Thiago Braz volta ao Engenhão e salta pela primeira vez no estádio | Ge
- Voltar aqui é acessar grandes memórias. Lembro onde meu treinador e minha família estavam, é como pegar uma máquina do tempo. Estou enxergando o salto com vara, lembro de quando passei a barra por cima, minha esposa estava chorando na arquibancada, minha avó comemorando. O francês, o mais arrogante de todos, sendo derrotado. E meus avós, que não tinham nenhuma esperança no esporte, vendo que o esporte transforma. Eu era o herói brasileiro, o vilão era o francês.
Thiago Braz volta ao Engenhão dez anos após as Olimpíadas do Rio — Foto: Marcelo Barone
O francês em questão foi o medalhista de prata e então recordista mundial, Renaud Lavillenie. Em dado momento da disputa com Thiago Braz, o saltador europeu sentiu a pressão da torcida que apoiava o anfitrião e o vaiava.
- A gente foi caridoso com ele até. Eu fui crescendo na prova a partir dos 5,80m, a torcida começou a virar, viu que tinha o brasileiro. O francês pirou o cabeção, perdeu a concentração, ele não estava entendendo direito o que estava acontecendo: "Estavam torcendo para mim e agora estão torcendo contra". Ele se colocou numa condição de vitimismo. Se tivesse se concentrado 100%, ele teria passado de 6,03m - declarou o atleta, que viria a conquistar a medalha de bronze em Tóquio 2020.

É ouro! Thiago Braz quebra recorde olímpico e vence o favorito na Rio 2016
Thiago Braz conseguiu o improvável: saltou pela primeira vez acima de seis metros justamente no momento mais importante da sua vida esportiva.
- Passar de seis metros é uma coisa de lenda. É a barreira do impossível na cabeça de todo mundo. Psicologicamente é uma barreira a ser quebrada. Foi um dia inacreditável, não imaginaria viver aquilo. Realizei o sonho olímpico de correr com a bandeira do Brasil.

Lavillenie chora durante o hino brasileiro depois de ser vaiado
Revivendo o salto
Thiago Braz só não repetiu a altura do sarrafo. Entretanto, aqueceu, calçou a sapatilha de treinos, trouxe a vara que está habituado a saltar e recebeu orientações de seu treinador atual, Marlon Borges. Após algumas tentativas, executou com perfeição o movimento, caindo no colchão utilizado na Rio 2016.
- A sensação é a mesma, ainda estou sendo campeão. Parece que sonhei com esse momento (risos). Estava ansioso para saltar nessa pista, é muito especial.
Thiago Braz festeja a vitória no Engenhão, em agosto de 2016 — Foto: Reuters
Dono de duas medalhas olímpicas, Thiago Braz sonha com a terceira em Los Angeles 2028 para, no ano seguinte, fechar sua trajetória aos 34 anos de idade.
- Esse ano estou me mantendo em treinamento, em movimento. Em 2027, vou saltar perto dos 5,80m para ficar próximo da alta performance. Meu desejo é estar nas Olimpíadas de 2028, conquistar uma terceira medalha e encerrar a carreira em 2029.
Thiago Braz exibe medalha de ouro — Foto: Marcelo Barone