"Se pude comprar casa e carros, Mourinho e Real Madrid são os culpados"
Estávamos a 20 de dezembro de 2011 quando Jorge Casado viveu um dos dias mais marcantes da sua vida, ao ter-se estreado, logo na condição de titular, junto da equipa principal do Real Madrid, no categórico triunfo sobre o Ponferradina, em pleno Santiago Bernabéu, por 5-1, que valeu o apuramento para os oitavos de final da Taça do Rei.
Na altura, o lateral-esquerdo tinha apenas 22 anos de idade, e teve a oportunidade de atuar ao lado de estrelas como Pepe, Mesut Ozil ou Karim Benzema. Algo que, não esconde o próprio, só foi possível graças ao treinador português José Mourinho, que, agora, está de volta ao emblema blanco, após ter sido adquirido ao Benfica, a troco de 15 milhões de euros.
"No outro dia, perguntavam-me o que é que me parecia o regresso, e eu disse que estava encantado. Oxalá me chamasse outra vez! Aquele Casado do Castilla só o conhecem graças a ele. Levou-me para a pré-temporada, e, depois, as palavras dele foram que o prémio pelo meu rendimento era a estreia", começou por afirmar.
"Ainda por cima, foi contra o Ponfe [que viria a representar, na temporada desportiva de 2015/16], que o destino está sempre lá. Ele deu-me vida, a nível desportivo e económico. Se pude comprar a minha casa, os meus carros... Mourinho e o Real Madrid são os culpados", prosseguiu, em entrevista concedida à edição desta quinta-feira do jornal espanhol As.
"Sabia desde terça-feira da semana anterior. A Taça do Rei era na terça-feira, seguinte, e ele reuniu-me com [Carvajal], no escritório. 'Tu, esta semana, não jogas com a tua equipa, vais ser titular na Taça do Rei'. Estive no banco de suplentes [do Castilla, a equipa B] e não joguei. E, bem, só ter ido para o aquecimento...", completou.
"Mourinho parecia ter conflitos com toda a gente, mas..."
Jorge Casado não poupou, de resto, nos elogios tecidos ao Special One: "É inesquecível. Exigente, duro, mas no trato, talvez por ser da formação, tiro-lhe o chapéu. Em Los Angeles, na pré-temporada, fiz todos os jogos... Foi muito acolhedor. Depois, parecia ter conflitos com toda a gente, mas, connosco, os jovens, foi perfeito".
"Ele é mais de colocar intensidade, mas gosta de observar. Quem dirigia mais era o Rui Faria. Muitas vezes, sentava-se e, depois, dizia-te qualquer coisa. O vídeo era coisa pouca (...). Há que respeitar a figura do treinador. Num balneário como o do Real Madrid é complicado gerir as estrelas, e estamos a falar de egos", refletiu.
"No entanto, se não respeitas o treinador, o barco vai naufragar. Há que deixar o treinador trabalhar... Mas, ao dia de hoje, há tanta me*** nas redes sociais... 'Eu falo, eu difundo....'. Não ajuda. E, se há um problema, torna-se ainda maior. O treinador tem de fazer-se respeitar", acrescentou o agora jogador do Guadalajara, aos 37 anos de idade.
"A repercussão que o meu nome tem é graças ao Real Madrid. Aquilo que me deu a formação, a estreia com Mourinho, o ter feito as pré-temporadas, o ter sido presença habitual nos treinos... Foi graças ao Real Madrid que se fechou um ciclo muito bonito", concluiu.
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