Shows lideram consumo de cultura no Brasil, diz pesquisa - 14/10/2026 - Ilustrada - Folha

🗓️ 2026-10-14 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A participação dos brasileiros em atividades culturais presenciais cresceu neste ano, com avanço nas idas a shows, museus, exposições e centros culturais. Segundo a sétima edição da pesquisa Hábitos Culturais, do Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha, 88% dos entrevistados fizeram ao menos uma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores ao levantamento, ante 84% em 2025.

A pesquisa ouviu 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, em 137 municípios de todas as regiões do país, entre 7 e 20 de julho deste ano.

Shows de música registraram uma das maiores altas, passando de 45%, no ano passado, para 51% dos entrevistados. As visitas a centros culturais subiram de 26% para 32%; idas a museus avançaram de 16% para 21%; e, em exposições de arte, de 27% para 31%.

Eventos ao ar livre atraíram 63% dos entrevistados, e festas populares, típicas e folclóricas, 45%.

O cinema foi frequentado por 39% da população, mesmo percentual dos que visitaram espaços ligados ao patrimônio histórico. Atividades infantis foram mencionadas por 37%. Pela primeira vez, a pesquisa incluiu pontos de cultura e espaços comunitários (38%), rodas de samba, pagode ou choro (30%) e bailes funk (9%).

Apesar do crescimento, o acesso à cultura permanece desigual. Entre os entrevistados das classes A e B, 97% realizaram ao menos uma atividade cultural presencial nos últimos 12 meses, contra 82% nas classes D e E. A diferença é ainda maior no cinema, em que 63% nas classes A e B foram às salas, ante 18% nas classes D e E. No teatro, os índices são de 41% e 17%, respectivamente; nos museus, de 35% e 14%.

A diferença se repete em shows (64% nas classes A e B, 42% nas D e E), centros culturais (47% e 27%), bibliotecas (39% e 16%) e eventos ao ar livre (74% e 52%).

A pesquisa aponta, ainda, que 33% dos brasileiros dizem não haver equipamentos culturais na região onde moram, embora 40% afirmem ter realizado atividades culturais no próprio bairro ou perto de casa nos últimos 12 meses, seis pontos percentuais acima do registrado em 2024.

Ruas e praças são os espaços mais citados (68%), seguidos por igrejas (61%), parques (54%), shoppings e equipamentos culturais (43% cada) e escolas (43%). Nestas, 27% citaram feiras culturais e festas juninas ou folclóricas.

Além disso, 72% afirmaram que participariam de mais atividades culturais se elas ocorressem com maior frequência nas escolas de seus bairros.

O custo é o principal obstáculo à participação presencial, apontado por 35% dos entrevistados. A insegurança e a violência aparecem em segundo lugar, com 30%, seguidas por falta de tempo (23%), cansaço ou desânimo (21%), distância dos eventos e lotação (19% cada) e falta de transporte (16%).

Entre os que citam insegurança, 47% temem assaltos ou furtos, 43% apontam falta de policiamento e 29%, violência no trajeto.

Já a possibilidade de violência contra mulheres ou assédio nos espaços culturais foi apontada por 27%, seis pontos percentuais acima dos 21% registrados na edição anterior. A preocupação é maior entre as mulheres (38%) do que entre os homens (14%).

No consumo cultural doméstico ou pela internet, ouvir música on-line lidera, com 85% dos entrevistados. Filmes em plataformas de streaming foram assistidos por 76%, e séries online, por 73%. Novelas foram acompanhadas por 56%, mesmo percentual dos que ouviram podcasts. A leitura de livros impressos também foi mencionada por 54% dos entrevistados. Jogos eletrônicos foram citados por 43%, e livros digitais, por 38%.