média de horas de aulas seja de 19 horas por semana, a carga horária real ronda as 60 horas semanais devido a tarefas administrativas e de preparação não remuneradas.
Como resultado, 60% dos sindicatos de professores indicam que os docentes têm muita dificuldade em manter um equilíbrio saudável entre a vida profissional e a vida pessoal.
Este Dia Mundial dos Professores assinala o sexagésimo aniversário da Recomendação OIT/UNESCO de 1966 sobre a Situação dos Professores, um instrumento internacional histórico que define padrões sobre os direitos, responsabilidades e condições de trabalho dos professores.
Para assinalar o aniversário, a UNESCO reúne hoje educadores, decisores políticos e outras partes interessadas na sede da agência, em Paris, para debater a situação dos professores.
O encontro em Paris incluirá também a entrega do Prémio UNESCO-Hamdan para o Desenvolvimento de Professores, um prémio bienal de 300.000 dólares (2660 mil euros), dividido igualmente entre três organizações vencedoras.
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