SLBxHearts. "Golo anulado por fora de jogo foi bem decidido"

🗓️ 2026-08-06 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Sem falta na Rádio Observador, sempre com o Pedro Henriques. Pedro, mais uma vez, muito bem-vindo. Boa noite. Vamos olhar para o trabalho do árbitro, o juiz Marian Barbu, que esteve no comando deste encontro que terminou com vitória estrondosa para o Benfica, seis a um diante do Hearts, a contar para esta terceira preliminar da Liga Europa. Vamos desde já olhar para os lances e começamos com esse gol madrugador, logo ao minuto três, o primeiro gol do Benfica.

Certo, e um gol legal, sem fora de jogo. O gol é marcado por Rafa, é na construção da jogada do corredor direito, quando o Bah faz o passe para o Leandro Barreiro, que está em posição legal, porque tem entre ele, Barreiro, e a linha de baliza adversária, que é para lá que se tiram os foras de jogo, tem mais de dois adversários. Isso vai ser importante para o outro gol que vai aparecer à frente, porque as pessoas por vezes têm noção que tem que ter um defesa e um guarda-redes. Não é nada disso, não é defesa nem guarda-redes, não interessa a posição do campo, tem que ser dois adversários, sejam eles quem for, ou mais, para nunca haver fora de jogo. Portanto, gol um do Benfica, gol legal, sem fora de jogo, nomeadamente de Leandro Barreiro.

Uhum. É aos 23. O segundo gol também é legal, Pedro, é isso?

Sim, sem falta, há um pontapé de canto, que é batido, Tomás Araújo de cabeça faz o gol, finaliza. Ele tem um contacto daquilo que é o seu braço esquerdo sobre o ombro direito do Spital, acho que é assim que se diz o nome, mas não se apoia nem o empurra. E o Spital também tem em oposição o braço direito por baixo, como saltou menos alto que o Tomás Araújo, na zona por baixo do braço. Está a faltar agora aqui o termo correto, mas por baixo do braço. Digamos que o Tomás Araújo está por cima, o Spital está por baixo e, portanto, daí um dos braços estar mais acima do outro. Mas não se apoia, não empurra, não impede o Spital de saltar e, por isso, gol legal sem qualquer infração atacante.

Aos 33 minutos, há esse amarelo para Gianluca Prestianni.

Sim, é uma situação em que o Calvin Miller está a atacar pelo corredor direito e faz a finta para dentro. E o Prestianni com o pé direito toca e rasteira, naturalmente, o pé esquerdo do Calvin Miller. Ele se faz a finta para dentro e não é tocado e rasteirado, podia entrar, aliás, iria, era isso que ele pretendia fazer, entrar pela área e já com algum perigo. E este cartão amarelo insere-se naquilo que é o corte a ataque promissor e, por isso, boa decisão.

Muito bem. Prestianni, que volta a ser protagonista ao minuto 41, ainda antes do intervalo, com esse pênalti.

E pênalti bem assinalado pelo árbitro. O VAR só se limitou a confirmar. O árbitro está muito bem colocado e vê, porque é uma situação sem bola e isso é sempre mais difícil. O Laurent Mendy com a mão direita agarra e puxa o ombro direito do Prestianni. Relembrar que o Prestianni iria receber um género de tabelinha. O pênalti é bem assinalado e o árbitro também mostra cartão amarelo, porque se tratando de utilização das mãos, e sempre que tu empurras, agarras ou puxas um adversário na área e cometes pênalti, isto nunca é na tentativa de jogar a bola. Portanto, é sempre considerado infração e se cortas um ataque promissor. Se é para amarelo, manténs o amarelo. Se é para vermelho, manténs o vermelho. Aquela lei da dupla penalização em que no fundo passas vermelhos para amarelos e para amarelos para nada, ou seja, uma despenalização, só se aplica quando as infrações de pênalti são na tentativa de jogar a bola. E para a lei, tentativa de jogar a bola é quando tu esticas o pé e depois com o pé, ou com o joelho, ou com a perna, derrubas o adversário porque não consegues tocar a bola. Tudo que utilize as mãos, mantém-se sempre a parte disciplinar. Portanto, dupla decisão correta, pênalti e cartão amarelo pelo árbitro, o VAR limitou-se só a confirmar.

Já aqui em cima do minuto 45, queres falar duas questões. Primeiro do tempo extra, não é, Pedro?

