Suspensão da Guiné-Bissau é um momento doloroso diz embaixador de Portugal junto da CPLP
"Este é um momento doloroso para nós todos, em especial nesta data em que comemoramos os 30 anos, mas a Guiné-Bissau, é preciso sublinhar, é membro de pleno direito, continua a ser membro pleno da CPLP, embora as circunstâncias que todos conhecemos tenham levado a esta suspensão, aliás é também uma autossuspensão", disse António de Almeida Lima.
Falando à Lusa à margem da inauguração da chancelaria da representação portuguesa junto da CPLP, situada na mesma rua do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o representante de Portugal na comunidade salientou que a situação resulta "da aplicação do estatuto, quando há violações da normalidade constitucional, variações ilegítimas da normalidade constitucional".
"Obviamente que isso tem consequências e, aliás, não foi só a CPLP que o fez, também as organizações de que a Guiné-Bissau faz parte, como a CEDEAO e a União Africana, aplicaram as mesmas medidas", acrescentou.
A questão, considerou, é que a CPLP é diferente: "A CPLP é uma organização diferente, na sua estrutura e no seu caráter, das outras organizações regionais, é uma família nos termos em que há aqui uma afetividade e uma pertença a uma memória histórica, sem dúvida, mas também a uma comunidade de língua, de afetos, de conhecimentos".
Portugal, concluiu, está esperançado no regresso da Guiné-Bissau à CPLP: "Exatamente por ser uma família, temos esperança que vai retornar, esperamos nós muito brevemente, assim que se resolverem os problemas político-constitucionais que existem, mas não escondo que estamos todos tristes por não podermos ter os nossos irmãos guineenses nestas comemorações".
A Guiné-Bissau está suspensa da CPLP desde dezembro do ano passado, na sequência do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, quando os militares tomaram o poder, três dias após as eleições e antes de serem divulgados os resultados.
Os militares depuseram o Presidente e recandidato Umaro Sissoco Embaló e detiveram o líder da oposição, Domingos Simões Pereira, que foi colocado em prisão preventiva na passada sexta-feira.
A oposição classifica o golpe militar como uma alegada encenação do antigo Presidente da República, a quem acusa de continuar a comandar os destinos da Guiné-Bissau.
O Alto Comando Militar que governa o país marcou novas eleições para 06 de dezembro, aprovou uma nova Constituição que atribui mais poderes ao chefe de Estado e que será submetida a referendo em 30 de agosto.
Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.