Tradições, mortes e viradas marcam história das eleições em Pernambuco | G1
Um levantamento feito pelo g1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que, em apenas duas eleições, houve 2º turno na história do estado. Em 44 anos de eleições diretas, o estado elegeu homens em dez ocasiões e escolheu uma mulher uma vez (confira histórico mais abaixo).
O historiador Filipe Domingues afirma que o estado tem uma forte tradição política e que os embates, em várias oportunidades, se sobrepõem ao confronto clássico de esquerda e direita. Grupos e famílias se estruturam de forma competitiva a cada pleito.
"Ao observar esses 44 anos, portanto, não vemos apenas uma sucessão de governadores. Vemos a democracia pernambucana sendo construída entre permanências e rupturas, entre tradições que sobrevivem e ciclos políticos que chegam ao fim. No fundo, é também a história de um eleitorado que, a cada eleição, passou a ter novamente a possibilidade de confirmar caminhos ou promover mudanças", afirma.
Na quebra de braço entre governo e oposição, candidatos que representavam a oposição venceram seis eleições contra cinco vitórias da situação (candidatos à reeleição ou apoiados pelo então governo). Na corrida pela reeleição, Miguel Arraes foi o único governador de Pernambuco eleito diretamente para o cargo que tentou a reeleição e não conseguiu, em 1998.
Mendonça Filho foi governador por nove meses em 2006 com a renúncia do titular Jarbas Vasconcelos, que disputou e conquistou uma vaga de senador. Ao tentar a reeleição no cargo, Mendonça Filho foi derrotado. Jarbas Vasconcelos, Eduardo Campos e Paulo Câmara foram reeleitos. Todos conseguiram a vitória no 1º turno.
Desde o surgimento do 2º turno, a partir das eleições de 1990, a disputa só teve uma nova fase em 2006 e 2022. De acordo com Filipe Domingues, essa característica está ligada aos arranjos das lideranças políticas.
"A raridade do segundo turno, portanto, não significa pouca competição política em Pernambuco. O que ela revela é a força histórica das coalizões estaduais. Quando essas coalizões conseguem agregar partidos e lideranças antes da eleição, o primeiro turno tende a ser suficiente", explica.
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Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco — Foto: Yacy Ribeiro/Divulgação
Famílias de políticos e tragédias
Com a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) liderando as pesquisas pelo comando do estado a partir de 2027, a força das famílias de políticos segue em alta no estado. Os dois são filhos, respectivamente, dos ex-governadores João Lyra Neto e Eduardo Campos.
Para Filipe Domingues, esse traço familiar não é exclusivo dos pernambucanos. "Redes familiares fazem parte da formação das elites políticas brasileiras em diferentes estados e períodos. O que merece atenção em Pernambuco é a capacidade de alguns grupos de atravessar gerações, mudanças partidárias e diferentes conjunturas eleitorais", diz.
As duas famílias também passaram por tragédias que marcaram a história eleitoral do estado. Em 2014, Eduardo Campos morreu em um acidente aéreo. Ele renunciou ao cargo de governador de Pernambuco poucos meses antes para concorrer à Presidência da República.
Em 2022, no dia da votação do 1º turno, o marido da então candidata ao governo Raquel Lyra, Fernando Lucena, morreu após um mau súbito.
Nos dois casos, o historiador acredita que as tragédias geram comoções, mas que não é possível aferir a extensão dos efeitos no processo eleitoral.
"Não existe uma tradição pernambucana em que a morte determine resultados eleitorais. O que existe são tragédias, em momentos distintos, que inevitavelmente introduzem uma dimensão humana numa disputa política. Luto, memória e solidariedade podem modificar o ambiente de uma campanha, mas não devem ser transformados, sozinhos, em explicação para o voto", analisa.
Eleições, ditadura e retorno à democracia
Domingues reforça ainda a importância de se observar a história eleitoral pernambucana de antes da redemocratização, especificamente no período que vai de 1945 a 1964, antes da Ditadura Militar (1964-1985).
