Terras raras: Minas se coloca na corrida pelo “novo ouro” da mineração

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Minas Gerais

Feira em Belo Horizonte reúne mais de 750 estandes e transforma minerais críticos, inovação e atração de investimentos em temas centrais

26/08/2026 21:15

Daniel Galera/Metrópoles
EXPOSIBRAM 2026

Belo Horizonte – A capital mineira se transforma em um dos principais pontos de encontro da mineração mundial. A Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (Exposibram 2026), realizada no Expominas, reúne empresas, investidores, pesquisadores, autoridades e profissionais do setor para discutir tecnologia, sustentabilidade, novos negócios e os caminhos da mineração diante da transição energética.

Em sua maior edição, a feira ocupa mais de 17 mil metros quadrados, reúne mais de 750 estandes e tem expectativa de receber mais de 80 mil visitantes até quinta-feira (27/8). Organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o evento também marca os 50 anos da entidade.

Entre máquinas de grande porte, equipamentos, softwares, soluções de automação e tecnologias voltadas à redução de emissões, um assunto ganhou espaço estratégico: os minerais críticos, especialmente as terras raras. O tema aparece tanto na programação técnica quanto nas discussões sobre investimentos e na presença de empresas interessadas em projetos brasileiros.

Confira a programação da EXPOSIBRAM 2026.

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Minas no centro de um novo ciclo mineral

As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos utilizados em produtos e tecnologias considerados estratégicos para a economia contemporânea.

Ímãs permanentes de alto desempenho, motores elétricos, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e diversas aplicações de alta tecnologia dependem de elementos desse grupo.

O interesse econômico está relacionado não apenas à existência das reservas, mas à capacidade de transformar o minério em produtos de maior valor agregado. É justamente nesse ponto que o Brasil enfrenta um dos seus principais desafios: o país possui recursos expressivos, mas ainda tem participação pequena na produção mundial e, principalmente, nas etapas de processamento e transformação.

Segundo o Sumário Mineral Brasileiro 2025, da Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil possuía, em 2024, cerca de 11,4 milhões de toneladas de reservas de terras raras contidas, equivalentes a 13,9% das reservas mundiais. O país aparecia atrás apenas da China, que concentrava 44 milhões de toneladas.

Já um novo estudo mostra que as reservas nacionais cresceram após uma revisão feita em 2025 pelo U.S. Mineral Commodity Summaries. China, com 49%, e Brasil, com 23%, lideram com folga, bem à frente da Índia, em terceiro, com 7,7%. Oito países respondem por 98% das reservas de elementos de terras raras (ETR).

Os depósitos brasileiros

No território nacional, depósitos estão associados a diferentes formações geológicas. Entre as áreas citadas pela ANM estão Araxá, Poços de Caldas e Tapira, em Minas Gerais; Catalão e Minaçu, em Goiás; além de ocorrências em São Paulo, Amazonas, Rio de Janeiro e outros estados.

Apesar do potencial, a produção brasileira ainda é pequena. Em 2024, a produção beneficiada de concentrado de terras raras passou a contar com o início das operações da Serra Verde, em Minaçu (GO), enquanto Minas Gerais permanece como uma das áreas mais importantes na fronteira de pesquisa, desenvolvimento e futuros projetos.

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A feira apresenta carregadeiras híbridas, equipamentos de grande porte, soluções digitais, tecnologias de economia circular, biocombustíveis e ferramentas de realidade aumentada

Segundo o Sumário Mineral Brasileiro 2025, da Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil possuía, em 2024, cerca de 11,4 milhões de toneladas de reservas de terras raras contidas

A discussão sobre terras raras na Exposibram ocorre em um momento em que governos e empresas buscam reduzir a dependência de cadeias concentradas em poucos países

O desafio de agregar valor ao minério também aparece nas negociações envolvendo empresas estrangeiras e companhias brasileiras

 A proposta é aproximar capital estrangeiro de empreendimentos que envolvam não apenas exploração, mas também transformação mineral e agregação de valor

Entre máquinas de grande porte, equipamentos, softwares, soluções de automação e tecnologias voltadas à redução de emissões, um assunto ganhou espaço estratégico: os minerais críticos, especialmente as terras raras

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Entre máquinas de grande porte, equipamentos, softwares, soluções de automação e tecnologias voltadas à redução de emissões, um assunto ganhou espaço estratégico: os minerais críticos, especialmente as terras raras

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A feira apresenta carregadeiras híbridas, equipamentos de grande porte, soluções digitais, tecnologias de economia circular, biocombustíveis e ferramentas de realidade aumentada

