Setor produtivo brasileiro se posiciona contra votação da PEC da escala 6x1
Brasil
Confederações empresarias preveem aumento de custos, inflação e impacto nas contratações caso a escala 6x1 seja proibida
06/10/2026 20:53
, atualizado 06/10/2026 21:13

O setor produtivo brasileiro – representado pelas confederações empresariais CNI, CNT, CNC, CNA, CNseg e OCB –, posicionou-se, na noite desta terça-feira (6/10), contra o fim da escala 6×1 no país.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e a adoção de dois descansos remunerados por semana, está em discussão no plenário do Senado Federal.
As confederações consideram inoportuna a votação da PEC durante o período eleitoral, quando o debate público estará marcado pela polarização em torno do segundo turno das eleições presidenciais, embora reconheçam “a importância da discussão sobre jornada e escala de trabalho.”
“O tema precisa ser debatido com tempo e cuidado, pois decisões dessa dimensão precisam levar em conta seus efeitos sobre a economia, os investimentos e a criação de empregos formais. Para as instituições que assinam esse manifesto, não há justificativa plausível para que uma matéria de tamanho impacto sobre os setores econômicos seja votada sem um amplo e aprofundado debate, especialmente em um momento marcado pela pressão das urnas”, afirma o posicionamento, enviado à imprensa.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
Segundo as entidades, os efeitos de uma eventual redução da jornada de trabalho serão significativos para setores como indústria, comércio, transporte, agricultura, cooperativismo, saúde e serviços em geral, “provocando aumento dos custos de produção, redução das contratações formais e a consequente pressão sobre a inflação.”
Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que a redução da jornada para 40 horas semanais, com manutenção dos salários, elevará os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e resultará em uma queda de 0,7% do PIB brasileiro, equivalente a R$ 76,9 bilhões.
Ainda de acordo com a entidade, os preços ao consumidor subiriam, em média, 6,2% caso o limite semanal de horas trabalhadas fosse reduzido.
Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima uma alta de pelo menos 13% na inflação, enquanto a Confederação Nacional do Transporte (CNT) projeta um aumento inicial de R$ 11,9 bilhões nos custos com mão de obra apenas no setor de transporte.
“O Brasil não pode ir na contramão das economias que buscam recuperar espaço nos mercados. Precisamos ser produtivos e competitivos. Não há espaço para retroceder, especialmente nesse momento”, diz o texto.
Para as entidades, a discussão deve ocorrer com “maturidade e diálogo social” para que seja possível construir um futuro do trabalho considerado mais justo, produtivo e equitativo para os brasileiros.
Fim da escala 6×1 no Senado
O debate em volta do fim da escala 6×1 retomou fôlego após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizar nesta terça-feira (6/10) que a PEC poderá ser votada na próxima semana. Antes disso, o plenário precisa concluir as cinco sessões de discussão previstas para a matéria. A proposta ainda terá de passar por dois turnos de votação no Senado.
Segundo Alcolumbre, ele decidiu não levar a proposta à votação antes do primeiro turno das eleições para evitar que o tema interferisse no processo eleitoral. Com o primeiro turno concluído, o presidente do Senado disse que cada parlamentar poderá votar de acordo com sua “consciência” e “convicção”.
A decisão contrariou integrantes da oposição ligados ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que criticou a proposta.
Candidato à Presidência, o senador defendeu uma alternativa da oposição baseada na remuneração por hora trabalhada e chamou o fim da 6×1 de pauta “eleitoreira” de Lula.
A proposta em discussão prevê reduzir de 44 para 40 horas a jornada semanal de trabalho e garantir dois dias de descanso remunerado por semana. De acordo com Alcolumbre, a mudança poderia afetar quase 40 milhões de trabalhadores que atualmente estão submetidos à escala.