Satélites que disparam lasers do Espaço ou que capturam máquinas inimigas. EUA e China estão a preparar-se para algo diferente
A movimentação secreta de um satélite da China foi o último grande aviso. Vem aí algo de novo
Primeiro na Ucrânia, depois no Irão, percebeu-se que a guerra teve um salto brutal em termos logísticos, técnicos e táticos, com a vertente eletrónica a chegar a todo o gás, nomeadamente através dos drones e dos múltiplos mecanismos que os fazem funcionar ou parar.
Mas duas das maiores potências militares já estão a olhar bem para lá disso. Para lá em termos futuros e de distância, já que Estados Unidos e China estão a preparar-se para combates que também serão feitos a partir do Espaço.
De acordo com a agência Reuters, os Estados Unidos identificaram uma nave espacial não-tripulada da China que lançou um pequeno satélite a centenas de quilómetros da superfície da Terra, numa zona onde estão vários outros satélites comerciais e militares.
O objeto acabo por dar a volta a outro satélite chinês antes de regressar à nave-mãe.
O que era ao certo esse objeto ou o que andava a fazer ainda é do desconhecimento dos Estados Unidos, mas as forças norte-americanas têm os seus próprios projetos semelhantes, incluindo com naves que operam de forma secreta e igualmente sem tripulação.
Segundo a análise da agência britânica, isto reflete o rápido desenvolvimento do Espaço no campo militar, com Estados Unidos e China a prepararem-se para lançar também de lá de cima algum tipo de operação.
Os investigadores chineses ligados às Forças Armadas estão a desenvolver tecnologias que vão desde satélites desenhados para perseguir ou capturar outras aeronaves até mecanismos que podem ajudar a garantir o abastecimento em plena órbita.
Já os Estados Unidos, com a ajuda do Reino Unido, lançaram recentemente a sua primeira operação militar conjunta, tendo como grande objetivo seguir o que suspeitavam ser um satélite-espião da China.
“Os chineses estão a desenvolver rapidamente as suas capacidades”, admitiu em julho o chefe das Operações Espaciais da Força Espacial dos Estados Unidos, o general Chance Saltzman, que admitiu haver uma ameaça “substancial” vinda de Pequim.
Mais do que instrumentos de comunicação, navegação ou informação que já eram utilizados em plena guerra, os satélites preparam-se agora para se tornarem também armas em si. A agência Reuters escreve que as Forças Armadas dos maiores países já vêm estes objetos como armas que são até capazes de lançar ataques diretos, nomeadamente contra satélites inimigos. Podem fazê-lo através de operações de interferência, de captura ou até com o disparo de um simples laser.
Neste cenário, o Espaço começa a ser um local sobrelotado, com vários países a quererem reservar o seu lugar, sendo que também atores privados têm uma palavra a dizer. A Starlink, por exemplo, já tem cerca de 11 mil satélites espalhados, tendo inclusive um plano para construir centros de dados de Inteligência Artificial fora da Terra.
Em paralelo, a China está a construir redes que possam rivalizar com esta tecnologia, enquanto a chamada Cúpula Dourada - o anunciado escudo defensivo de última geração que os Estados Unidos estão a desenvolver - de Donald Trump também vai depender de um programa de mísseis com intercetores baseados no Espaço.
À procura de também aumentarem a influência, os Estados Unidos contam com os aliados europeus neste ponto em específico, o que deu origem à tal operação conjunta com o Reino Unido.
A China olha para essa parceria com atenção, ainda que continue a deixar numa zona cinzenta a questão relacionada com o seu verdadeiro objetivo com as operações no Espaço.