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A feira apresenta carregadeiras híbridas, equipamentos de grande porte, soluções digitais, tecnologias de economia circular, biocombustíveis e ferramentas de realidade aumentada

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Segundo o Sumário Mineral Brasileiro 2025, da Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil possuía, em 2024, cerca de 11,4 milhões de toneladas de reservas de terras raras contidas

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Segundo o Sumário Mineral Brasileiro 2025, da Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil possuía, em 2024, cerca de 11,4 milhões de toneladas de reservas de terras raras contidas

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A discussão sobre terras raras na Exposibram ocorre em um momento em que governos e empresas buscam reduzir a dependência de cadeias concentradas em poucos países

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A discussão sobre terras raras na Exposibram ocorre em um momento em que governos e empresas buscam reduzir a dependência de cadeias concentradas em poucos países

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O desafio de agregar valor ao minério também aparece nas negociações envolvendo empresas estrangeiras e companhias brasileiras

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O desafio de agregar valor ao minério também aparece nas negociações envolvendo empresas estrangeiras e companhias brasileiras

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 A proposta é aproximar capital estrangeiro de empreendimentos que envolvam não apenas exploração, mas também transformação mineral e agregação de valor

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A proposta é aproximar capital estrangeiro de empreendimentos que envolvam não apenas exploração, mas também transformação mineral e agregação de valor

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Feira em Belo Horizonte reúne mais de 750 estandes

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Feira em Belo Horizonte reúne mais de 750 estandes

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Em sua maior edição, a feira ocupa mais de 17 mil metros quadrados, reúne mais de 750 estandes e tem expectativa de receber mais de 80 mil visitantes

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Em sua maior edição, a feira ocupa mais de 17 mil metros quadrados, reúne mais de 750 estandes e tem expectativa de receber mais de 80 mil visitantes

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O interesse econômico está relacionado não apenas à existência das reservas, mas à capacidade de transformar o minério em produtos de maior valor agregado

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O interesse econômico está relacionado não apenas à existência das reservas, mas à capacidade de transformar o minério em produtos de maior valor agregado

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A diversidade de tecnologias expostas ajuda a explicar o momento vivido pela mineração

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A diversidade de tecnologias expostas ajuda a explicar o momento vivido pela mineração

Daniel Galera/Metrópoles

Poços de Caldas e Caldas atraem investimentos

É no Sul de Minas que parte importante dessa nova corrida mineral vem ganhando forma.

A região de Poços de Caldas abriga o projeto Colossus, da australiana Viridis Mining and Minerals, enquanto o Projeto Caldeira, da também australiana Meteoric Resources, está concentrado em áreas de Caldas. O governo mineiro vem acompanhando os empreendimentos por meio da Invest Minas e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico.

Em 2026, a Power Minerals Brasil também assumiu o projeto Morro de Ferro, em Poços de Caldas, ampliando o movimento de empresas estrangeiras em torno dos minerais críticos no Sul do Estado.

O momento é acompanhado de perto pelo governo mineiro. Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa, Minas vive a possibilidade de entrar em um novo ciclo de sua história mineral.

“A gente sai do ciclo do ouro, sai do ciclo do ferro, minério de ferro, e entra agora nesse novo ciclo que vai envolver os minerais críticos, elementos das terras raras.”

secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa
Minas vive a possibilidade de entrar em um novo ciclo de sua história mineral

Segundo a secretária, a importância das terras raras ultrapassa a questão econômica e está ligada à geopolítica, à transição energética e à disputa internacional por tecnologias.

Mila destaca que o diferencial da China não está somente na quantidade de recursos minerais disponíveis, mas também no conhecimento acumulado para explorá-los, processá-los e transformá-los em produtos.

“Esse é o desafio do Brasil e esse é o desafio também de Minas Gerais: investir em inovação.”

A secretária cita como referência a experiência da parceria entre a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) no desenvolvimento da cadeia do Nióbio. Para ela, o caminho das terras raras precisa seguir uma lógica semelhante: não apenas retirar o recurso do subsolo, mas desenvolver conhecimento, beneficiamento e tecnologia no próprio território.

CBMM planta de mineração
A fabricação do Nióbio envolve mais de 15 etapas de beneficiamento e industrialização, todas desenvolvidas pela CBMM

Da mineração à tecnologia

A discussão sobre terras raras na Exposibram ocorre em um momento em que governos e empresas buscam reduzir a dependência de cadeias concentradas em poucos países.

O próprio congresso do evento coloca minerais críticos, transição energética, competitividade e geopolítica entre os principais temas desta edição. A programação também inclui discussões específicas sobre terras raras e novas tecnologias de exploração.

