Timão deve, não nega, paga quando puder... | Ge
A renovação de contrato do Corinthians com Memphis Depay não desafiaria a matemática se o clube não estivesse quebrado por uma dívida impagável (por parte de um clube de futebol gerido no modelo associativo). Não desafiaria o bom senso se o Corinthians não tivesse transferban para pagar e não estivesse trabalhando no almoço para pagar o jantar. Não desafiaria o bom senso se o clube tivesse parceiros que bancassem esse investimento e se potencializassem em consumo a força de uma torcida gigante e fiel. Mas mesmo sem ter pago R$ 42 milhões ao holandês do contrato anterior, a (indi) gestão do clube programa mais dois anos de pagamentos ao craque, que se são menores do que o descalabro do contrato anterior, continuam sendo altíssimos. Mas, no futebol brasileiro ainda deve-se, não se nega, paga-se quando for possível...

Corinthians está perto de fechar renovação de Memphis Depay
O Corinthians tem a mais alta dívida dentre os clubes do Brasil: algo em torno de R$ 2.447.000.000 (dois bi, mais 447 milhões), e por que isso me parece impagável sem que se mude o modelo de gestão do associativo para a SAF? Porque a cada ano, só de juros, a dívida aumenta em 400 milhões. Ou seja: seria até possível, com disciplina e rigidez absoluta, escalonar a dívida, desde que o clube não gastasse mais nenhum centavo por mês. Ocorre que, sabemos, o fluxo do que entra de dinheiro só se mantém se o Corinthians jogar. E para o Corinthians jogar ele gasta, basicamente em altos salários - e hoje, o clube gasta mensalmente mais do que arrecada. Ou seja 2: a lógica, se não houver nenhum perdão de dívida (que de quando em vez os governos inventam), o Corinthians não conseguirá reduzir esse rombo a menos que adote a SAF. Nesse cenário caótico, o clube renovará um contrato milionário com Memphis. Como diria o personagem do antiquíssimo programa de humor, "não precisa explicar, eu só queria entender..."
Memphis deu algum retorno técnico ao Corinthians, inegavelmente. Foi decisivo para o título da Copa do Brasil de 2025 e para o clube escapar do rebaixamento. É um grande jogador e pode, no próximo contrato, ajudar até mais. Teve uma Copa do Mundo 2026 pífia, assim como a de sua Holanda, não deve ter tido outras propostas tão atraentes financeiramente quanto a do Corinthians. Jogou o famoso "verde" para se colavam três anos. Não colou. E foi cedendo nos valores porque, mesmo reduzindo salários, os R$ 42 milhões devidos já garantem o futuro dos herdeiros, e os valores novos continuam robustos.
O Corinthians, confirmando essa odisseia financeira, não pode sob nenhuma hipótese aumentar a dívida com Memphis. Porque, imaginemos hipoteticamente, se o novo salário for de 1 milhão por mês, se o clube ficar três meses inadimplente, a dívida vai a 45 milhões, e contando. Tudo seria mais fácil se o clube tivesse montado um projeto para explorar a imagem do ídolo holandês, para vender produtos do clube e do jogador... Mas, sinceramente, olhando para as administrações recentes do clube, alguém acha que isso vai rolar?? Eu não...
Que, enfim, como diz o hino, Deus "salve o Corinthians"! Que Memphis faça muito gols e dê títulos a quem lhe paga o que ninguém mais teria ousadia de pagar. E que se prepare porque, no futebol brasileiro, é muito mais assustador ter 42 milhões de reais a receber do que a pagar. A menos que o credor não tenha pressa de receber. Nem que seja na Justiça, anos depois. E o devedor, que assinará o pagamento da dívida, certamente não será o mesmo que a contraiu (e não tem qualquer ônus, cobrança ou punição). As últimas notícias falam em quatro parcelas de R$ 10,5 milhões, a primeira em fevereiro de 2027, a derradeira (na teoria) em junho de 2028. Isso se, na prática, a teoria não for outra...