Tarifaço: diplomacia vê possível recurso à OMC como ‘simbólico’ e para ‘marcar posição’ do Brasil diante dos EUA | G1
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Possibilidade foi citada em nota divulgada pelo Planalto após anúncio do governo Trump. Para diplomatas, organização não tem a mesma força de antes.

Mauro Vieira publica artigo sobre tarifaço dos EUA
Diplomatas disseram, conteúdo, que o recurso à organização teria caráter “simbólico”, isto é, sem efeito prático.
"Mostra que é um recurso à mão. Simbólico, hoje em dia. Para marcar posição”, resumiu um integrante do governo a par da estratégia acerca do tarifaço.

Governo diz que tarifaço é injusto e prepara Lei de Reciprocidade
Entenda o que é a OMC
Criada em 1995 para reduzir barreiras e estabelecer regras claras para o comércio internacional, a OMC busca garantir que países disputem o mercado global em condições justas, oferecendo um espaço para diálogo e solução de conflitos comerciais.
Prédio da OMC em Genebra — Foto: Denis Balibouse/Reuters
Desde 2019, porém, o órgão de apelação do principal mecanismo de resolução de disputas da OMC está paralisado, justamente por conta de Trump, que, ainda no seu primeiro mandato, barrou a nomeação de novos juízes.
Assim, as chances de se chegar a um entendimento sobre as tarifas por meio da OMC são quase nulas.
Entidades são contra reciprocidade
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), por exemplo, divulgou uma nota na qual afirmou que vê a decisão americana com “preocupação”, mas que confia na capacidade da diplomacia brasileira para “construir soluções”.
“A entidade ressalta que não apoia a adoção de medidas de retaliação comercial nem a aplicação da Lei de Reciprocidade como resposta às iniciativas adotadas pelos Estados Unidos”, afirmou a Abimaq.
Especialistas avaliam que, assim como no tarifaço de 2025, existe espaço para o Brasil negociar nesta nova ameaça tarifária dos EUA — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
“O momento exige a retomada do diálogo e o fortalecimento dos canais diplomáticos e institucionais entre Brasil e Estados Unidos, de modo a evitar a escalada de medida que possam agravar o ambiente”, completou a entidade.
Na mesma linha, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) divulgou um comunicado afirmando que a decisão dos EUA “agrava” as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, mas que não concorda com a reciprocidade.
“A AmCham Brasil reitera que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros”, afirmou a entidade.