Seguro: "Soberania nacional não se constrói apenas em Lisboa"
Evocando a Batalha de Aljubarrota, em 1385, quando "a independência de Portugal estava em causa no campo de batalha", António José Seguro afirmou que "neste novo mundo, ser independente não significa estar isolado", mas "ter capacidade para escolher e proteger os nossos interesses".
"É essa a nova dimensão da soberania nacional. Portugal precisa de participar plenamente na globalização, mas não pode limitar-se a ser consumidor da tecnologia criada por outros. Precisamos de conhecimento próprio", observou o Presidente da República durante o seu discurso na cerimónia do Dia do Município da Batalha, no distrito de Leiria.
O chefe de Estado considerou que a "soberania do século XXI também se constrói nos laboratórios, nas universidades, nas empresas e nos centros de inovação", com uma "inteligência artificial colocada ao serviço das pessoas".
Também "não se constrói apenas em Lisboa", mas "em cada município, em cada comunidade, em cada empresa, em cada escola e em cada família".
"Portugal precisa de participar plenamente na globalização, mas não pode limitar-se a ser consumidor da tecnologia criada por outros. Por isso, a independência nacional de hoje passa também por termos portugueses preparados para compreender, criar e utilizar as tecnologias que estão a transformar o mundo", acrescentou.
Para António José Seguro, "um Portugal verdadeiramente independente é um Portugal territorialmente coeso, onde os jovens possam estudar, trabalhar, empreender e constituir família em qualquer parte do país".
E, frisou, não se poder aceitar que a "concentração de oportunidades obrigue as novas gerações a abandonar os territórios onde nasceram".
Segundo o Presidente da República, a "independência do futuro não será a independência de quem se fecha", mas "de quem tem capacidade para escolher".
Por isso, defendeu que essa é a capacidade que é preciso construir, com mais ciência, mais inovação, mais educação, mais empresas, mais talento, mais segurança, mais confiança e com uma visão clara: queremos um Portugal bom para viver, bom para trabalhar e capaz de construir o seu próprio futuro".
"Celebrar o Dia Municipal da Batalha é celebrar uma terra que conhece, como poucas, o valor da independência e da capacidade de decidir o seu próprio destino. Aqui, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, está inscrita uma das páginas maiores da nossa História: Aljubarrota e a afirmação da independência nacional", reforçou.
Voltando a abordar a Batalha de Aljubarrota, que tem uma "ligação profunda" com os tempos atuais, o chefe de Estado disse que "há mais de seis séculos, Portugal afirmou aqui o direito de decidir o seu próprio destino" e hoje tem de "afirmar esse mesmo direito num mundo novo".
"Neste Dia Municipal da Batalha, perante este lugar extraordinário da nossa História, deixo uma palavra de confiança. A batalha do nosso tempo é pela liberdade de decidir o futuro. E essa batalha - tal como em Aljubarrota - será vencida se soubermos estar unidos, acreditar em Portugal e agir com coragem", rematou.
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