"A redemocratização populista de 1945 reabriu a competição partidária num estado em que as estruturas tradicionais de poder continuavam muito fortes, sobretudo no interior, mas em que Recife ganhava peso político, o movimento sindical se fortalecia e trabalhadores urbanos e rurais ampliavam sua presença na vida pública", explica.
Esse contexto chega ao ápice, de acordo com o historiador, com a primeira eleição para o governo do estado do ex-prefeito do Recife Miguel Arraes em 1962, derrotando o usineiro João Cleofas.
"Estavam em discussão o papel do Estado, os direitos dos trabalhadores, a questão agrária e a ampliação da participação popular. E a conexão com [o golpe de] 1964 é muito forte: Arraes chegou ao governo pelo voto e, menos de dois anos depois, foi deposto pelo golpe", afirma.
Durante a ditadura militar, as eleições para os governos estaduais foram proibidas. Os eleitores votavam para eleger deputados estaduais, federais e senadores e os governadores eram escolhidos de forma indireta na Assembleia Legislativa de Pernambuco. As eleições parlamentares, contudo, ocorriam "submetidas a cassações, restrições de direitos e regras impostas pelo próprio regime", conta Filipe Domingues.
Mesmo sob a ditadura militar, o eleitor pernambucano impôs derrotas eleitorais importantes aos militares, como na eleição do oposicionista Marcos Freire (PMDB) ao Senado em 1974. "Mesmo dentro de uma ordem autoritária, a urna podia se transformar num espaço de manifestação de oposição e de desgaste do próprio regime", diz o historiador.
A escolha do governador do estado pelo voto direto foi restabelecida com a Emenda Constitucional n.º 15, de 1980. Confira abaixo o resultado das eleições para o governo de Pernambuco e para o Senado desde 1982:
1982
Roberto Magalhães (ao centro) e Marco Maciel (de terno branco) comemoram eleição para governador e senador em 1982 — Foto: Reprodução / TV Globo
Na primeira eleição após o retorno do voto direto para governador no Brasil, o país vivia a reta final da ditadura militar. O clima político era agitado, com a Lei da Anistia de 1979 e a volta dos políticos que estavam no exílio, como o ex-governador Miguel Arraes (1916-2005).
O último governador pernambucano indicado pela ditadura, Marco Maciel (1940-2021), na época no PDS, renunciou ao cargo junto com seu vice, Roberto Magalhães (PSD), para disputarem o Senado e o governo do estado, respectivamente.
Um dos principais líderes da oposição à ditadura e ao grupo de Maciel, o então senador Marcos Freire (1931-1987), do PMDB, foi o candidato escolhido para enfrentar a chapa da situação. Roberto Magalhães foi eleito no pleito mais acirrado da história de Pernambuco até hoje. Para o Senado, uma cadeira estava em disputa e foi conquistada por Marco Maciel.
Resultado das eleições para governador de 1982 (turno único):
- Roberto Magalhães (PDS): 52,46% (913.774 votos) ELEITO
- Marcos Freire (PMDB): 46,86% (816.085 votos)
- Antônio Melo Costa (PTB): 0,45% (7.872 votos)
- Manoel da Conceição Santos (PT): 0,23% (4.027 votos)
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 1982:
- Marco Maciel (PDS): 53,69% (926.771 votos) ELEITO
- Cid Sampaio (PMDB): 45,67% (788.191 votos)
- Hélio Nunes da Silva (PTB): 0,41% (7.061 votos)
- Bruno Maranhão (PT): 0,23% (3.977 votos)
1986
Miguel Arraes (ao centro) acena à multidão após ser eleito governador pela segunda vez, em 1986 — Foto: Reprodução / TV Globo
Eleição marcada pelo retorno de Miguel Arraes ao governo de Pernambuco. Eleito em 1962, por voto direto, Arraes foi deposto pelo golpe militar de 1964, preso e depois enviado para o exílio na Argélia durante 14 anos. Retornou ao estado em 1979, beneficiado pela Lei da Anistia.
