Suspeita de Ébola em barco com mais de 200 pessoas rumo a Kinshasa
O caso suspeito, um passageiro de um barco da província de Tshopo (nordeste), onde foram reportados casos de Ébola, morreu na província de Mongala (norte), segundo o porta-voz do Governo congolês, Patrick Muyaya, citando declarações do ministro da Saúde.
"Foi instalado um laboratório móvel para testar todos os passageiros do barco", e "foi também destacada uma equipa de segurança para isolar a embarcação no rio, a 65 quilómetros de Kinshasa", acrescentou.
Trata-se de um caso suspeito, não de uma infeção confirmada, e "não houve outras mortes neste barco", assegurou o ministro da Saúde da RDCongo, Samuel Roger Kamba.
A RDCongo declarou, com várias semanas de atraso, o seu 17.º surto de Ébola a 15 de maio, que entretanto evoluiu para epidemia, em províncias do leste e nordeste do país.
Um total de 3.973 casos confirmados, incluindo 1.801 mortes, foram reportados pelas autoridades da RDCongo desde o início da epidemia.
A epidemia atual é causada pela variante Bundibugyo, para a qual não existe vacina nem tratamento e que está a afetar regiões onde a presença do Estado é frágil e as infraestruturas de saúde inadequadas.
Nas últimas semanas, os profissionais de saúde têm protestado em vários hospitais de Ituri, exigindo o pagamento ou o aumento dos seus bónus por parte das autoridades.
O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), de visita à RDCongo, declarou na quarta-feira que "é urgente intensificar massivamente todos os nossos esforços", após uma reunião em Kinshasa com organizações envolvidas na resposta à epidemia.
O Ébola, transmitido pelo contacto com fluidos corporais e causador de febre hemorrágica, já matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos.
A epidemia em curso alastrou nos últimos dois meses a cinco províncias da República Democrática do Congo: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé e Tshopo.
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