Seguro homenageia ex-autarca que morreu a combater incêndio em 2025

🗓️ 2026-08-09 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Presidente da República, António José Seguro, homenageou Carlos Dâmaso este domingo, cerca de um ano depois de o ex-autarca de Vila Franca do Deão ter morrido a combater um fogo na sua aldeia.

"Como esta é a primeira vez que venho à Guarda como Presidente da República, quero aproveitar a ocasião para homenagear o Carlos Dâmaso, ex-autarca de Vila Franca do Deão que faleceu há um ano quando defendia a sua aldeia de um incêndio", referiu, numa sessão solene comemorativa dos 150 anos da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Egitanienses - Bombeiros Voluntários da Guarda.

"É um exemplo de que há pessoas capazes de arriscar a própria vida pela vida dos outros, como todos os dias fazem os bombeiros da Guarda, como todos os dias fazem os bombeiros de Portugal", apontou.

O ex-autarca, um empresário agrícola de 43 anos, casado e pai de um filho, morreu enquanto combatia as chamas. O corpo foi encontrado na sexta-feira, 15 de agosto de 2025, numa propriedade da família, em Vila Franca do Deão, no munícipio da Guarda, onde o fogo começou pela manhã do mesmo dia, pelas 10h45.

Carlos Dâmaso, que foi presidente da Junta de Freguesia  de Vila Franca do Deão durante 12 anos, era novamente candidato às eleições autárquicas de outubro, por um movimento independente.

Na altura Seguro era ainda candidato a Belém, tendo lamentado a "trágica" notícia desta morte e apontado, logo aí, que Carlos Dâmaso tinha morrido "enquanto defendia a sua aldeia e os seus".

Também o seu sucessor, na altura ainda no cargo, foi dos primeiros a reagir à tragédia, dando conta de que tinha apresentado as suas condolências e que tinha interrompido as suas férias e regresso ao Palácio de Belém, onde estaria nos próximos dias a "acompanhar a grave situação dos incêndios rurais".

Nessa altura, Portugal prolongou também a situação de alerta devido ao perigo de incêndios. Era aí ministra da Administração Interna Maria Lúcia Amaral.

Já então se sabia que até 14 de agosto de 2025, cerca de 75.000 hectares, mais de metade ardeu nas últimas três semanas, tinham ardido. A aérea ardida até aí era já nove vezes mais do que em igual período do ano passado e a segunda maior desde 2017.

Note-se que cerca de 40 concelhos dos distritos de Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

IPMA colocou também em perigo muito elevado de incêndio cerca de 90 concelhos dos distritos de Vila Real, Bragança, Porto, Aveiro, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Santarém, Portalegre, Évora, Beja e Faro.

Sob perigo elevado de incêndio estão 65 concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Vila Real, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Viseu, Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal, Portalegre, Évora, Beja e Faro.

O perigo de incêndio rural determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores.

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