Para enfrentar Arraes, o então governador Roberto Magalhães, na época no PFL, renunciou ao cargo para disputar o Senado e lançou ao governo estadual o então secretário estadual dos Transportes, Comunicação e Energia de Pernambuco, José Múcio.
Foi o pleito com o menor número de candidatos ao governo de Pernambuco desde o retorno do voto direto, com apenas dois. Última disputa antes da determinação de realização de 2º turno nas eleições. Arraes foi eleito com folga e seus candidatos ao Senado também venceram as duas cadeiras em disputa, derrotando Roberto Magalhães.
Resultado das eleições para governador de 1986 (turno único):
- Miguel Arraes (PMDB): 60,91% (1.587.726 votos) ELEITO
- José Múcio (PFL): 39,09% (1.018.800 votos)
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 1986:
- Mansueto de Lavor (PMDB): 27,05% (1.280.388 votos) ELEITO
- Antônio Farias (PMB): 25,46% (1.204.869 votos) ELEITO
- Roberto Magalhães (PFL): 21,45% (1.015.328 votos)
- Margarida Cantarelli (PFL): 13,59% (643.237 votos)
- Cid Sampaio (PMDB): 10,43% (493.893 votos)
- Ivan Maurício (PSB): 1,69% (80.143 votos)
- Jacob Naori Tumajan (PDT): 0,33% (15.514 votos)
1990
Joaquim Francisco (ao centro, acenando) e Marco Maciel (à sua esquerda) em carreata comemorando eleição para governo e Senado em 1990 — Foto: Reprodução / TV Globo
Primeira eleição após o restabelecimento completo da democracia no Brasil, com as eleições diretas de 1989 para presidente da República. Em Pernambuco, cinco candidatos concorreram ao governo do estado.
A disputa foi marcada pelo duelo de dois ex-prefeitos do Recife. Jarbas Vasconcelos, do PMDB, que governou a cidade entre 1986 e 1989, e Joaquim Francisco (1948-2021), do PFL, que comandou a capital como prefeito indicado no período da ditadura militar, entre 1983 e 1986, e foi eleito para o mesmo cargo por voto direto em 1988.
Jarbas recebeu o apoio do então governador Miguel Arraes, que trocou o PMDB pelo PSB, e renunciou ao governo estadual para se lançar a deputado federal. A decisão criou mal estar com Jarbas, que queria Arraes como candidato ao Senado. Joaquim Francisco renunciou ao cargo de prefeito do Recife e foi eleito governador no 1º turno. Para o Senado, o então senador Marco Maciel (PFL) renovou o mandato.
Resultado das eleições para governador de 1990:
1º turno:
- Joaquim Francisco (PFL): 50,95% (1.238.326 votos) ELEITO
- Jarbas Vasconcelos (PMDB): 44,78% (1.088.365 votos)
- Paulo Rubem Santiago (PT): 2,65% (64.241 votos)
- José Batista de Souza (PTB): 1,11% (26.991 votos)
- Alexandre José Ferreira dos Santos (PSL): 0,51% (12.403 votos)
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 1990:
- Marco Maciel (PFL): 45,48% (910.802 votos) ELEITO
- José Queiroz (PDT): 41,99% (840.866 votos)
- Homero Lacerda (PTB): 8,00% (160.296 votos)
- José Ailton de Lima (PT): 3,51% (70.286 votos)
- Marcus Martins (PSL): 1,02% (20.522 votos)
1994
Miguel Arraes e aliados políticos durante eleição que garantiu seu terceiro mandato de governador, em 1994 — Foto: Reprodução / TV Globo
Seis candidatos disputaram o cargo de governador de Pernambuco em 1994. Foram as primeiras eleições estaduais realizadas em conjunto com as presidenciais. O então governador Joaquim Francisco, na época no PFL, lançou como candidato ao governo estadual o ex-governador de Pernambuco (1986-1987) e ex-prefeito do Recife (1979-1982), Gustavo Krause, também do PFL.
