Tripulação de avião que caiu em São Paulo em 2024 sabia de falhas

🗓️ 2026-08-06 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A tripulação do avião ATR 72-500 da Voepass, que caiu em São Paulo, no Brasil, em agosto de 2024, sabia que a aeronave tinha falhas no sistema de degelo, sendo que, num voo anterior, o alarme soou oito vezes. No total, morreram 62 pessoas: 58 passageiros e quatro tripulantes.

A conclusão é da Polícia Federal, que irá apresentar esta quinta-feira o relatório final sobre a queda do avião, que ocorreu a 9 de agosto de 2024. 

Segundo o documento, a que o G1 teve acesso, a causa do acidente foi a perda de controlo do voo, devido à acumulação de gelo na asa direita, falhas no sistema pneumático de degelo e a não execução adequada de cinco procedimentos por parte dos pilotos. 

Aliás, a falha no sistema de degelo da asa direita já acontecia há vários dias, mas ninguém da tripulação reportou o problema. Segundo a Polícia Federal, se tal tivesse acontecido, o avião não podia ter descolado até a peça ser arranjada. 

Para os investigadores está em causa uma "quebra direta das responsabilidades atribuídas à tripulação", uma vez que no voo anterior ao acidente, com os mesmos tripulantes que morreram na tragédia, o alerta sobre a falha no sistema de degelo soou oito vezes.

"Olha o gelo, o gelo foi embora agora, finalmente. Escutei um barulho aqui. Foi o gelo que voou. Chegámos vivos", disse o piloto ao copiloto quando aterraram em Cascavel, no Paraná.

Minutos depois, o piloto Danilo Romano e o copiloto Humberto de Campos descolaram com destino a Guarulhos, em São Paulo, com outros dois tripulantes e 58 passageiros. 

A investigação concluiu que os pilotos começaram a perder controlo do avião e tinham poucos segundos para agir, mas acabaram por não conseguir realizar as manobras necessárias para evitar a tragédia.

O avião acidentado, um bimotor modelo ATR-72-500, de fabrico francês, fazia o trajeto entre a cidade de Cascavel e São Paulo, e caiu sobre uma casa em Vinhedo quando faltavam cerca de 80 quilómetros para chegar ao destino.

Entre as vítimas mortais encontrava-se uma mulher de nacionalidade portuguesa. Gracinda Marina Castelo da Silva tinha 47 anos e seguia a bordo com o marido, Nélvio José Hubner, um cidadão brasileiro, com quem era casada há 25 anos.

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