Certo, o tempo extra, porque na primeira parte, tal como depois acontece no final da segunda parte, o árbitro deu um minuto de tempo extra, que nós chamamos tecnicamente de recuperação de tempo perdido, e que foi escasso, porque na primeira parte houve amostragens em dois cartões amarelos, três gols, e um deles ainda por cima de pênalti, que o árbitro marcou, mas que o VAR teve que confirmar, e o tal gol. Portanto, é em cima do minuto 45 mais um, que acaba por ser anulado também, como já vamos ver, com a intervenção do VAR.

Exatamente. E há ainda esse lance aos 45 mais um, que é o gol anulado ao Benfica com alguma confusão à mistura.

Certo. Em primeiro lugar, o passe do Leandro Barreiro para o Pavlidis está em fora de jogo e, portanto, o assistente dá o fora de jogo. E aqui pode às vezes gerar a confusão, porque o Pavlidis tem entre a linha de baliza um jogador de campo defensor e as pessoas às vezes são iludidas com o fato de, até que no mundial tivemos um caso desse e foi muito falado, porque as pessoas olham e dizem que ele tem o defesa à frente. Não é defesas, não é guarda-redes, esqueçam as posições. Um jogador tem que ter dois adversários, neste caso entendendo-se o Pavlidis, no momento em que o Leandro Barreiro faz o passe, entre ele e a linha de baliza adversária. Se tendo só um, como foi o caso, que por acaso era jogador de campo, não conta, é preciso ter dois e, portanto, bem no fora de jogo. O que aconteceu aqui neste mesmo lance? É que ato contínuo que o Leandro Barreiro faz o passe, fica a ideia que o Spital tinha rasteirado o Leandro Barreiro, que ficou a queixar-se da perna. Mas para mim, não houve motivo para infração, que seria pênalti. Mas mesmo que fosse pênalti, o pênalti era sempre a posterior do momento do passe, ou seja, do fora de jogo. E o Pavlidis já se considerava a tomar parte ativa na jogada e, portanto, seria sempre, mesmo que houvesse pênalti, fora de jogo, que a primeira infração é de fora de jogo antes do pênalti. De qualquer maneira, para mim também não há pênalti, porque é o próprio Barreiro que se aleija, porque após rematar vai chocar contra a perna do seu adversário e não o contrário. Por isso, boa decisão naquilo que foi o gol anulado ao Benfica por fora de jogo.

E Pedro, avançamos já para a segunda parte, aos 70 minutos, amarelo para Spital.

Sim, este cartão amarelo insere-se naquilo que é, na altura, o capitão da equipe do Hearts, o Blair Spital acaba por fazer duas em um, ou seja, uma falta tática e uma entrada negligente. Ele derruba o Rafa Silva quando o Rafa estava a sair em contra-ataque e, portanto, sempre que destróis uma saída em contra-ataque com o objetivo de parar a jogada, encontramos isto na falta tática, muitas vezes dizemos que é uma falta útil, e a entrada, que é lateral com o pé esquerdo, que acaba por derrubar o pé direito do extremo do Benfica, do Rafa, e portanto, é uma entrada também dura e negligente, e portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Pedro, avançamos agora para o golo do Hearts marcado por Renaud ao minuto 72.

Sim, é o cartão amarelo ao Ba primeiro, porque por trás acaba por com o braço derrubar ali nas costas o Mark Paquét, não sei como é que se diz. Os nomes são difíceis com MCs e Ks pelo meio. Mark Paquetá, acho que é assim que se diz, quando ele ia entrar lateralmente pela área e é uma infração que corta uma jogada de perigo, chamada ataque promissor, porque se o Alexandre Bajnot desequilibra, o Mark Paquetá ia entrar na área, portanto, era uma jogada de perigo. Cartão amarelo bem mostrado.

Estás a falar do amarelo para o Ba ao minuto 79, é isso?

79, exatamente. Peço desculpa, saltei o minuto 72.

Por isso é que eu estava aqui a ficar confuso.

Não, desculpa.

Não, mas voltamos a isso, ao golo.

Não, pois, agora já estava no minuto 79. Sete minutos antes, é o gol da equipa escocesa. Só para dizer que também não há fora de jogo no momento do passe do Guendouz, quando passa para o Tom Renaud, que acaba por finalizar e portanto ele tem mais dois adversários na linha de baliza, gol legal. E depois ao 79, então, o cartão amarelo que já falamos, ao Ba.