Pela oposição, o principal nome foi o ex-governador Miguel Arraes, do PSB, que disputava seu terceiro mandato. Após a desistência do então prefeito do Recife Jarbas Vasconcelos de se lançar ao Palácio do Campo das Princesas, o PMDB optou por uma “terceira via” com o ex-governador Cid Sampaio (1910-2010).
Arraes foi eleito no 1º turno. Para o Senado, um fato inédito: os senadores eleitos para as duas vagas disponíveis não vieram da mesma chapa. Candidato apoiado por Krause, o ex-governador Carlos Wilson (1950-2009), então no PSDB, ficou com a primeira vaga e Roberto Freire, na época no PPS e apoaido por Arraes, ficou com a segunda.
Resultado das eleições para governador de 1994:
1º turno:
- Miguel Arraes (PSB): 54,12% (1.262.417 votos) ELEITO
- Gustavo Krause (PFL): 32,57% (759.786 votos)
- Cid Sampaio (PMDB): 7,27% (169.706 votos)
- Joaquim Magalhães (PSTU): 2,89% (67.304 votos)
- Homero Lacerda (PTB): 1,71% (39.924 votos)
- Fernando Carvalho (PRN): 1,44% (33.647 votos)
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 1994:
- Carlos Wilson (PSDB): 23,75% (869.457 votos) ELEITO
- Roberto Freire (PPS): 22,28% (815.644 votos) ELEITO
- Armando Monteiro Filho (PDT): 18,56% (678.120 votos)
- Maurílio Ferreira Lima (PSDB): 17,77% (650.513 votos)
- João Ramos Coelho (PMDB): 5,42% (198.561 votos)
- José Temporal (PSTU): 4,19% (153.550 votos)
- Luciano Bivar (PL): 2,18% (79.748 votos)
- Guilherme Fonseca (PSTU): 1,74% (63.552 votos)
- Nivaldo de Almeida (PTB): 1,52% (55.536 votos)
- Sizenando dos Santos (PRN): 1,44% (52.807 votos)
- José Zito Ramos (PPR): 1,17% (42.908 votos)
1998
Jarbas Vasconcelos (ao centro, de vermelho) com seu vice Mendonça Filho (à esquerda) e o candidato ao Senado José Jorge (à direita) nas eleições de 1998. — Foto: Reprodução / TV Globo
Primeira eleição após a emenda constitucional de 1997 que liberou a reeleição para os cargos do Poder Executivo (prefeito, governador e presidente). Em Pernambuco, seis candidatos participaram do pleito, que foi o primeiro a ter uma candidata mulher ao governo. Lúcia Albuquerque (PSC) ficou em quarto lugar.
Em sua terceira gestão à frente do executivo estadual, o então governador Miguel Arraes, do PSB, foi candidato à reeleição em busca de um quarto mandato. Ele enfrentava o desgaste por conta da crise dos precatórios, que envolvia a emissão tida como irregular de títulos públicos estaduais.
Pela oposição, o ex-prefeito do Recife por duas vezes, Jarbas Vasconcelos, do PMDB, foi o nome de maior destaque, após fazer aliança com o grupo de seu antigo adversário político, Marco Maciel. Ex-vice de Arraes nos anos 80, Carlos Wilson disputou o pleito pelo PSDB como representante da “terceira via”. Jarbas foi eleito no 1º turno e seu colega de chapa ao Senado, José Jorge (PFL), também venceu.
