Sopa no fim ajuda a digestão? – A sua pergunta

🗓️ 2026-07-17 📁 sports 📝 ⏱️ 👁️ : -

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

À sexta-feira, na Rádio Observador, recebemos a Mariana Chaves para esclarecer dúvidas de nutrição dos nossos ouvintes. Olá, Mariana.

Olá, Nelson.

Já sabe, pode enviar as suas para [email protected]. Foi o que fez a Marta. A Marta escreveu-te, Mariana, e pergunta a ela: "Várias pessoas me dizem que devemos comer sopa no final da refeição para ajudar a digestão. Isto é ou não vantajoso? O que defendem é comer a refeição com salada crua, de seguida o prato principal e no fim, a sopa". Há uma ordem certa para estas seções da refeição que a Marta nos explica aqui no seu e-mail?

Primeiro que tudo, a Marta já está a pensar em todas as coisas que são hábitos saudáveis.

Já começa bem.

Fantástico.

Tem sopa, salada e prato principal.

Exatamente.

Ainda não sabemos qual é, mas pronto, vamos acreditar que é saudável.

Sim, exatamente, sopa de vegetais. Nós já até falamos aqui bastante de sopa e temos programas muito giros sobre isso, como um que se chama "Sabe Fazer Sopas Saudáveis?", o outro que é "Gaspacho, Sopa ou Aperitivo?", porque gaspacho é a sopa da época.

E nessa altura de calor faz sentido.

Exatamente. Também temos sobre sopa saudável com ou sem batata, que os ouvintes gostaram muito deste programa. Mas aqui realmente a pergunta é diferente, já não é sobre a sopa ser saudável, é mais o momento em que comemos. E para a maior parte das pessoas faz sentido começar a refeição sempre com vegetais, claro, isto é uma regra. Isto não é para a maior parte, isto é para todos. Agora, a maior parte dos portugueses come a sopa no início, mas pode ser a sopa no início, como também pode ser a salada e até podem ser legumes cozinhados, por exemplo, uns pimentos assados.

Mas se eu comer sopa no início, já não preciso comer salada depois no prato principal?

Ora bem, eu diria que essa não deveria ser a regra, porque nós temos objetivos de vegetais ao dia.

A sopa só por si não chega.

Exato. E para além de que perdes alguns nutrientes. Quando estás a comer salada crua, tens obviamente mais, por exemplo, ácido fólico, se forem vegetais verde-escuros.

Porque os outros são cozidos e perdem um bocadinho.

Exatamente. E então isto dava aqui uma conversa muito rica e que não tinha fim. Mas a verdade é que é importante desmistificar uma coisa, que é: começar por vegetais vai ajudar na saciedade, vai dar mais tempo ao corpo para perceber que a refeição começou, aqueles ditos 15 minutos que demora a informação a chegar do nosso estômago ao nosso cérebro. E vai nos ajudar também a ter mais controle no prato principal que vem a seguir.

Então a ideia de que a sopa no fim ajuda a digestão não faz muito sentido?

Certo.

Acho que às vezes tem um pouquinho a ver com a idade. Os mais antigos gostam da sopa no final da refeição.

Sim, provavelmente eles também já o comeriam antes do final da refeição. E na verdade, não temos dados nenhuns científicos sobre essa ação na digestão. Portanto, não torna nem sequer a digestão mais fácil, nem compensa o que comeu antes.

Mas não é errado.

Pronto, não significa que esteja errado. Eu acho que é um hábito que a pessoa tem. Temos que também entender que se a pessoa começa com uma salada, por exemplo, vamos pensar assim. Começa com uma salada típica algarvia: tomate, pepino e pimento. Depois come o prato principal, no fim come a sopa. Está tudo bem, começou com os vegetais. Mas também pode acontecer começar com a sopa de brócolos, por exemplo, depois comer o prato com a salada. E estas duas opções estão corretas. Agora, se calhar, a pergunta prende-se mais com o objetivo. De saciedade, por exemplo. Se for de saciedade, quando comes a salada, demoras mais tempo, mastigas mais, vais ficar mais saciado por estar a fazer no início. Mas, por exemplo, se estivermos aqui a falar num idoso que tem mais dificuldade em comer o prato, às vezes, que está numa luta para não perder peso e que come a sopa e depois fica bem e quase que não precisa de comer a carne toda ou o peixe todo, se calhar nesse caso faz sentido a sopa vir no final para garantir que come toda a proteína que precisa naquela refeição. Primeiro o prato e depois a sopa.

Então, para a maioria das pessoas, o mais útil é começar mesmo pela sopa ou pela salada.

Sem dúvida, sim. Pensando aqui nisto. A salada, por um lado, mais mastigação, mais fibra intacta. Não é que a sopa não tenha fibra.

Mas está a fazer a ativação da refeição, da nossa digestão.

Exatamente. E depois a sopa, como alternativa para início da refeição, também vai nos trazer mais volume e mais água. E em dias que tenhamos frio, que não é no verão.

Não é o caso. Já tenho tantas saudades desses dias.

