Sauditas acusam huthis do Iémen de ataque à cidade santa de Meca

🗓️ 2026-09-16 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A defesa aérea saudita destruiu na terça-feira "um drone hostil lançado pela milícia terrorista huthi antes de entrar no espaço aéreo proibido da capital santa" do islão, informou a coligação num comunicado.

A interceção do aparelho não tripulado ocorreu a sul de Meca, que se localiza a 70 quilómetros para o interior de Jeddah, no mar Vermelho.

"A segurança das duas mesquitas sagradas e dos visitantes constitui uma linha vermelha", advertiu a coligação que combate os rebeldes do Iémen desde 2014, citada pela agência francesa AFP.

A Organização da Cooperação Islâmica (OCI) condenou de imediato o que descreveu como "ataques odiosos que profanam a sacralidade dos lugares santos e das mesquitas, e ferem os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo".

Também o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, condenou "nos termos mais veementes possíveis o ataque cobarde e odioso" contra Meca.

"O povo do Paquistão está consternado e perturbado com este ato escandaloso", afirmou numa declaração nas redes sociais.

Os huthis, que têm intensificado desde o início de setembro os ataques contra a Arábia Saudita, desmentiram ter visado Meca e um dos dirigentes do grupo, Hazm al-Assad, denunciou "uma mentira gasta".

"As nossas operações visam as instalações petrolíferas e as bases militares, que estão afastadas dos locais sagrados", disse o porta-voz militar do grupo, Yahya Saree.

As autoridades sauditas tinham emitido na terça-feira de manhã um alerta aéreo para Meca, uma estreia para a cidade santa que acolhe anualmente milhões de peregrinos.

A embaixada dos Estados Unidos em Riade aconselhou hoje os norte-americanos a reconsiderarem qualquer viagem à Arábia Saudita e a não se deslocarem, sob pretexto algum, para junto da fronteira com o Iémen.

A ofensiva dos huthis permitiu ao grupo xiita apoiado pelo Irão um maior controlo no acesso ao estreito de Bab el-Mandeb, no mar Vermelho.

A via marítima já era estratégica para as ligações entre a Europa e a Ásia, mas tornou-se ainda mais importante, nomeadamente para a Arábia Saudita, com o bloqueio do estreito de Ormuz no golfo Pérsico, no lado oriental da península Arábica.

Ormuz, por onde circulava um quinto dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra, está praticamente encerrado desde a ofensiva israelo-americana contra o Irão, lançada em 28 de fevereiro.

Os conflitos refletem-se também nos mercados globais e o Brent, referência europeia do crude, estava a ser negociado hoje na Ásia a 108,5 dólares por barril e a 107,58 dólares na Europa.

Mantinha-se, assim, cerca de 80% acima do valor anterior ao início da ofensiva contra o Irão, que respondeu com o bloqueio do estreito de Ormuz e com ataques contra interesses norte-americanos na região, incluindo a Arábia Saudita.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar alertou na terça-feira que um eventual encerramento do estreito de Bab el-Mandeb seria catastrófico para a economia mundial, somando-se ao bloqueio de Ormuz.

No terreno, os huthis afirmaram hoje ter abatido um caça saudita e acusaram o reino árabe de ter efetuado 450 ataques aéreos no Iémen esta semana.

A intensificação dos combates desde a ofensiva lançada pelos huthis no início de setembro causou 100.000 deslocados no Iémen, de acordo com dados do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Leia Também: Arábia Saudita afirma ter destruído drone dos Huthis lançado contra Meca