Streets of Rage: o clássico que inovou as “brigas de rua” completa 35 anos

🗓️ 2026-09-05 📁 gaming 📝 ⏱️ 👁️ : -

É uma tarde de domingo no início da década de 1990, um pouco entediante e quente demais para se divertir lá fora, então só existe uma única escolha possível para uma distração no final do dia: sair pelas ruas de uma cidade dominada pelo crime dando socos e chutes em todo mundo que tentar impedir seu caminho.

A premissa é simples e não era exatamente nova para a época. Um grupo de personagens percorriam por ruas atoladas de inimigos, distribuindo golpes, e lutava contra chefes cada vez mais difíceis até culminar em uma grande batalha final. Essa era a receita para o sucesso de qualquer beat ’em up, ou “briga de rua”, como eram chamados aqui no Brasil.

O gênero estava no seu auge no fim da década de 1980 até o início de 1990, com títulos que são lembrados até hoje, como Final Fight, Double Dragon e Golden Axe. Todos eles eram grandes destaques nos fliperamas e, posteriormente, também nos consoles, quando esses jogos eram portados.

Foi aí que a Sega teve sua grande sacada: desenvolver um jogo no estilo mais popular da época diretamente para o Mega Drive. Sem as limitações dos fliperamas, a desenvolvedora conseguiu dar um passo a mais na evolução do gênero. Lançado como Bare Knuckle: Ikari no Tekken em agosto de 1991, no Japão, e como Streets of Rage no Ocidente, o título se tornou logo de cara uma referência no gênero beat ’em up.

Um grande passo para a evolução do gênero

Na década de 1990 o mundo vivenciou uma das batalhas mais acirradas no mundo dos videogames. Conhecida como a Guerra dos Consoles, pela primeira vez a Nintendo se viu pressionada graças ao sucesso do Mega Drive. No Japão o console não chamou tanta atenção, porém devido ao seu design moderno e a proposta de levar o arcade para dentro de casa tornou-se um fenômeno no Ocidente.

Foi nessa época também que a Sega criou o Sonic, seu mascote para enfrentar o já famoso Mario. Contudo, essa não foi a única estratégia que a empresa desenvolveu para tentar derrubar o reinado da Big N. Com o objetivo de diversificar ao máximo os tipos de jogos presentes no Mega Drive, veio a ideia de criar um beat ‘em up urbano para competir com o sucesso de Final Fight, da Capcom.

E é aqui que a evolução desse gênero começa. A maioria dos jogos beat ‘em ups disponíveis nos consoles da época eram apenas ports das suas versões originais lançadas para fliperamas, mas Streets of Rage foi pensado desde o início do seu desenvolvimento como um título para consoles domésticos. Com essa decisão em mente, os desenvolvedores puderam ousar um pouco mais nas mecânicas, músicas e até na narrativa do game.

Nem só de socos viverá o homem

Por não ter o objetivo primário de devorar as fichas em um fliperama, Streets of Rage tomou algumas liberdades que, até aquele momento, seriam impensáveis para um jogo desse tipo. Com três protagonistas, os ex-policiais Adam, Axel e Blaze, o jogo apresenta uma aventura mais longa que a média e com uma gameplay mais consistente e complexa, sem grandes picos de dificuldade desproporcionais, garantindo uma jogatina equilibrada até mesmo para os padrões atuais de gameplay.

O game também se destacava pela introdução de um ataque especial visualmente muito peculiar. O movimento fazia com que um carro de polícia surgisse atingindo todos os inimigos na tela, causando danos altíssimos. Mas seu uso era bastante limitado, forçando os jogadores a tomar decisões estratégicas sobre qual o melhor momento para chamar a ajuda automotiva.

A narrativa era outro ponto de destaque. Em uma época em que os beat ‘em ups possuíam uma história linear e um final fixo, Streets of Rage apresentou uma história com múltiplos finais, apresentando até mesmo um dilema ético.

Ao enfrentar o chefe final, o temível Mr. X, algumas opções são apresentadas aos jogadores. O chefão do crime se diz impressionado com as habilidades de luta dos personagens e faz uma proposta para que se juntem a ele. A partir daí, as escolhas liberam algumas possibilidades, incluindo uma possível luta entre você e o seu parceiro de gameplay.

Por fim, é impossível falar de Streets of Rage sem elogiar a sua trilha sonora inovadora. Comandada pelo genial Yuzo Koshiro, as músicas presentes no jogo se transformaram em referências para os games que vieram logo após. Inspirado no sucesso das danceterias dos Estados Unidos e pela crescente popularização do Techno e House, o compositor tirou o máximo da capacidade do chip de som do Mega Drive.

Koshiro desenvolveu um verdadeiro álbum de música eletrônica que saia diretamente do console. Diferente de outras produções do gênero, em que a música estava ali para compor o cenário, em Streets of Rage, a trilha sonora funcionava quase como mais um personagem na tela, acompanhando os jogadores em cada soco e chute dado contra os inimigos.

O legado segue vivo

Em 2020 a saga finalmente recebeu seu quarto capítulo após 25 anos de espera. Streets of Rage 4 trouxe uma modernização muito bem vinda para o estilo visual urbano característico da série. No entanto, assim como seus antecessores, ele brilha mesmo é na gameplay. No total, são 13 lutadores desbloqueáveis, incluindo versões 16-bits dos protagonistas originais, cada um com seu estilo único de luta, que garante horas e mais horas de diversão com cada um deles.

Além dos videogames, a história dos ex-policiais justiceiros está prestes a embarcar nas telonas. Produzido pela Lionsgate, o filme terá os mesmos roteiristas do primeiro longa live-action do Sonic. Os detalhes da trama ainda estão sendo mantidos em segredo, mas o longa é descrito como uma adaptação fiel ao que a franquia representa, com destaque para a trilha sonora que, assim como nos jogos, terá uma atenção especial no filme.

Mesmo com a promessa de conquistar novos públicos por meio de jogos e filmes, ainda vale a pena experimentar o título original pelo menos uma vez. A trilha sonora e o combate refinado continuam fazendo com que o primeiro título da franquia se mantenha uma ótima opção para te salvar do tédio de uma tarde de domingo.

Revisão: Thomaz Farias