Resultado das eleições para governador de 1998:
1º turno:
- Jarbas Vasconcelos (PMDB): 64,14% (1.809.792 votos) ELEITO
- Miguel Arraes (PSB): 26,38% (744.280 votos)
- Carlos Wilson (PSDB): 7,47% (210.713 votos)
- Lúcia Albuquerque (PSC): 1,05% (29.683 votos)
- Joaquim Magalhães (PSTU): 0,63% (17.723 votos)
- Fred Brandt (PSN): 0,34% (9.553 votos)
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 1998:
- José Jorge (PFL): 57,77% (1.460.835 votos) ELEITO
- Humberto Costa (PT): 35,77% (904.436 votos)
- Waldemar Borges (PPS): 2,44% (61.742 votos)
- João Olímpio (PSC): 1,77% (44.841 votos)
- Ana Rodrigues (PSN): 1,44% (36.433 votos)
- Temporal (PSTU): 0,80% (20.350 votos)
2002
Jarbas Vasconcelos, primeiro governador reeleito de Pernambuco, e seus candidatos ao Senado Marco Maciel e Sérgio Guerra em 2002 — Foto: Reprodução / TV Globo
Ao todo, nove candidatos disputaram o governo de Pernambuco, número recorde até aquele momento. A eleição foi marcada, nacionalmente, pelo avanço político da esquerda com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o primeiro mandato como presidente.
No estado, o então governador Jarbas Vasconcelos, do PMDB, se lançou à reeleição e formou, para o Senado, uma chapa com o senador Marco Maciel, do PFL, e Sérgio Guerra, do PSDB. Pela oposição, o ex-secretário municipal de saúde do Recife, Humberto Costa (PT), foi o nome de maior força eleitoral, embalado pela popularidade da candidatura de Lula.
Jarbas Vasconcelos venceu a disputa no 1º turno e se tornou o primeiro governador reeleito da história do estado. Para as duas cadeiras do Senado, venceram os candidatos de Jarbas: Marco Maciel (PFL) e Sérgio Guerra (PSDB).
Resultado das eleições para governador de 2002:
1º turno:
- Jarbas Vasconcelos (PMDB): 60,41% (2.064.184 votos) ELEITO
- Humberto Costa (PT): 34,11% (1.165.531 votos)
- Dilton da Conti (PSB): 3,77% (128.814 votos)
- Ilo Jorge (PDT): 1,08% (36.952 votos)
- Ana Lins (PSTU): 0,19% (6.547 votos)
- Rui Alcântara (PAN): 0,19% (6.487 votos)
- Flávio Lapenda (PTC): 0,15% (5.449 votos)
- Maurílio Silva (PCO): 0,04% (1.415 votos)
- José Carlos Neves de Andrade (PGT): 0,03% (1.271 votos)
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 2002:
- Marco Maciel (PFL): 28,92% (1.799.895 votos) ELEITO
- Sérgio Guerra (PSDB): 26,93% (1.675.779 votos) ELEITO
- Carlos Wilson (PTB): 21,38% (1.330.451 votos)
- Dilson Peixoto (PT): 17,88% (1.112.647 votos)
- João Arraes (PSB): 3,84% (239.197 votos)
- Nelson Borges (PPS): 0,39% (24.284 votos)
- Kátia Telles (PSTU): 0,27% (17.234 votos)
- José Pantaleão da Silva (PSTU): 0,16% (10.369 votos)
- Odicir Vale (PAN): 0,06% (4.112 votos)
- Milson Carvalho (PGT): 0,05% (3.244 votos)
- Marcelino da Silva (PAN): 0,05% (3.220 votos)
- Marytz Mendes (PCO): 0,02% (1.647 votos)
2006
Eduardo Campos (de branco) comemora primeira eleição do governo do estado em 2006 ao lado do escritor Ariano Suassuna e do então prefeito do Recife João Paulo — Foto: Reprodução / TV Globo
Primeira eleição de Pernambuco que foi definida no 2º turno. Ao todo, oito candidatos disputaram o comando do estado. Após ser vice-governador de Jarbas Vasconcelos por dois mandatos, Mendonça Filho, então no PFL, assumiu o comando do estado em março daquele ano, com a renúncia do titular para disputar o Senado, e concorreu à reeleição.
