Taxas euribor no crédito habitação: o que esperar
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Boa moeda, má moeda da Rádio Observador. Connosco já está a Judite França. Olá, Judite, bom dia.
Bom dia. Bom dia.
Foi em coro os dois, que bonito.
Nós temos combinado isso.
Judite, hoje começamos por uma má moeda.
Começamos, sim. Vamos falar do fato de as empresas portuguesas continuarem a sentir o peso da conjuntura económica. Um novo relatório da Allianz Trade, analisado pelo Dinheiro Vivo, mostra que entre janeiro e julho deste ano, o número de insolvências subiu 3,4% face a igual período do ano passado. Mais de 1300 processos abertos. Mas atenção, os números escondem uma realidade muito irregular. Houve meses de forte travagem, como fevereiro, com uma queda superior a 16%, e meses em que os números dispararam, como março e abril, com subidas acima dos 20%. Ou seja, não estamos perante uma deterioração constante, mas sim perante avanços e recuos que dependem muito do setor, da região e do tamanho de cada empresa. E é precisamente aí que a fotografia se torna mais interessante. Os serviços e a construção lideram as dificuldades. Juntos, respondem por quase metade de todas as insolvências este ano. Já noutros setores, como o retalho, o agroalimentar ou os têxteis, a tendência foi inversa, com quebra de dois dígitos no número de processos. No mapa do país também há contrastes. Lisboa é a região onde as insolvências mais cresceram, mais de 20% num ano. O Porto continua a ser a região com mais casos em números absolutos, mas, ao contrário de Lisboa, está a melhorar, com uma descida superior a 12%. Braga mantém-se praticamente inalterada e os distritos como Castelo Branco, Coimbra ou Santarém registam mesmo reduções assinaláveis. Mas há, Judite, um perfil mais comum entre estas empresas que fecham portas? Primeiro, são sobretudo as microempresas que continuam a pesar mais nestas estatísticas, representando dois terços do total. Segundo, o maior crescimento nas insolvências não está nas empresas mais jovens, nem nas mais antigas, mas sim naquelas com dois a cinco anos de vida. Ou seja, negócios que já ultrapassaram o arranque, mas que ainda não ganharam músculo financeiro suficiente para resistir a choques mais prolongados.
E agora passamos à outra má moeda, que hoje não há boas notícias para dar. Mas vamos falar de um tema que preocupa muito as famílias portuguesas, não é, Cristina?
Vamos falar das prestações do crédito à habitação e, de facto, as notícias não são famosas. A Euribor, que já sabemos, é a taxa que define grande parte das prestações da casa em Portugal, voltou a fechar em agosto com o valor mensal mais alto do ano. Mais alto do ano. Mas eu tinha a ideia, Judite, que a Euribor andava mais calma ultimamente, com subidas e descidas pequenas, dia sim, dia não. Anda, de facto. As variações diárias são mínimas, décimas de ponto pra cima, décimas pra baixo. O problema não está no dia a dia, está na tendência de fundo. Se olharmos pra média do mês inteiro, que é o valor que efetivamente conta pra quem tem crédito com taxa variável, agosto fecha claramente acima de julho. E mais importante ainda, muito acima do que se pagava há um ano.
Então, mas isto quer dizer que mesmo com dias de descida, no final do mês a conta não compensa?
Exatamente. É um pouco como andar de bicicleta contra o vento. Às vezes trava-se um bocadinho, mas continua-se, no geral, a pedalar contra a corrente. E essa corrente já dura há mais de um ano. Desde meados do ano passado que a tendência tem sido de subida.
Mas por que isso está a acontecer, Judite? Não tínhamos ficado com aquela ideia de que os juros na zona euro estavam a descer.
Estavam, durante bastante tempo, é verdade, mas o Banco Central Europeu travou esse ciclo em junho, com a primeira subida de juros desde 2023. E agora o mercado já admite uma nova subida na próxima reunião, marcada pra setembro. Pra quem tem o crédito indexado à Euribor a três meses, que é a que reage mais depressa, a diferença já se sente na próxima revisão. Quem tem contratos a seis ou 12 meses vai notar com mais atraso, mas a direção é a mesma. E há aqui algum impacto concreto no bolso das famílias ou, Judite, estamos a falar apenas de valores residuais? Não são residuais. De facto, estamos a falar de dezenas de euros a mais por mês numa hipoteca média, o que ao longo de um ano inteiro pode facilmente ultrapassar os 800 €. Pra muitas famílias, isso é uma viagem, é um trimestre de eletricidade e é uma almofada financeira que desaparece.
Perfeitamente.
Portanto, o conselho pra quem tem crédito à habitação é estar atento à data de revisão do seu contrato e, já agora, questionar o banco sobre alternativas, nomeadamente a passagem para a taxa fixa, se isso fizer sentido para o perfil daquela família. Claro.
E assim se passou uma semana com o Boa Moeda, Má Moeda, Judite França. Obrigada, Judite. Bom final de semana. Obrigada.
Obrigada.