Newsletter/ Todos precisam daquilo que não se compra: tempo e paciência (como estão os "grandes" depois do Mundial)

🗓️ 2026-07-24 📁 sports 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Fotografia de Bruno Roseiro
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Os resultados são diferentes, os indicadores ainda mais, dos estados de espírito nem se fala. Parece que não há nada em comum nesta fase cinzenta do calendário, entre o início oficial de época para uns e o fecho da pré-temporada para outros. No entanto, pode não ser bem assim. Aliás, não é assim. E existe algo comum de forma transversal a Benfica, FC Porto e Sporting. Pior: é algo que não se compra, apenas se “conquista”.

Tempo e paciência. Após o triunfo frente ao Villarreal no último ensaio, o Benfica perdeu na Suíça frente ao St. Gallen no arranque da época oficial, na primeira mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa. A exibição foi má, as bolas paradas defensivas tornaram-se um pesadelo, o ataque não se viu. A estreia de Miguel Figueiredo, jovem médio campeão mundial Sub-17, foi uma das poucas notícias positivas num jogo que terminou com Rui Costa de cara fechada, adeptos agastados e Marco Silva a reconhecer que o pior até foi a maneira como a equipa perdeu. Na quinta-feira, na Luz (20h), ainda sem o reforço Jhon Durán, os encarnados têm um palco para a redenção mas, mais do que caras novas, maior entrosamento ou outra condição física para aguentar melhor os 90 minutos, a equipa precisa sobretudo de tempo… e paciência.

Tempo e paciência. Num dia que começou com um triunfo à porta fechada com o Penafiel por 3-2 no Olival com duas partes de 35 minutos, e que ficou marcado pela Medalha de Mérito da Cidade do Porto recebida por André Villas-Boas na Câmara, o FC Porto perdeu em Barcelos frente ao Gil Vicente no primeiro teste a ser transmitido pela TV. Sinais de preocupação? Nenhum. E provavelmente a equipa já dará outra resposta no jogo de apresentação aos sócios, com lotação esgotada no Dragão, diante do Aston Villa (sábado, 20h). O que ficou claro é que os azuis e brancos estão à procura de outras formas de superar os adversários jogando com a mesma ideia e um ponto que permita dar outra fisicalidade à maneira de jogar, naquela que foi uma receita de sucesso na temporada de estreia de Francesco Farioli. E, para isso, é preciso tempo… e paciência.

Tempo e paciência. Depois de golear o Celtic, o Sporting conseguiu um triunfo ainda mais folgado frente ao Estrasburgo por 7-0 numa partida que marcou a estreia de Zalazar e o regresso de Maxi Araújo. Fora de campo, o mercado continua em ebulição: Diomande está a caminho do Nottingham Forest, Ibrahima Ba já assinou como “sucessor” do central, Pedro Gonçalves prepara a despedida no Troféu Cinco Violinos com o Mónaco (sábado, 19h30), Ricardo Mangas e Kochorashvili também estão de saída, há um lateral esquerdo e talvez mais um central a caminho. São muitas mudanças? Sim, claro. Mas existiu esse “risco” assumido de iniciar um novo ciclo em Alvalade, com uma espinha dorsal renovada. O que precisa? Tempo… e paciência.

Antes, chegou ao fim um dos Mundiais que reunia mais ceticismo mas que acabou por tornar-se uma (boa) surpresa. Depois do bronze para a Inglaterra, que venceu a França por 6-4 num jogo que coroou Mbappé como melhor marcador da competição, a decisão no MetLife Stadium chegou como uma das finais mais desequilibradas das últimas décadas. Um golo de Ferran Torres no prolongamento chegou para carimbar o segundo título mundial da história. Mérito de Luis de la Fuente, o obreiro de todo o processo que tornou as conquistas naturais. Mérito de Rodri, o MVP da prova e grande candidato à Bola de Ouro. Mérito de Unai Simón e toda uma defesa à prova de bala. Mérito de heróis mais invisíveis, como Cucurella ou Borja Iglesias.

Mérito da Espanha e demérito, muito demérito, da Argentina: pelo que não jogou, pelo fair play que não teve, pelas teorias e conspirações que nunca existiram. Aos 39 anos, Messi falhou o último capítulo de um livro que já ficara antes da história e passou a batuta a uma equipa que fez prevalecer o coletivo para destacar o individual. Sobra uma dúvida: depois de Maradona e Messi, a Albiceleste terá uma terceira vida?

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Era uma questão de tempo ainda com Jonas Vingegaard, tornou-se ainda mais uma questão de tempo sem Jonas Vingegaard. Depois da desistência após queda do principal adversário no Tour, Tadej Pogacar ficou ainda mais isolado na liderança da classificação geral e só mesmo um imponderável poderá tirar ao esloveno a entrada como Quinto Magnífico da Volta a França com a quinta vitória, algo que apenas Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain conseguiram até hoje. A prova termina no domingo nos Campos Elísios, em Paris, com o desafiante circuito a passar pela zona de Montmartre, mas antes ainda há duas subidas com trajetos distintos ao mítico Alpe d’Huez, que um dia coroou Joaquim Agostinho. Remco Evenepoel está próximo do segundo lugar, Issac del Toro e Paul Seixas ainda discutem entre si um lugar no pódio e Nelson Oliveira está cada vez mais perto de fazer história ao completar a sua 24.ª Grande Volta.

Ainda nas modalidades, chega a hora das decisões do Millennium Estoril Open em ténis, que tem contado sempre com casa cheia neste regresso ao circuito principal ATP. Nuno Borges, que procurava pelo menos chegar a uma terceira presença consecutiva nos quartos, perdeu frente a Román Andrés Burruchaga, mas pela primeira vez chegaram dois jogadores nacionais ao top 8 da competição desde a nova organização, com Tiago Torres a bater Alejandro Tabilo, terceiro cabeça de série da prova, antes de defrontar Hugo Gaston, e Jaime Faria a vencer Botic Van de Zandschulp e Gonzalo Bueno antes de cruzar com Luciano Darderi. Nota final para mais uma corrida no Mundial de Fórmula 1, desta vez com o Grande Prémio da Hungria (qualificação no sábado às 15h, corrida no domingo às 14h), depois do regresso aos triunfos do líder Kimi Antonelli na Bélgica, à frente de Charles Leclerc, Max Verstappen, Lewis Hamilton e Oscar Piastri.

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