“Temos de tornar o transporte público tão conveniente quanto possível”. As recomendações europeias - 24 Notícias

🗓️ 2026-08-17 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Ajudar as câmaras municipais a promover deslocações mais sustentáveis e apoiar startups são as principais missões da secção de mobilidade urbana do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia. O líder do EIT Urban Mobility para o sul da Europa visitou Portugal em meados de maio e falou ao 24notícias sobre a necessidade de facilitar o uso do transporte público e de apostar mais vezes em vários modos de deslocação para diminuir o tempo de viagem.

“Precisamos de tornar o transporte público tão conveniente quanto possível. Isso significa facilitar a multimodalidade e a intermodalidade”, sinalizou Martí Massot. Para o responsável, o transporte público “é fundamental para deslocações em massa”. No entanto, para o primeiro ou último quilómetro da nossa deslocação casa-trabalho, “é capaz de ser necessário usar a bicicleta ou um outro veículo partilhado”. Para que exista conveniência no transporte público, “tempo e custos têm de ser considerados”.

O responsável aponta mesmo o transporte público como o “esqueleto” do sistema de mobilidade no continente europeu. “É o único meio de transporte de massas para passageiros”, daí que promover a inovação “seja um objetivo claro” para o EIT. O instituto tem notado que os municípios portugueses têm desenvolvido os planos de mobilidade urbana sustentável (PMUS), ou seja, a estratégia para melhorar o transporte de pessoas e de bens sem comprometer as metas ambientais.

“A mobilidade é um tema complexo, que envolve cidadãos e vários intervenientes. É muito bom haver um documento deste género, com uma estrutura base, em vez de medidas pontuais”, destaca.

Projetos em Portugal

Martí Massot lidera o departamento sul do EIT Urban Mobility, com escritório em Barcelona. Além de Portugal e Espanha, o responsável observa mercados como França, Grécia, Albânia e Macedónia do Norte. “Portugal é bastante inovador”, caracteriza, quando questionado sobre o que distingue o mercado nacional. “Estamos num dos maiores produtores de bicicletas e lidamos com cidades que procuram soluções para a logística”, lembra. O aumento exponencial das entregas e o estacionamento em segunda fila são preocupações para o trânsito das cidades.

Por isso, o EIT desenvolveu um projeto em Braga ligado às entregas. O “LogHubs” é uma “plataforma digital com dados em tempo real que usa a inteligência artificial para otimizar a localização e operação dos centros logísticos urbanos”. O responsável recorda que os dados “são muito importantes para apoiar processos de decisão baseados em evidência”, que permitem melhorar os locais dos hubs logísticos.

Um outro projeto envolve os elétricos da Carris e pretende aumentar a segurança destes veículos. O projeto “Arise”, que decorreu em 2025, permitiu a instalação de um sistema avançado de apoio à condução nestes veículos. A partir da inteligência artificial, foi possível melhorar a tomada de decisão e diminuir os atrasos. Além de Lisboa, o sistema também foi testado nas cidades de Barcelona, Saragoça e Antuérpia.

Nota ainda para uma iniciativa que decorreu em Vila Nova de Gaia no final de 2024 para promover o uso da bicicleta e a caminhada. Através do projeto “Marked”, a câmara trabalhou com uma empresa tecnológica para mostrar os percursos mais seguros na cidade. Isto foi um ano antes de a câmara ter decidido remover a ciclovia da Avenida da República, uma das artérias mais utilizadas na cidade.

Noutra frente, o EIT Urban Mobility apoia financeiramente várias startups. Três delas foram fundadas em Portugal e estão focadas nas áreas da logística urbana, prevenção de acidentes rodoviários e plataformas para acelerar a aposta em carros elétricos. Além da entrada no capital das startups – sobretudo nas primeiras rondas de investimento – o instituto também procura novos parceiros, sejam privados ou entidades públicas.

Olhando para um país com “potencial tremendo na mobilidade urbana”, o instituto europeu  tem vontade de “aumentar o impacto” em Portugal e impulsionar o ecossistema de transportes coletivos para uma trajetória mais sustentável.

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