Exato. E há ainda mais um cartão amarelo, neste caso, para o português Cláudio Braga do Hearts.

Sim, é uma entrada completamente fora tempo, ele vai aliante barreira com o pé e com a anca só para destruir a jogada e parar a jogada e, portanto, é uma entrada durinha, negligente, bem sancionada disciplinarmente.

E voltamos a falar do tempo extra, porque foram saudados dois minutos nesta segunda parte.

Sim, porque não fazia sentido nenhum. Nós estamos numa eliminatória em que todos os gols contam. Está certo que o Benfica encheu a barriga, como se costuma dizer, mas todos os gols contam. E portanto, o árbitro não pode fazer esse tipo de questão. Se este fosse o último jogo, já eliminado e já tudo feito, aceitava-se sob o ponto de vista emocional em relação ao jogo e de bom senso. Mas aqui não. Reparem, houve, na segunda parte, seis paragens para substituições onde entraram oito jogadores. Só aqui, a conta de cinco segundos cada paragem, tínhamos só quatro minutos e meio, já duplicava os dois minutos. Depois ainda foram mostrados três amarelos, ainda tivemos três gols, e depois, curiosamente, como o pênalti já é em tempo extra, que é esse lance que vamos falar a seguir, o árbitro acaba por esticar dos dois quase para quatro minutos e 35, indo aos cinco minutos. De qualquer maneira, os dois minutos iniciais eram escassos, foram poucos.

E falamos, Pedro, desse pênalti para o Benfica aos 90 mais dois.

De forma muito rápida, o Andreas Schjelderup remata, o Oisin McCanty acaba por interceptar a bola com a mão direita e faz aquela rotação, que é ter a mão do lado direito e faz uma rotação quase 180º para interceptar a bola. Portanto, o gesto de rotação ganha voluntariedade, fora do plano do corpo, interceção de forma deliberada. A infração foi bem assinalada, só que o árbitro considerou que a infração tinha sido fora. É um bocado no limite e, portanto, assinalou livre direto. É aqui que entra o VAR para corrigir e dizer ao árbitro: "Olha, a infração não é fora, é dentro, pontapé de pênalti". Só uma explicação: por que o VAR, nestas circunstâncias, informa o árbitro e o árbitro, ao contrário da maior parte das vezes, não vai ao monitor? Porque tratando-se de uma situação factual e o protocolo VAR, no ponto que fala da revisão na sua página 152, diz que tratando-se de uma situação factual, se é dentro ou fora da área, é uma situação factual, não é preciso fazer o OFR, chamada On Field Review. Não tens que ir ao monitor. Contudo, e só uma última explicação, imaginemos que era 0 x 0, era o último lance do jogo e decidia-se aqui uma eliminatória. Mesmo sendo factual, para reforçar a ideia que realmente o VAR tinha razão e que era um lance decisivo para o jogo, nestes casos, o árbitro pode aceitar a decisão, como pode também ir ao monitor para, e a expressão que eu vou usar é a expressão que vem lá na página 152, para vender melhor a decisão. Tipo, eu vou abrir esta imagem e passar na televisão e toda mundo vê que realmente o lance é dentro. Neste caso, com o resultado que estava, não era preciso, tudo certo e era mesmo dentro da área e foi mesmo mão e foi bem assinalado o pontapé de pênalti.

E Pedro, analisados os lances, falta a tua nota para Marian Barbu e a sua equipa.

Vou dar sete.

Sete. Uma nota segura.

O árbitro e o VAR em bom plano. Repara, dois pênaltis bem assinalados, e dois pênaltis são dois lances muito importantes, um deles com a ajuda do VAR, o gol anulado por fora de jogo, também muito bem. Cumpriu nos cinco cartões amarelos que mostrou, portanto, sob o ponto de vista disciplinar. A única coisa que eu tenho a apontar de menos positiva é efetivamente a questão da gestão do tempo, os tais um minuto e depois dois minutos que ele deu, mas isso é um somenos, ainda por cima com resultado tão volumozo. Por isso, vou dar nota sete. Árbitro e VAR estiveram mesmo em bom plano.

Nota sete dada pelo Pedro Henriques ao trabalho do árbitro romeno Marian Barbu, que esteve ao comando deste jogo entre Benfica 6, Hearts 1, a contar para a primeira mão da terceira preliminar da Liga Europa. É desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro Henriques, muito obrigado. Uma boa noite pra ti. O "Sem Falta" que, como sempre, também fica disponível em podcast.