Pela oposição, dois ex-ministros do governo Lula tiveram maior destaque: o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos (1965-2014), do PSB, e o ex-ministro da saúde Humberto Costa (PT).
Mendonça Filho e Eduardo Campos passaram para o 2º turno. Campos recebeu apoio de Humberto Costa, que ficou em 3º lugar na primeira fase. Neto do ex-governador Miguel Arraes, o socialista foi eleito na primeira virada eleitoral da história pernambucana. Para o Senado, venceu Jarbas Vasconcelos.
Resultado das eleições para governador de 2006:
1º turno:
- Mendonça Filho (PFL): 39,32% (1.578.001 votos) 2º turno
- Eduardo Campos (PSB): 33,81% (1.356.950 votos) 2º turno
- Humberto Costa (PT): 25,14% (1.008.842 votos)
- Clóvis Correa (PRONA): 0,67% (27.036 votos)
- Edilson Silva (PSOL): 0,66% (26.786 votos)
- Kátia Telles (PSTU): 0,22% (8.718 votos)
- Luiz Vidal (PSDC): 0,14% (5.485 votos)
- Oswaldo Alves (PCO): 0,04% (1.587 votos)
- Rivaldo Soares (PSL): candidatura indeferida pelo TRE
2º turno:
- Eduardo Campos (PSB): 65,36% (2.623.297 votos) ELEITO
- Mendonça Filho (PFL): 34,64% (1.390.273 votos)
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 2006:
- Jarbas Vasconcelos (PMDB): 56,14% (2.031.261 votos) ELEITO
- Luciano Siqueira (PCdoB): 23,10% (835.980 votos)
- Jorge Gomes (PSB): 20,00% (723.722 votos)
- Hélio Cabral (PSTU): 0,23% (8.311 votos)
- Severino Belarmino (PTdoB): 0,18% (6.465 votos)
- Aluísio Figueiroa (PCB): 0,15% (5.286 votos)
- Pedro Gondim (PRONA): 0,14% (5.145 votos)
- Delta Farias (PRTB): 0,07% (2.355 votos)
2010
Eduardo Campos comemora a reeleição ao lado de seus candidatos eleitos ao Senado, Armando Monteiro Neto e Humberto Costa, em 2010 — Foto: Reprodução / TV Globo
Sete candidatos disputaram o cargo de governador de Pernambuco. O então governador Eduardo Campos (PSB) foi candidato à reeleição e contou com o apoio de 15 partidos em coligação, a maior da história até então.
Pela oposição, o principal nome foi o do então senador e ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que comandou o estado entre 1999 e 2006. A disputa entre Eduardo e Jarbas foi tida como uma “revanche” do confronto entre Jarbas e Miguel Arraes, avô de Eduardo, em 1998.
Eduardo Campos foi reeleito no 1º turno com a maior votação da história, tanto em votos totais, como percentualmente. O socialista foi o primeiro candidato a ultrapassar a barreira dos três milhões de votos na corrida ao governo estadual e o único a vencer em todos os municípios de Pernambuco. Seus dois candidatos ao Senado, Armando Monteiro Neto (PTB) e Humberto Costa (PT), foram eleitos com as maiores votações para o cargo na história até hoje.
