Sem presença de Trump, Nova York tem cerimônia para marcar 25 anos dos ataques de 11 de Setembro
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Sem a presença do presidente americano, Donald Trump, a cidade de Nova York marca, nesta sexta-feira, os 25 anos dos ataques de 11 de Setembro, quando terroristas da Al-Qaeda derrubaram as Torres Gêmeas.
A ausência de Trump se dá em meio à rejeição de conservadores à participação do primeiro prefeito muçulmano da cidade, o democrata Zohran Mamdani. Trump escolheu comparecer a uma cerimônia no Pentágono, sede do Departamento de Defesa, que também foi alvo de um avião sequestrado há um quarto de século.
A decisão presidencial de não participar do ato gerou debate. Segundo o New York Times, o motivo seria uma restrição rigorosa que proíbe discursos políticos no local para garantir que a cerimônia permaneça apartidária. O presidente, por sua vez, classificou a informação como “inventada”.
O vice-presidente JD Vance estará em Nova York ao lado dos quatro ex-presidentes americanos, os democratas Joe Biden, Barack Obama e Bill Clinton, assim como o republicano George W. Bush, que governava o país no dia em que os ataques mataram quase 3.000 pessoas.
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Apesar disso, algumas vozes conservadoras pediram que Mamdani não participasse das cerimônias, incluindo Rudy Giuliani, prefeito de Nova York na época dos atentados e que depois foi advogado de Donald Trump. Giuliani se declarou ofendido com a presença do atual prefeito no “Marco Zero” – no local onde ficavam as Torres Gêmeas, familiares seguirão a tradição de ler os nomes das vítimas fatais daquele dia, a partir do horário em que o primeiro avião atingiu a Torre Norte.
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A fala de Giuliani se dá também após críticas de Mamdani às lideranças na época do ataque. Durante a semana, o demcorata anunciou a divulgação de dezenas de milhares de documentos que revelariam, segundo ele, que a cidade ocultou informações sobre a toxicidade do ar após os atentados contra o World Trade Center.
Além das 2.977 pessoas que morreram nos Estados Unidos no dia dos atentados, principalmente em Nova York, mais de 9.400 faleceram posteriormente em consequência de doenças relacionadas à exposição a substâncias tóxicas, segundo o programa federal de acompanhamento médico.
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“As pessoas ficaram doentes porque os dirigentes em quem confiavam mentiram ao afirmar que poderiam respirar sem perigo um ar tóxico”, afirmou Mamdani. Entre os que poderiam ser acusados estão Rudy Giuliani e Michael Bloomberg, eleito prefeito em novembro de 2001.
Memória
A marca de 25 anos marca um ponto de virada demográfico. Beth Hillman, presidente do Museu e Memorial do 11 de Setembro, disse à agência de notícias AFP que cerca de 100 milhões de americanos ainda não eram nascidos ou eram jovens demais para recordar os ataques. “Muitos da minha geração se lembram exatamente de onde estávamos”, afirma a veterana da Força Aérea.
Para preencher esse vazio, o Memorial, que recebe 2,4 milhões de visitantes anualmente, mudou sua estratégia para focar na educação. Voluntários como Logan Miller, de 32 anos, que perdeu o avô e um tio no atentado, compartilham relatos pessoais para ajudar os mais jovens a compreender a magnitude do desastre. Miller observa que os jovens são “mais curiosos” e fazem mais perguntas do que os mais velhos, que muitas vezes hesitam por medo de ofender.
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A necessidade de “parar” as novas gerações, frequentemente imersas nas redes sociais, é defendida por visitantes como Holly Kafka, de 61 anos, que acredita que a experiência presencial no memorial, composto por dois grandes espelhos d’água sobre as fundações das torres, é essencial para a transcendência do legado.
Mesmo assim, o legado do 11 de Setembro continua forte. Uma pesquisa Reuters/Ipsos desta semana revelou que 60% dos americanos afirmam pensar periodicamente no atentado; proporção semelhante diz que apoiaria uma resposta militar caso ocorresse outro episódio do tipo. No entanto, a maioria acha que as guerras no Oriente Médio após os ataques não valeram a pena (48% em relação ao Afeganistão e 51% em relação ao Iraque). Ambos os conflitos têm em torno de 20% de aprovação.
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O levantamento também revelou que cerca de 60% dos americanos — a taxa aumenta para 80% entre os eleitores republicanos — acreditam que a resposta do governo dos Estados Unidos ao 11 de Setembro foi, pelo menos em parte, eficiente na prevenção de novos atentados em solo americano.
O aumento da vigilância interna após 2001, contudo, é menos popular. Ao menos 65% dos americanos se opõem à permissão concedida a agências de inteligência dos Estados Unidos para monitorar comunicações eletrônicas de cidadãos comuns sem mandado judicial. Promulgada em 2008, uma lei que permitia essa prática expirou há dois meses, embora a Casa Branca de Trump tenha solicitado que o Congresso estenda a medida.
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