No Investor Day realizado pela ApexBrasil e pelo Ibram durante a feira, investidores internacionais conheceram projetos brasileiros relacionados ao lítio, terras raras, cobre e níquel. A proposta é aproximar capital estrangeiro de empreendimentos que envolvam não apenas exploração, mas também transformação mineral e agregação de valor.

Essa mudança de perspectiva é considerada essencial para Minas Gerais. A preocupação é evitar que o Estado se limite a fornecer matéria-prima para que outras nações realizem as etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva.

Para Milena Pedrosa, presidente do Invest Minas, o trabalho de atração de investimentos precisa justamente levar esse fator em consideração.

“A gente não atrai investimento por atrair investimento. A gente atrai investimento qualificado justamente pensando num território.”

Segundo ela, a estratégia envolve buscar empresas capazes de fortalecer a cadeia produtiva existente em Minas e criar efeitos indiretos sobre fornecedores, capacitação profissional e geração de empregos.

A disputa pelo valor agregado

O desafio de agregar valor ao minério também aparece nas negociações envolvendo empresas estrangeiras e companhias brasileiras.

Durante a Exposibram, uma parceria entre uma empresa australiana e uma empresa de Uberlândia foi apresentada com a perspectiva de avançar no processamento de terras raras em Minas Gerais. Para a Invest Minas, esse tipo de associação é importante porque aproxima capital, conhecimento tecnológico e capacidade produtiva.

Milena Pedrosa conversando com representante da Saint George
Para Milena Pedrosa, o trabalho de atração de investimentos precisa justamente levar esse fator em consideração

Milena afirma que a intenção é ampliar o chamado midstream e downstream da cadeia mineral — etapas que envolvem processamento, transformação e fabricação de produtos a partir do minério.

“Quando você traz um investimento desse, ele não para naquele investimento, é toda uma cadeia.”

A expectativa é que novos empreendimentos possam movimentar fornecedores locais, estimular formação de mão de obra e criar oportunidades para empresas mineiras.

Meio ambiente entra na equação

O avanço dos projetos de terras raras também coloca uma questão inevitável: como explorar os recursos sem repetir problemas ambientais que marcaram a história recente da mineração em Minas Gerais.

Mila Corrêa afirma que o licenciamento ambiental dos empreendimentos é conduzido pela estrutura ambiental do Estado, com análise específica para cada tipo de exploração.

A secretária ressalta que, após as tragédias de Mariana e Brumadinho, Minas Gerais adotou procedimentos mais rigorosos para o licenciamento e para a proteção do território.

“Depois de Brumadinho, a legislação mineira se tornou uma legislação muito mais dura, muito mais conservadora e com muita propriedade em razão do que aconteceu […] uma forma de proteger o território”, explica.

A questão é particularmente relevante porque diferentes projetos de terras raras utilizam diferentes métodos de exploração. No caso das chamadas argilas iônicas, que aparecem em projetos do Sul de Minas, a tecnologia de extração é diferente daquela empregada em grandes operações tradicionais de minério de ferro.

Por isso, o potencial econômico não elimina a necessidade de avaliação ambiental, estudos técnicos e acompanhamento dos impactos de cada empreendimento.

Exposibram mostra o futuro da mineração

A corrida pelas terras raras é apenas uma das faces da Exposibram 2026. A feira apresenta carregadeiras híbridas, equipamentos de grande porte, soluções digitais, tecnologias de economia circular, biocombustíveis e ferramentas de realidade aumentada.

O espaço Mineramundo, por exemplo, deve receber mais de 12 mil estudantes e apresenta uma sandbox com realidade aumentada capaz de projetar relevos, cursos d’água e mapas de elevação em tempo real.

A diversidade de tecnologias expostas ajuda a explicar o momento vivido pela mineração: a atividade deixou de ser discutida apenas a partir da quantidade de minério extraído e passou a envolver energia, inteligência artificial, descarbonização, processamento, segurança, inovação e geopolítica.

planta de produção de ânodo de nióbio
Planta de produção de ânodo de nióbio inaugurada em 2024 com foco em soluções para o armazenamento de energia em baterias

É nesse cenário que as terras raras ganham protagonismo em Minas Gerais. O Estado possui depósitos conhecidos, tradição mineral, infraestrutura, universidades, centros de pesquisa e uma cadeia empresarial capaz de participar de um novo ciclo.

Mas, como alertam os representantes do governo mineiro, o verdadeiro desafio está em transformar o potencial geológico em desenvolvimento tecnológico e econômico.

A corrida, portanto, não é apenas para descobrir onde estão as terras raras. É para decidir quem terá conhecimento, tecnologia e capacidade industrial para transformar esses minerais em produtos estratégicos.

E, em Minas Gerais, essa disputa já começou.