Só este agrupamento de escolas tem 57 horários do 1.º ciclo por preencher

🗓️ 2026-09-01 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Fenprof faz o balanço da falta de professores a 15 dias do arranque do ano letivo e no dia em que milhares de professores regressam às escolas

Se a escola começasse já hoje, “milhares de alunos” não teriam professor atribuído a pelo menos uma disciplina. O alerta é feito pela Federação Nacional de Professores (Fenprof), esta terça-feira, 1 de setembro, no dia em que milhares de professores regressam às escolas. A federação de sindicatos de professores denuncia que persistem “2.650 horários em oferta de escola que correspondem a mais de 50 mil horas” e alerta sobretudo para o elevado número de professores que se reformaram nos últimos meses e que é expectável que se reformem durante o ano letivo.

“Em setembro, aposentam-se 558 docentes, mais 172 do que no mesmo mês do ano passado. Um aumento de 30,8%. Nos próximos anos poderão aposentar-se cerca de 4 mil professores por ano”, contabiliza a Fenprof, com José Feliciano da Costa, um dos secretários-gerais, a lembrar: “isto não é o render da guarda. No render da guarda, há contingente para render o contingente que sai. Aqui, não há contingente para substituir os que saem”.

José Feliciano da Costa cita o exemplo do Agrupamento de Escolas de Queluz-Belas, onde há, nesta altura, 54 horários por preencher só no primeiro ciclo. O Agrupamento de Escolas de Queluz-Belas é um caso particular: é um dos maiores do país, com 10 estabelecimentos de ensino, entre eles sete com Ensino Básico. Mas não é caso único.

“O agrupamento de escolas Dr. Azevedo Neves, na Amadora, tem 49 horários em oferta de escola. O agrupamento de escolas Eduardo Gajeiro, em Loures, tem 38, o outro de Sintra, o de Algueirão, tem 35 e podíamos ir por aí fora”, enumera o dirigente sindical.

“O aumento do recurso à contratação de escola é, por si só, um sinal da dificuldade que as escolas continuam a sentir para garantir os professores de que precisam. Em 2025-2026, o ano letivo que passou, o número de horários preenchidos através de contratação de escola aumentou cerca de 30%”, lembra.

“É neste contexto que começa mais um ano escolar: com falta de professores, aumento das aposentações, degradação das condições de trabalho, escolas com falta de equipamentos e infraestruturas adequadas, processos negociais conduzidos de forma inaceitável, em regra como formalidade, alterações profundas no recrutamento e colocação de docentes, problemas no ensino artístico, incerteza no ensino superior, caos nos exames nacionais e novas ameaças à concretização de uma verdadeira educação inclusiva”, resume a Fenprof, no comunicado distribuído aos jornalistas.

Para os professores, “isto não são fatalidades, são resultados de escolhas” políticas que “desvalorizam os profissionais” e que fragilizam a escola pública”, porque “aumentam a precariedade e a instabilidade laborais na vida dos professores e educadores e suas famílias” e transferem para os docentes “responsabilidades que pertencem ao Governo”.