Mas imagina, mesmo que seja uma sopa fria, um gaspacho, às vezes é um bom quase aperitivo, é um bom início de refeição. E é principalmente para as pessoas que, por exemplo, chegam à refeição cheias de fome. Até pode fazer sentido, por exemplo, começar com a sopa, depois a salada e só a seguir o prato. E com isto nós vamos muito mais controlados para o prato. Não estamos a falar aqui de digestões mais fáceis ou difíceis, atenção. Estamos a falar aqui de comportamento alimentar e, portanto, não se trata de certos e errados. Trata-se da pessoa adaptar aquilo que está a pensar como objetivo.

E quando é que pode ser melhor então comer a salada antes da sopa?

Por exemplo, lembro-me do caso de uma sopa que tenha leguminosas, que é uma sopa saudável, atenção. E o que é que são leguminosas? Para as pessoas que ainda não ouviram todos os programas do Aprender a Comer.

Grão, feijão.

Exato. Lentilhas, ervilhas, favas, também há quem ponha. Então as leguminosas, que é um alimento saudável, que é fonte proteica vegetal, mas também é fonte de hidrato de carbono, juntamente com fibra, mas se ela está dentro da sopa ou se por acaso pusermos batata doce, seja a roxa, seja a laranja, dentro da nossa sopa.

Resumindo, quando a sopa é mais forte.

Exato.

Mais pesada.

Exato. Mas não estamos sequer a falar da sopa que leva arroz e massa. Estamos a falar só com estas variantes. Ou imagina uma sopa de cenoura clássica, aquela das crianças, que é cheia de cenoura. A cenoura cozinhada vai dar um índice glicémico mais alto. Portanto, nesses casos, não tem grande interesse começar a refeição com essa sopa. Tem mais interesse começar a refeição com uma salada, fonte de fibra baixa em hidratos de carbono, e depois comer essa sopa e o prato a seguir, ou Portanto, salada, sopa e prato, ou salada, prato e sopa no final, também é viável.

Mas se for mais verde e leve, até pode ir melhor no início.

No início, claro. No início em que a sopa e a salada verde, essa sopa leve e a salada verde ou a salada de outros vegetais crus, vão ter a sua posição no início da refeição, dependendo do gosto, eu diria, e do objetivo, como eu falava há pouco.

E há pessoas para quem a sopa fica mesmo para depois do prato principal, não é?

Sim, sem dúvida. Esta questão das pessoas que eu disse há pouco, idosos. Mas não é só idosos. Uma pessoa que esteja, por exemplo, com alguma questão de saúde e que precisa de aumentar a sua massa muscular e aumentar o seu peso de forma saudável e que está realmente a ficar saciada muito rapidamente, é importante comer o prato primeiro e depois a sopa. Isto estava me a lembrar, por exemplo, em casos de agora os tratamentos para perda de peso, em que as pessoas ficam com muita saciedade rapidamente. Às vezes faz sentido começar com a proteína, mesmo que seja acompanhada de vegetais, e não começar só com a sopa, porque vão ficar muito cheios só com a sopa. Depois perdem o objetivo final, que é a refeição saudável, de almoço ou de jantar, não é comer só sopa. Isso era uma coisa de antigamente. Nós sabemos que não é uma refeição completa se não tiver algum tipo de proteína lá dentro, seja proteína animal, seja proteína vegetal. E, portanto, nesses casos, a sopa como primeiro prato pode não ser útil para conseguirmos completar tudo o que precisamos na refeição.

Já quase que em jeito de conclusão, percebemos que não há uma ordem perfeita na refeição para toda a gente.

É, exatamente. Há a ordem que faz sentido para cada um.

Mas gostei daquela ideia de que o início deve ser sempre leve, ou em sopa ou em salada. Uma espécie de ativação da nossa digestão.

Exatamente. São as boas-vindas da nossa refeição. E portanto, aqui nós partilhamos um raciocínio. O que é que cada um deve ter como raciocínio? Se o objetivo é aumentar a saciedade e se para essa pessoa comer a sopa aumenta a saciedade, ótimo. Se, por outro lado, precisa de mastigação, que é a maior parte das pessoas, então a salada no início vai fazer esse objetivo melhor. Depois o facto de depender da sopa que temos. Sopas mais ricas no início, aí não vai fazer tanto sentido, porque pode não controlar tão bem a glicemia da refeição, por exemplo. Depois o outro objetivo também que poderá ser: eu tenho que conseguir alcançar um objetivo de proteína e fico sem fome muito rapidamente. Então, se calhar a sopa tem que vir a seguir ao consumo da carne e do peixe. Mas não é carne e peixe com risoto, é carne e peixe com vegetais. E se a pessoa gosta de fazer desta forma como a Marta descreve, salada, prato e sopa, no final está tudo bem. Agora, não vamos é acrescentar aqui esta questão do ajuda à digestão, porque na verdade não há dados científicos que nos digam exatamente isso.

De que é que vamos falar no próximo episódio, Mariana?

Olha, no próximo episódio vamos falar um bocadinho de dietas restritivas. E eu acho que é um tema que interessa a todas as pessoas. Portanto, fiquem atentos para a semana, vamos falar sobre isso.

O Aprender a Comer aqui na Rádio Observador, no site do Observador e nas plataformas de podcast também, para que o possa partilhar e escutar sempre que quiser. Mariana, até para a semana. Obrigado.

Até para a semana, Nelson.