Sydney Sweeney despe-se mas não se curva

🗓️ 2026-09-15 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Ideias Feitas com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo. Obrigado.

E hoje queres ir a uma nova onda de indignação. Temos ondas de indignação quase todos os dias. Desta vez com Sydney Sweeney.

É verdade. Sim, já é a segunda vez com a senhora, eu já chego lá. Primeiro, vou tentar explicar às pessoas muito resumidamente quem é a Sydney Sweeney. É uma atriz e modelo norte-americana, parece que também é produtora, eu li isso. Acho que nunca vi nenhum filme ou série com a senhora. Já vi imagens da senhora. O que é que fez a Sydney Sweeney para ser agora alvo desta polêmica toda? Fez um anúncio para uma empresa de apostas desportivas em que ela encarna uma desportista, uma alegada desportista, e aparece com pouca roupa no anúncio. E as reações a isso foram mais ou menos as comuns quando há reações a esse tipo de coisas. Acusou-se a senhora Sydney Sweeney de objetificar a mulher, a ela e o anúncio, de sexualização da imagem feminina, um exercício de misoginia, etc. Nada disto é particularmente original. Parece que desenterraram hoje o puritanismo feminista dos anos 1960. O que tem alguma originalidade, ou pelo menos tem alguma graça nisso tudo, uma graça meio involuntária, ou bastante involuntária, é a falta de coerência dos críticos de Sydney Sweeney. Por um lado, à cabeça das críticas, parece que estão uma série de atletas senhoras, mulheres desportistas, que estão escandalizadas por um desporto feminino ser representado no tal anúncio através da imagem de uma mulher, que é inequivocamente bonita, acho que não está muito sujeito à discussão. A parte engraçada disto é que nenhuma dessas atletas, eu fui confirmar, se manifestou quando homens biológicos se fizeram passar por mulheres para concorrer contra estas, até em provas olímpicas e muitas outras competições, mas até chegou aos Jogos Olímpicos, e geralmente ganhavam essas provas, o que também não é especialmente surpreendente. Portanto, para algumas das pessoas que criticam a Sydney Sweeney, o desporto feminino está mais bem representado por um homem, e um homem que compete profissionalmente e tudo, e que ganha provas, do que por uma mulher que apenas posou para umas fotografias num anúncio com umas bolas de futebol ou de futebol americano. Por outro lado, a outra coisa que tem alguma graça involuntária nisso tudo, é uma indignação mais genérica, ligada à tal objetificação da mulher, tem a sua graça que os críticos de Sydney Sweeney não fiquem escandalizados, ou pelo menos não manifestem esse escândalo, porque também procurei e não consegui encontrar, perante o uso obrigatório da burca e do hijab em determinadas religiões, que acho que não preciso nomear aqui. Pelos vistos, para essa gente, é mais atentatório da liberdade da mulher aparecer de livre vontade com pouca roupa num anúncio que foi pago, que ela recebeu por isso e certamente bem pago, do que ser forçada por costumes arcaicos a cobrir o corpo inteiro e o próprio rosto, sob pena de castigos não muito agradáveis, ou de certeza, pelo menos mais desagradáveis do que receber um cheque chorudo. Mas se formos a ver, nem vale a pena talvez ir por aí ou por nada disto que eu acabei de dizer, porque a verdade é que há inúmeras publicidades, e hoje em dia continua a haver, com mulheres escassamente vestidas e mulheres bonitas, outras menos bonitas, isso já depende do gosto, mas ninguém liga a essas publicidades, ninguém quer saber, ninguém fala do assunto. Falam dos anúncios e das publicidades que são feitas por Sydney Sweeney, porque há sobre ela uma espécie de fatwa, de perseguição pessoal e que começou há mais ou menos um ano, quando ela fez aquele famoso anúncio, o anúncio que ficou famoso a uma marca de roupa em que se sugeria o trocadilho entre as palavras inglesas jeans e gins. Jeans de jeans e gins de calças de ganga. O anúncio foi imediatamente considerado racista pelos inquisidores de serviço, mas o maior drama nem sequer foi esse. O drama foi o pormenor de Sydney Sweeney não ter obedecido às regras informais que se usam nestas matérias. O normal é ela aparecer depois em público a pedir desculpa, aquelas desculpas da praxe, pelo seu ato irrefletido e dizer que tinha aprendido muito com isto e que nunca mais se voltaria a repetir. Sucede que ela não fez nada disso. Pelo contrário, Sydney Sweeney não mostrou qualquer arrependimento pelo anúncio, que era um anúncio banalíssimo, com talvez um bom trocadilho, podemos considerar assim. Disse que era somente um anúncio, o que de fato era. E o que é pior, foi revelado na altura, a partir da polêmica que isto levantou, que ela era eleitora inscrita no Partido Republicano, o que naturalmente é uma ignomínia imperdoável. E de brinde, na polêmica que isto levantou, ela viu-se defendida por canais ditos conservadores, tipo Fox News, e pelo próprio Donald Trump. Isso, obviamente, hoje em dia, não tem perdão. E é por isso que qualquer coisa que a Sydney Sweeney faça pela vida afora, vai ofender sempre os que têm a ofensa fácil, os que defendem a liberdade, mas só defendem a liberdade a todos os que pensam e agem como eles. Como a Sydney Sweeney pensa e age por sua conta, pelo menos tudo leva a crer que sim, constata-se que ela é que é uma verdadeira feminista. É uma senhora adulta que faz aquilo que muito bem entende. E é o exato oposto das autoproclamadas feministas que berram pela igualdade e, afinal, convivem demasiado bem com a conformidade e até com a submissão.

Obrigado, Alberto. E até amanhã.

Até amanhã. Um abraço, Ricardo.

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