Taiwan conclui exercícios militares anuais com ênfase em possível invasão chinesa
Os exercícios, realizados desde 1984, visam melhorar a prontidão das tropas contra uma potencial tentativa de invasão por parte de Pequim, que considera Taiwan uma "parte inalienável" do território chinês e não descarta o uso da força para tomar o controlo da ilha.
Durante dez dias e nove noites, os diversos ramos das forças armadas realizaram exercícios variados em coordenação com a Guarda Costeira, as agências governamentais e o setor privado, em consonância com o compromisso do Presidente William Lai Ching-te de envolver todos os sectores da sociedade na defesa do território.
Os soldados simularam, entre outros cenários, o bloqueio de túneis e pontes estratégicas, a repulsão de desembarques anfíbios e a dispersão de linhas de produção de armamento. O próprio Presidente participou numa evacuação de emergência para um posto de comando protegido.
Os cidadãos participaram em exercícios de ataque aéreo que, este ano, incorporaram um abrandamento controlado da rede de dados móveis nas regiões centro e norte, a simular uma interrupção parcial das comunicações num cenário de guerra.
Os exercícios incluíram, na quarta-feira, manobras de contrabloqueio marítimo no leste da ilha, as quais simularam a escolta de um navio que transportava "mantimentos importantes".
Durante o exercício, um navio de desembarque anfíbio da classe Yushan, que assumiu o papel de navio mercante, foi guiado até ao porto por um grupo de embarcações da Marinha e da Guarda Costeira, de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa Nacional de Taiwan.
"A Marinha e a Guarda Costeira continuam a aprofundar a sua cooperação coordenada, desde a resposta a táticas de `zona cinzenta` até missões como o ataque litoral e a escolta de contrabloqueio", indicou o ministério.
Táticas marítimas de "zona cinzenta" em torno de Taiwan referem-se à utilização sistemática, por parte da China, de embarcações não militares e paramilitares - como navios da guarda costeira, milícias marítimas e dragas - para exercer controlo e pressionar Taiwan gradualmente, sem ultrapassar o limiar de um conflito armado convencional.
Num outro comunicado, a Administração da Guarda Costeira (CGA, na sigla em inglês) assinalou que era a primeira vez que ambas as forças cooperavam num exercício deste tipo, o que evidenciou a determinação de Taiwan em "preservar a paz e a estabilidade" no estreito e na região.
O exercício de contrabloqueio coincidiu também com manobras navais conjuntas entre uma fragata chinesa e outra da Indonésia a leste de Taiwan, exercícios inéditos na zona que, segundo Taipé, visavam projetar a "falsa imagem" de que Pequim exerce jurisdição efetiva sobre essas águas.