SP2B, o “SXSW brasileiro”, estreia no Ibirapuera neste domingo
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Lar de incontáveis eventos de todo tipo, formato e tamanho, a cidade de São Paulo ganha mais um neste domingo (9). Aliás, talvez seja injustiça eu dizer “mais um”, porque definitivamente não é o caso do SP2B, que nasce com a proposta de se tornar um movimento.
O evento tem sido considerado o “SXSW brasileiro” não porque seja uma filial oficial do festival norte-americano, mas devido à sua relação com a cidade sede e seus moradores. É a referência oficial dos criadores, vale apontar.
Para além da vocação de capital financeira de São Paulo, os organizadores enxergam a cidade como um polo repleto de multiplicidade criativa, vocação que pretendem canalizar nesta edição de estreia. Daí o nome oficial, São Paulo Beyond Business.
Até o próximo dia 16, o Parque do Ibirapuera receberá mais de 750 painéis e 2 mil palestrantes que falarão sobre temas realmente múltiplos: da gastronomia à saúde, do urbanismo à inteligência artificial.
À frente do projeto está Rafael Lazarini, fundador e CEO da Da20 Creative Ventures, a mesma casa que criou o Rio2C, no Rio de Janeiro, e atual COO da Live Nation Entertainment. Conversei com ele e resumo abaixo nosso papo.
VEJA: Dentro da programação do SP2B, quais as discussões sobre inteligência artificial podem despertar mais curiosidade do público?
Rafael Lazarini: A inteligência artificial aparece de maneira transversal, permeando diferentes palcos. Ao todo uns 50 painéis passam pelo assunto, cada um dentro da proposta de cada território. Na Oca, com um olhar de arte, cultura, criatividade, comportamento. No prédio da Bienal, com uma visão mais de negócios, por exemplo.
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Pode dar um exemplo de uma dessas discussões?
Quando a gente fala sobre liderança: até que ponto a inteligência artificial vai impactar a forma como se lidera e como se é liderado dentro das organizações? Seja num extremo mais distópico, onde você pode ter um chefe que é uma IA, até num cotidiano mais palpável: como isso vai mudar a forma com que as lideranças se preparam, como os mecanismos de liderança são desenvolvidos ou são transformados.
Que olhar de IA vocês trazem relacionado à arte?
Tecnologias anteriores afetaram o trabalho dos distribuidores, enquanto a IA afeta diretamente os criadores, os artistas. Uma das perguntas importantes mira na reflexão sobre até que ponto o que a inteligência artificial faz é uma criação de fato ou uma mera reciclagem. Também temos palcos falando sobre o futuro do trabalho, recrutamento, computação quântica… A ideia é pensarmos juntos sobre o que essas diferentes perspectivas representam na vida cotidiana.
Qual é a coisa mais legal que São Paulo ganha com o evento?
A cidade é reconhecida como um hub de negócios, mas pode ser vista com muito mais multiplicidade de olhares, vozes, propostas – sem perder essa vocação. Além disso, os muitos eventos que acontecem aqui são encapsulados, e a gente quis algo aberto para o paulistano. Percebemos que existia uma lacuna para criar algo que dialogasse mais com a rotina dos habitantes, que é inclusive a razão de escolher o Parque do Ibirapuera como nosso lar. A gente não chama nem de evento. A gente fala que o SP2B é um movimento.
O que que o SP2B tem que só o SP2B tem? Seria o fato de ele ser um movimento?
Isso. A gente inclusive usa esse sobrenome: “SP2B, único como São Paulo”. Ele é um movimento, foi construído em cima de uma construção de comunidades, agregando pessoas, núcleos, muitas conversas, uma construção que já tem quatro anos. A gente entrega para São Paulo um palco para São Paulo apresentar pro mundo o que o Brasil tem de melhor.
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Qual é sua expectativa de público para esta primeira edição?
De que, ao longo dos oito dias, passem pelos nossos espaços mais de 400 mil pessoas. São três tipos de atividades: as para quem é credenciado, as que requerem alguma inscrição prévia, mesmo que gratuita, e as que qualquer pessoa presente no parque poderá acompanhar ali, na hora.
Você acha que o SP2B pode virar o “SXSW brasileiro”, como tem sido chamado?
A gente está apostando muito nisso. É uma grande construção. A primeira edição do SXSW foi em 1986. Tem aí uma trajetória de 40 anos. A gente está no comecinho dessa caminhada, mas acho que alguns dos fundamentos estão presentes ali.
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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda
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