Resultado das eleições para governador de 2010:
1º turno:
- Eduardo Campos (PSB): 82,84% (3.450.874 votos) ELEITO
- Jarbas Vasconcelos (PMDB): 14,06% (585.724 votos)
- Sérgio Xavier (PV): 2,08% (86.543 votos)
- Edilson Silva (PSOL): 0,89% (37.257 votos)
- Fernando Rodovalho (PRTB): 0,07% (2.751 votos)
- Jair Pedro (PSTU): 0,07% (2.748 votos)
- Roberto Numeriano (PCB): candidatura indeferida pelo TRE
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 2010:
- Armando Monteiro Neto (PTB): 39,87% (3.142.930 votos) ELEITO
- Humberto Costa (PT): 38,82% (3.059.818 votos) ELEITO
- Marco Maciel (DEM): 11,86% (934.720 votos)
- Raul Jungmann (PPS): 7,61% (599.937 votos)
- Renê Patriota (PV): 1,58% (124.554 votos)
- Hélio Cabral (PSTU): 0,08% (6.229 votos)
- Simone Fontana (PSTU): 0,07% (5.196 votos)
- Lailson Lucena (PRTB): 0,06% (5.096 votos)
- Danúbio Aguiar (PCB): 0,05% (4.010 votos)
- Jerônimo Ribeiro (PSOL): candidatura indeferida pelo TRE
2014
Paulo Câmara comemora primeira eleição ao governo de Pernambuco após apuração dos votos em 2014 — Foto: Reprodução / TV Globo
Ao todo, seis candidatos disputaram a corrida pelo governo estadual. A eleição foi impactada pela morte do ex-governador Eduardo Campos em um acidente aéreo. Ele era candidato a presidente pelo PSB e morreu no início da campanha.
Ex-secretário estadual de administração e da fazenda de Eduardo Campos, Paulo Câmara, então no PSB, foi escolhido como candidato da situação e contou com uma coligação que reuniu 21 partidos, maior número da história de Pernambuco até hoje.
Pela oposição, o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Dilma Rousseff (PT), Armando Monteiro Neto, então no PTB, foi o nome com maior destaque. Paulo Câmara venceu no 1º turno e o candidato ao Senado de sua chapa, Fernando Bezerra Coelho, então no PSB, venceu com o maior percentual para o cargo até a atualidade.
Resultado das eleições para governador de 2014:
1º turno:
- Paulo Câmara (PSB): 68,08% (3.009.087 votos) ELEITO
- Armando Monteiro Neto (PTB): 31,07% (1.373.237 votos)
- Zé Gomes (PSOL): 0,63% (27.895 votos)
- Jair Pedro (PSTU): 0,12% (5.281 votos)
- Miguel Anacleto (PCB): 0,07% (2.892 votos)
- José Pantaleão da Silva (PCO): 0,04% (1.644 votos)
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 2014:
- Fernando Bezerra Coelho (PSB): 64,34% (2.655.912 votos) ELEITO
- João Paulo (PT): 34,80% (1.436.692 votos)
- Albanise Pires (PSOL): 0,66% (27.319 votos)
- Simone Fontana (PSTU): 0,14% (5.689 votos)
- Oxis Pereira (PCB): 0,06% (2.370 votos)
2018
Paulo Câmara discursa após ser reeleito governador de Pernambuco no 1º turno em 2018 — Foto: Reprodução / TV Globo
Sete candidatos disputaram o governo de Pernambuco neste pleito. A eleição teve a reedição do confronto entre os dois primeiros colocados na disputa eleitoral de 2014.
Candidato à reeleição, Paulo Câmara, pelo PSB, disputou o segundo mandato apoiado por 13 partidos políticos. Pela oposição, o então senador Armando Monteiro Neto foi lançado pelo PTB ao governo também apoiado por 13 partidos.
Paulo Câmara foi reeleito no 1º turno com margem estreita de 50,70% dos votos válidos. Para o Senado, foram eleitos os candidatos da chapa do governador, com Humberto Costa (PT) e Jarbas Vasconcelos (MDB). A eleição de 2018 teve o recorde de votos brancos e nulos para governador na história do estado, de acordo com os dados disponíveis na plataforma do TRE: 29,83%.
