Se atua como um Estado invasor, tem que ser tratado como um Estado invasor

🗓️ 2026-08-01 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

Marrocos beneficia hoje de um estatuto privilegiado no seu relacionamento com a UE e, em particular, com Espanha. Um estatuto de aliado próximo, confiável e honroso, qualidades das quais, na realidade, não dispõe.

Esta péssima avaliação do comportamento de Marrocos com os países da UE, especialmente o seu vizinho territorial, levou o país a poder usufruir de uma porta de entrada escancarada para as suas gentes, os seus produtos e até a sua influência política (veja-se o cenário político de Ceuta), com diversos projetos de desenvolvimento a serem inteiramente financiados pela UE, como o desenvolvimento de estradas e linhas férreas, que recentemente receberam mais um investimento de 365 milhões por parte do Banco Europeu de Investimento (BEI), a somar aos 250 milhões atribuídos em 2022. Por sua vez, Espanha tem garantido empréstimos extremamente generosos, um país com inúmeras dificuldades estruturais, cada vez maiores, sobretudo com o aumento dos fluxos migratórios, e que mesmo assim garantiu um empréstimo para a modernização do sistema ferroviário marroquino, no valor de 750 milhões de euros.

Apesar de tudo isto, Marrocos tem sido tudo menos solidário com Espanha (que pela mão de Sánchez parece cada dia mais um Estado satélite marroquino, desde as pressões para integrar Marrocos na candidatura ibérica ao Mundial, até à recusa inicial de ativar o estado de emergência nacional, conforme pedido pelo Presidente de Ceuta), fazendo sucessivamente uso das fragilidades da fronteira de Ceuta para pressionar politicamente o país.

Em 2021, aquando da hospitalização de Brahim Ghali, líder da Frente Polisário, em Espanha devido ao seu estado de saúde severamente debilitado, Marrocos fez questão de demonstrar o seu descontentamento, pela via diplomática, mas logo de seguida através de uma invasão coordenada pelo seu poder político, com propaganda e campanhas de incentivo para os seus nacionais passarem a fronteira, bem como um relaxamento total do controlo fronteiriço do lado marroquino, chegando ao cúmulo de convencer crianças de que se passassem a fronteira iriam poder ver um jogo de Cristiano Ronaldo.

Novamente, em 2026, Marrocos faz uso deste mesmo método, após o encontro de Sánchez na Argélia no passado dia 20 de julho, com o fim de aliviar as tensões diplomáticas causadas pelo apoio de Sánchez ao plano de autonomia marroquino para o Saara Ocidental.

Marrocos não tardou em demonstrar o seu descontentamento, mais uma vez através de uma invasão extremamente bem coordenada, com muitos milhares, ainda por estimar com exatidão, a invadir Espanha através da fronteira de Ceuta. Não satisfeitos, as invasões continuaram, agora em paralelo pela fronteira de Melilla[9], 2 territórios que, apesar de há quase 5 séculos serem território espanhol, continuam a ser reivindicados por Marrocos, inexplicavelmente, através do seu órgão de comunicação social propagandista.[10] Importa salientar que ambas as regiões são parte integrante de Espanha desde 1580, antecedendo a criação do Estado de Marrocos…

Perante este cenário, de sucessivas invasões, como pode a UE, e acima de tudo Espanha, manter uma posição de enorme passividade a ainda de incentivo a este comportamento, premiando Marrocos com todo o tipo de regalias, como se de um aliado próximo se tratasse?

Como pode o principal país da NATO, os EUA, fortalecer aquilo que é cada vez mais visto, por ambas as partes, como uma aliança estratégica, fazendo vista grossa a toda esta conduta de agressões dissimuladas a um membro da aliança?

Onde termina a linha que separa um simples infortúnio (recorrente) por incapacidade marroquina, de controlar a sua própria população, de uma estratégia muito bem definida de invasão, desestabilização e enfraquecimento do Estado Espanhol?

Se Marrocos atua como um Estado invasor, então tem que ser tratado como um Estado invasor, tanto mais quando acaba de colocar em causa o regular funcionamento de todo o espaço Schengen.