"Tivemos eficácia e, no futebol, o resultado é o mais importante": Farioli explica bolas paradas e diz-se "feliz a triplicar" por Nehuen
Dois em dois no regresso do futebol a um campo que se chama estádio. Mudou a época, mas o anfiteatro dos Arcos, que outrora foi o estádio, continua a ser um campo com uma bancada de cinco mil lugares, embora não consiga atingir esse número que está regulamentado pela Liga Portugal (4.583 este sábado), ou não estivéssemos no Campeonato das vaidades e das maquilhagens. Ainda assim, o Estádio do Rio Ave Futebol Clube ganhou novos balneários, embora as obras no que resta do recinto estejam para durar. Foi nesse local que o FC Porto somou a segunda vitória na Primeira Liga, repetindo o resultado que fez na estreia frente ao Alverca (0-2). Ainda assim, este jogo ficou marcado pelo primeiro golo de bola corrida dos dragões, depois de três tentos de bola parada.
O velho barco de Farioli continua a resistir à travessia no rio que ainda não soltou a caravela (a crónica do Rio Ave-FC Porto)
Nehuen Pérez aproveitou da melhor forma o regresso à titularidade após um longo período de lesão e também voltou aos golos um ano depois, repetindo o que tinha feito pela última vez frente ao Casa Pia, na terceira jornada da época passada. Ainda assim, o destaque da noite foi o golo de Borja Sainz que, para lá de ter sentenciado o jogo, foi o primeiro do extremo em 2026. Sainz ansiava particularmente pelos regressos aos golos, acabando por dedicá-lo à mãe, que morreu em fevereiro, exibindo uma camisola interior com a inscrição: “Te quiero mamá” (“Adoro-te mãe”, em português). Já Hwang In-beom estreou-se no Campeonato e tornou-se no nono sul-coreano a atuar no principal escalão do futebol português, o segundo ao serviço do FC Porto, depois de Suk Hyun-jun.
Em relação à temporada passada, que culminou na conquista do 31.º Campeonato, os dragões voltaram a vencer os três primeiros jogos sem sofrerem golos. Quanto a Francesco Farioli, o italiano somou a 30.ª vitória em 36 jogos na Primeira Liga, tendo conquistado 83% dos pontos em disputa. De realçar que desde 2020/21 que o FC Porto não conseguia duas vitórias seguidas em casa do Rio Ave. Curiosamente, este jogo ficou para a história por outro motivo, já que os vila-condenses fizeram apenas uma falta e bateram o recorde à luz dos recordes do GoalPoint.
???? RECORDE HISTÓRICO EM VILA DO CONDE : O Rio Ave cometeu apenas 1⃣ falta em todo o jogo, frente ao FC Porto. O feito é recorde na Liga, desde que há GoalPoint. Eis o top de menos faltas:
1 – RIO AVE vs Porto (casa, 2026)
2 – AROUCA vs Benfica (fora, 2021)
2 – BSAD vs Benfica… https://t.co/o0vbHHWDmk pic.twitter.com/RYvy3ZCjgO— GoalPoint (@_Goalpoint) August 15, 2026
“Temos de continuar a trabalhar. É um resultado importante, mas há coisas a melhorar. Sabíamos que este era um campo difícil e que íamos defrontar uma equipa muito física e bem organizada. Podíamos ter gerido melhor as coisas em alguns momentos, mas tivemos eficácia e, no futebol, o resultado é o mais importante. Bola parada? É verdade que marcámos vários golos assim no ano passado e este ano estamos a conseguir fazê-lo novamente, mas isso é porque queremos sempre atacar com convicção esse tipo de lances. Foi isso que fizemos esta noite. Marcámos um, outro foi anulado, mas o Nehuen merece. Fez um belo jogo depois do tempo difícil que passou. Estou feliz a triplicar por ele. Merece muito”, começou por dizer Farioli à SportTV.
“Na quinta-feira chamei-o ao meu gabinete e perguntei-lhe se queria ter alguns minutos com a equipa B caso não conseguisse jogar connosco. Ele disse que não se importava, que queria melhorar e melhorar fisicamente. Por coincidência, o Martim [Fernandes] lesionou-se e ele teve a oportunidade, já que o Alberto [Costa] também tem estado a recuperar. Quando fazes as coisas bem, o karma aparece. Mereceu muito esta noite, este golo e esta exibição. O Nehuen disse-me que estava bem na primeira vez em que lhe perguntei, mas depois sentiu cãibras e precisámos de acelerar essas substituições [fez quatro seguidas, em duas paragens]. Não queríamos correr riscos e decidimos assim. Deniz Gül? As coisas são assim. Tem de continuar a trabalhar e a acreditar que as coisas e os golos vão começar a aparecer”, concluiu.