Resultado das eleições para governador de 2018:
1º turno:
- Paulo Câmara (PSB): 50,70% (1.918.219 votos) ELEITO
- Armando Monteiro Neto (PTB): 35,99% (1.361.588 votos)
- Dani Portella (PSOL): 4,97% (188.087 votos)
- Julio Lóssio (Rede): 4,67% (176.492 votos)
- Maurício Rands (PROS): 3,43% (129.712 votos)
- Simone Fontana (PSTU): 0,24% (9.067 votos)
- Ana Patrícia Alves (PCO): candidatura indeferida pelo TRE após desistência
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 2018:
- Humberto Costa (PT): 25,76% (1.713.565 votos) ELEITO
- Jarbas Vasconcelos (MDB): 21,51% (1.430.802 votos) ELEITO
- Mendonça Filho (DEM): 19,58% (1.302.446 votos)
- Bruno Araújo (PSDB): 13,91% (925.371 votos)
- Silvio Costa (Avante): 10,23% (680.435 votos)
- Pastor Jairinho (Rede): 2,87% (191.059 votos)
- Albanise Azevedo (PSOL): 2,14% (142.280 votos)
- Eugênia Lima (PSOL): 1,71% (113.703 votos)
- Adriana Rocha (Rede): 1,38% (91.941 votos)
- Lídia Brunes (PROS): 0,25% (44.727 votos)
- Alex Lima (PCO): 6.831
2022
Raquel Lyra discursa após ser primeira mulher eleita governadora de Pernambuco após o 2º turno de 2022 — Foto: Reprodução / TV Globo
Segunda eleição na história de Pernambuco a ser definida no 2º turno. Também foi a disputa com o maior número de candidatos ao governo pernambucano até a atualidade, com 11 candidatos.
Representante do governo Paulo Câmara, o então deputado federal Danilo Cabral (PSB) foi o candidato da situação. Pela oposição, quatro nomes ganharam espaço: a então deputada federal Marília Arraes, pelo Solidariedade, a ex-prefeita de Caruaru Raquel Lyra, pelo PSDB, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira (PL), e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil).
Marília Arraes e Raquel Lyra passaram ao 2º turno, sendo a primeira vez na história que duas mulheres se enfrentaram em um 2º turno para um governo estadual no Brasil. Raquel, que ficou em 2º lugar na primeira fase, se tornou a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco. Para o Senado, venceu a candidata da chapa de Danilo Cabral, Teresa Leitão (PT), que se tornou a primeira mulher eleita senadora na história do estado.
Resultado das eleições para governador de 2022:
1º turno:
- Marília Arraes (Solidariedade): 23,97% (1.175.651 votos) 2º turno
- Raquel Lyra (PSDB): 20,58% (1.009.556 votos) 2º turno
- Anderson Ferreira (PL): 18,15% (890.220 votos)
- Danilo Cabral (PSB): 18,06% (885.994 votos)
- Miguel Coelho (União Brasil): 18,04% (884.941 votos)
- Jones Manoel (PCB): 0,69% (33.931 votos)
- João Arnaldo (PSOL): 0,26% (12.558 votos)
- Pastor Wellington (PTB): 0,16% (8.020 votos)
- Jadilson Bombeiro (PMB): 0,05% (2.435 votos)
- Claudia Ribeiro (PSTU): 0,04% (1.745 votos)
- Ubiracy Olímpio (PCO): candidatura indeferida pelo TRE
2º turno:
- Raquel Lyra (PSDB): 58,70% (3.113.415 votos) ELEITA
- Marília Arraes (Solidariedade): 41,30% (2.190.264 votos)
Resultado das eleições para senador por Pernambuco em 2022:
- Teresa Leitão (PT): 46,62% (2.061.276 votos) ELEITA
- Gilson Machado (PL): 29,55% (1.320.555 votos)
- André de Paula (PSD): 12,69% (567.357 votos)
- Carlos Andrade Lima (União Brasil): 5,78% (258.289 votos)
- Guilherme Coelho (PSDB): 4,19% (187.364 votos)
- Eugênia Lima (PSOL): 1,01% (45.358 votos)
- Esteves Jacinto (PRTB): 0,35% (15.701 votos)
- Dayse Medeiros (PSTU): 0,29% (12.844 votos)
- Roberta Rita (PCO): 0,01% (666 votos)