Testei o MINI JCW Elétrico que prefere ficar na cidade
A eletrificação chegou ao MINI John Cooper Works. Conduzimos o primeiro JCW elétrico para perceber se a diversão continua intacta.
MINI John Cooper Works Elétrico
7.5/10
O MINI JCW Elétrico não é barato, mas é muito divertido. Até nas suas falhas.
Prós
- Estilo
- Direção direta
- Performance
- Comportamento
Contras
- Posição de condução alta
- Entrega de binário brusca
- Suspensão em piso irregular
Há poucos nomes que carreguem tanta responsabilidade como John Cooper Works (JCW). Ao longo de várias décadas, estas três letras tornaram-se sinónimo de diversão na gama MINI.
A receita nunca foi complicada. Mais do que potência absoluta, os MINI JCW sempre se distinguiram pela direção direta, pelo baixo peso, pela agilidade e pela capacidade de transformar qualquer estrada secundária numa experiência memorável. Aliás, esqueçam as estradas secundárias. Qualquer deslocação, sobretudo em cidade.
Porém, a eletrificação obrigou a MINI a reescrever essa fórmula. O novo John Cooper Works Electric é por isso o primeiro JCW a abdicar de um motor de combustão. Entrou em cena um motor elétrico. Foi precisamente para perceber se este primeiro JCW elétrico continua a honrar esse legado que passei os últimos dias ao seu volante. Eu sei, há trabalhos piores…

À vontade no quotidiano e nas curvas
O primeiro compromisso imposto pela eletrificação revela-se na posição de condução. A bateria instalada sob o piso obriga a viajar ligeiramente mais alto do que seria desejável num pequeno desportivo e, consoante a posição do volante, o head-up display pode ficar parcialmente oculto. Um detalhe de que rapidamente nos esquecemos quando começamos a conduzir o JCW.
Os primeiros quilómetros deste ensaio decorreram em cidade, onde os MINI sempre se sentiram em casa. O JCW não é exceção. As dimensões compactas, a excelente visibilidade, a resposta imediata do motor elétrico e uma direção rápida, precisa e comunicativa — uma das melhores do segmento — fazem dele um excelente companheiro para o trânsito do dia a dia.
Mas é nas estradas secundárias que este JCW revela verdadeiramente a sua personalidade. A direção continua a ser uma referência, a frente aponta às curvas com enorme precisão e o baixo centro de gravidade ajuda a disfarçar os cerca de 300 kg adicionais da eletrificação.

O reverso da medalha surge quando o asfalto perde qualidade. A suspensão, claramente afinada para privilegiar a eficácia, acusa os pisos mais degradados. Não há almoços grátis.
A isto junta-se uma certa dificuldade do eixo dianteiro lidar com os 350 Nm de binário entregues instantaneamente. Não sei se é suficiente para lhe atribuir o adjetivo de “falha”, mas até achei piada à gestão que temos de fazer da entrega de tanto binário. Torna as coisas mais… intensas.
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Basta dosear o acelerador para recuperar o equilíbrio do conjunto. E é precisamente nessa procura pelo ritmo certo que percebemos uma das maiores virtudes deste JCW: independentemente da eletrificação continua a ser um automóvel rápido, comunicativo e genuinamente divertido. É fácil de conduzir depressa.
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Calma, mais devagar…
Um JCW não tem de ser apenas um brinquedo de fim de semana e a boa notícia é que, numa utilização mais descontraída, continua a revelar a versatilidade que nos fez apaixonar pelos pocket rocket e hot hatch.
Em cidade, o modo Green transforma-lhe o carácter sem lhe retirar capacidade de resposta. Foi precisamente nesse modo que cumpriu o papel de automóvel mais racional no dia a dia, registando um consumo médio de 14 kWh/100 km, abaixo dos 15,4 kWh/100 km anunciados pela marca. Nestas condições consegui melhor do que aquilo que a marca anuncia (podem confirmar os valores na ficha técnica no final do artigo).
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Quando o ritmo aumenta, o consumo aproxima-se naturalmente dos 20 kWh/100 km. Resultado? Contem com cerca de 300 km de autonomia real. Não é um automóvel pensado para longas viagens, mas também nunca foi essa a missão de um MINI JCW. Se era isso que tinham em mente, vão bater na porta ao lado.
Pequeno como o nome indica
O habitáculo convence pelo estilo. Há personalidade em praticamente todos os detalhes, desde o revestimento têxtil do tabliê aos comandos físicos inspirados nos modelos clássicos da marca. O ambiente consegue ser moderno sem perder identidade e a qualidade de construção continua a justificar o posicionamento premium da MINI.
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Menos conseguida é a ergonomia. A navegação pelos menus exige alguma habituação e determinadas funções continuam demasiado dependentes do ecrã. Felizmente, o sistema é rápido e inclui, de série, Apple CarPlay e Android Auto.
Quanto ao espaço, não há surpresas. À frente viaja-se confortavelmente, mas atrás o espaço continua reservado para crianças ou trajetos ocasionais. A bagageira, com 210 litros, confirma aquilo que o MINI sempre foi: um automóvel pensado para uma ou duas pessoas.
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Encontro de «irmãos»
Curiosamente, alguns dos maiores rivais deste JCW podem estar dentro da própria gama MINI. As versões mais potentes do Cooper Electric oferecem um ambiente praticamente idêntico, um visual muito semelhante e um nível de conforto superior, tudo isto por menos alguns milhares de euros.
Para quem procura prestações, a comparação com o JCW equipado com motor de combustão é inevitável. O elétrico leva vantagem com 258 cv, 350 Nm e uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,9 segundos, superando os 231 cv e os 6,1 segundos da versão térmica.

