Salles e Marina Silva: embate esquenta corrida pelo Senado em SP

🗓️ 2026-07-19 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A corrida pelas vagas ao Senado em São Paulo ganhou um novo e acalorado capítulo neste fim de semana após uma intensa troca de farpas entre o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) e a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede-SP). O embate, marcado por ataques pessoais e respostas contundentes, ocorre em meio às articulações para a formação dos principais palanques da disputa eleitoral de 2026 no estado.

O que aconteceu

  • O embate entre Ricardo Salles e Marina Silva esquentou a corrida pelo Senado em São Paulo para as eleições de 2026.
  • Salles criticou o governo Lula por “impor” candidatos sem ligação com São Paulo e chamou Marina Silva de “tartaruga fugida do Acre”.
  • Marina Silva reagiu, acusando o ex-ministro de misoginia e violência política, defendendo sua história e a diversidade paulista.

A discussão começou durante um evento político, quando Ricardo Salles criticou a estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de lançar ministras para disputar cargos majoritários em São Paulo. O parlamentar afirmou que o eleitor paulista estaria sendo alvo de uma tentativa de imposição de candidatos sem ligação com o estado.

“O PT e o Centrão querem enfiar goela abaixo do eleitor paulista candidatos que não têm nenhuma identidade com São Paulo. A Simone Tebet é do Mato Grosso do Sul. E a Marina Silva é o quê? Uma tartaruga fugida do Acre que foi colocada aqui para fingir que representa o estado. São Paulo não é puxadinho de ministeriado”, declarou o deputado.

Marina responde e acusa misoginia

A resposta da ministra veio poucas horas depois por meio das redes sociais, repercutindo amplamente no cenário político nacional.

Marina Silva classificou as declarações como ofensivas e afirmou que o episódio representa mais um exemplo de violência política contra mulheres e de desrespeito democrático.

“As ofensas do ex-ministro da destruição ambiental apenas explicitam o ódio que o bolsonarismo tem pelas mulheres e o completo desrespeito pela democracia. Chamar uma mulher de “tartaruga” para tentar desqualificá-la é uma demonstração de pura misoginia e baixeza moral”, escreveu Marina Silva em sua conta oficial.

A ministra também rebateu a crítica sobre sua origem e afirmou que São Paulo, um dos estados mais diversos do país, foi construído por pessoas vindas de diferentes regiões.

“São Paulo é um estado acolhedor, feito por migrantes de todas as regiões do país. Tenho muito orgulho da minha história no Acre e do meu compromisso com o povo paulista, que me elegeu deputada federal”, acrescentou Marina.

A ministra ainda afirmou que o grupo político adversário aposta na divisão do eleitorado, em vez de buscar a união.

“O que assusta essa ala extremista é o fato de que nós estamos construindo pontes, enquanto eles só sabem plantar a discórdia e o preconceito.”

Disputa pelo senado em SP ganha contornos acirrados

O confronto ocorre em um momento de intensa movimentação política para a definição das chapas que disputarão o Senado por São Paulo em 2026.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a estratégia do governo é montar um amplo arco de alianças em torno da candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, fortalecendo a base governista.

Dentro desse desenho, Marina Silva e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), aparecem como nomes cotados para ocupar posições estratégicas na chapa, seja na disputa pelo Senado ou na composição majoritária.

Do outro lado, o Partido Liberal (PL) e legendas aliadas procuram fortalecer o discurso de valorização de lideranças paulistas para enfrentar a coalizão governista e captar o eleitorado local.

Aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) defendem que os principais cargos do estado sejam ocupados por políticos com trajetória construída em São Paulo, utilizando esse argumento como uma das bandeiras da campanha de 2026.

A polarização em São Paulo deve aumentar?

A troca de acusações entre Ricardo Salles e Marina Silva é vista por integrantes dos dois grupos políticos como um sinal claro de que a disputa pelo Senado paulista tende a ser uma das mais acirradas do país nas próximas eleições.

Além da polarização nacional já estabelecida entre governo e oposição, a eleição em São Paulo reúne lideranças de peso e deverá concentrar parte significativa das estratégias políticas dos dois principais campos que disputarão a Presidência da República em 2026.

Com as chapas ainda em fase de construção e os arranjos políticos em andamento, a expectativa é de que novos embates entre os pré-candidatos se intensifiquem à medida que a campanha eleitoral se aproxima, elevando o tom do debate público.