Tailândia reforça o controle de armas após ataque a tiros em uma escola | CNN Brasil
A Tailândia está suspendendo novas autorizações para compra de armas e reforçando o controle sobre armas de fogo após o tiroteio mortal em uma escola na semana passada, no qual um adolescente de 14 anos matou oito pessoas antes de tirar a própria vida.
O primeiro-ministro Anutin Charnvirakul emitiu a determinação na terça-feira (11), ordenando que autoridades governamentais “elevem urgentemente as medidas de controle de armas de fogo em todo o sistema”, segundo um comunicado de seu gabinete.
As medidas incluem a suspensão temporária da emissão de autorizações para compra de armas, uma nova análise de todas as solicitações ainda pendentes e a suspensão de novos programas de “armas de benefício”, que permitem que funcionários públicos elegíveis, incluindo servidores e políticos, comprem armas com desconto.
Os órgãos governamentais também deverão fiscalizar revendedores de armas em todo o país e verificar os registros de vendas; inspecionar a munição em estandes de tiro para garantir o cumprimento das normas; e “intensificar o combate às armas de fogo ilegais, processar rigorosamente os infratores e solicitar ao tribunal as penas máximas”, segundo a determinação.
O comunicado também prevê reformas mais amplas, que levarão mais tempo para serem transformadas em lei, como o aumento das penas para infratores, o endurecimento do controle sobre a munição vendida por revendedores e estandes de tiro e a exigência de renovação mais frequente das licenças de armas.
Leia Mais
Homem que matou autoridade da Tailândia liga para TV ao vivo e confessa ato Aluna de 12 anos morre após ataque a tiros em escola na Tailândia Carro bate em creche na Tailândia e deixa pelo menos 15 crianças feridas
Uma indenização inicial de cerca de US$ 30.166 foi aprovada para seis das vítimas fatais, informou o comunicado.
O ataque em massa voltou a chamar atenção para os altos níveis de posse de armas na Tailândia, tanto licenciadas quanto não licenciadas.
Na última sexta-feira (7), o adolescente de 14 anos matou primeiro os avós na casa onde também morava. Em seguida, abriu fogo em uma escola secundária, matando outras seis pessoas. Depois, tirou a própria vida. Foi o pior ataque a tiros em massa no país desde 2022.
A polícia informou no domingo (9) que, no ano passado, um professor havia confiscado do adolescente uma arma de pressão. Segundo as autoridades, ele também assistia a conteúdos violentos na internet e usava as redes sociais para aprender a manusear uma arma de fogo. Acredita-se que a arma utilizada no ataque pertencesse ao avô.
A Tailândia tem a maior taxa de posse civil de armas de fogo do Sudeste Asiático, com cerca de 15 armas para cada 100 habitantes. A taxa de mortes relacionadas a armas de fogo também é elevada, ficando atrás na região apenas da registrada nas Filipinas.
Países com maiores índices de posse de armas tendem a apresentar taxas proporcionalmente mais altas de mortes por armas de fogo. Diversos estudos relacionam o fácil acesso a armas a um número maior de mortes relacionadas a elas, incluindo suicídios, homicídios e acidentes.
Além de reacender o debate sobre o controle de armas na Tailândia, o tiroteio também colocou em evidência a questão da saúde mental entre estudantes e jovens.
O Ministério da Educação afirmou que desenvolverá novos protocolos de segurança nos próximos meses, incluindo avaliações de saúde mental e um sistema para encaminhar pessoas em situação de risco a especialistas; treinamentos para a execução de planos de resposta a emergências; uma iniciativa para combater o bullying; e medidas para melhorar a detecção e impedir que determinados objetos sejam levados para dentro das escolas.
Em outros países, ataques a tiros em massa frequentemente levaram à adoção de medidas mais rígidas de controle de armas. Sérvia e Nova Zelândia, duas nações com taxas de posse de armas relativamente altas, endureceram suas regras e implementaram programas de anistia para a entrega de armas após massacres chocantes ocorridos nos últimos anos.
Os Estados Unidos continuam sendo uma exceção. O país apresenta alguns dos índices mais altos do mundo de violência armada e ataques a tiros em massa, mas houve pouco avanço no endurecimento das leis, diante da forte atuação de grupos de lobby e das proteções constitucionais relacionadas ao direito de possuir armas.