Também no preço leva a melhor: custa 45 630 euros, menos do que os 47 980 euros pedidos pelo JCW a gasolina, beneficiando ainda de custos de utilização significativamente inferiores. E se comprarem o vosso MINI através de empresa, podem abater o IVA na totalidade.
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Qual é que levava para casa? Acho que a resposta dependerá sobretudo da forma de aquisição. Se comprarem este MINI por empresa, acho que a questão do preço responde a quase tudo. Continua a ser carote, mas os MINI nunca foram baratos.
Fora da família MINI, o Alpine A290 ou o Alfa Romeo Junior Veloce assumem-se como os rivais mais diretos. Uma escaramuça à qual se vai juntar brevemente o Volkswagen ID. Polo GTI e o Peugeot e-208 GTI. Que comecem os jogos!

Regressando ao «meu» MINI John Cooper Works Electric, consegue algo que parecia difícil: faz do facto de ser elétrico um pormenor. Continua a ser um automóvel cheio de personalidade, rápido, comunicativo e genuinamente divertido de conduzir.
É verdade que a suspensão poderia ser mais complacente e que o eixo dianteiro acusa, por vezes, os 350 Nm que lhe chegam às rodas. Mas essas limitações não afetam o que realmente importa: o ADN John Cooper Works continua presente e a eletrificação não comprometeu a diversão, tornou-se apenas numa nova forma de a entregar.
Só é pena o preço ser tão elevado. Mas depois olhamos para a concorrência e as notícias não são muito melhores. Quanto à autonomia, esqueçam as picardias em autoestrada. Nessas condições a autonomia reduz drasticamente. Mais uma vez… fiquem-se pela cidade. O MINI JCW agradece e a vossa diversão também.
Veredito
MINI John Cooper Works Elétrico
7.5/10
O primeiro MINI John Cooper Works elétrico prova que a diversão ao volante não depende do tipo de motorização. A suspensão podia ser mais equilibrada e o eixo dianteiro podia gerir melhor os 350 Nm de binário, mas a essência dos JCW permanece intacta. Cheio de personalidade, continua a ser um dos elétricos mais divertidos que se podem comprar atualmente.
Prós
- Estilo
- Direção direta
- Performance
- Comportamento
Contras
- Posição de condução alta
- Entrega de binário brusca
- Suspensão em piso irregular
Versão base:45.630€
Classificação Euro NCAP:
5/5
48.620€
Preço unidade ensaiada
- Arquitectura:Motor elétrico síncrono
- Posição:Dianteiro transversal
- Carregamento: Bateria de 49,2 kWh
- Potência: 190 kW (258 CV)
- Binário: 350 Nm
- Tracção: Dianteira
- Caixa de velocidades: Relação única
- Comprimento: 3858 mm
- Largura: 1756 mm
- Altura: 1460 mm
- Distância entre os eixos: 2526 mm
- Bagageira: 210 l
- Jantes / Pneus: 225/40 R18
- Peso: 1730 kg
- Média de consumo: 15,4 kWg/100 km
- Emissões CO2: 0 g/km
- Velocidade máxima: 200 km/h
- Aceleração máxima: >5,9s
- Pintura Nanuq White Metalizado
- Jantes de 18” “John Cooper Works Mastery Spoke” em preto com pneus desportivos
- Tejadilho em preto
- Faixas desportivas em preto
- Forro do teto em antracite
- Luzes LED com conteúdos expandidos
- Parking Assistant Plus
- Base de Carregamento sem fios
- Sistema ISOFIX para cadeira infantil
- Assistente das luzes de máximos
- Bancos desportivos John Cooper Works; Bancos dianteiros aquecidos
- Head-Up Display
- Espelho retrovisor interior com função automática antiencandeamento
- Cabo de carregamento (mode 3) de rua
- Sistema de Navegação MINI com Realidade Aumentada
- MINI Driving Assistant
- Active Guard
- Monitorização da pressão dos pneus
- MINI Experience Modes
- Alarme antirroubo
- Volante John Cooper Works aquecido
- Sistema de som Surround Harman/Kardon
- Sistema Comfort Access
Tem:
Pacote XL (inclui: Parking Assistant Plus
Câmara interior
Vidros com proteção solar
Ajuste elétrico dos bancos da frente, com memória para o condutor
Driving Assistant Plus
Sistema de Navegação MINI com Realidade Aumentada
Banco do condutor ativo
Teto panorâmico) — 3290 euros