Trump anuncia tarifas de 100% em medicamentos genéricos a partir de 2028. E a seguir de 200%
Presidente quer aumentar a produção destes fármacos nos Estados Unidos e garantiu isenção de impostos durante dois anos
Donald Trump anunciou esta terça-feira planos para impor tarifas de 100% sobre medicamentos genéricos a partir de 2028, ano em que ocorrerão as próximas eleições presidenciais, noticia o Financial Times. O objetivo é aumentar a produção destes fármacos em território norte-americano.
Segundo o presidente, todos os medicamentos que não possuam patente ou marca beneficiarão de isenção fiscal durante dois anos. Em agosto de 2028, poucos meses antes do processo democrático, a tarifa será elevada a 100%. No ano seguinte, o valor cobrado será de 200%.
"Isso é feito para REPATRIAR a Produção Farmacêutica de Genéricos para a América, com uma penalidade para as Empresas que decidirem não construir Fábricas e Equipamentos dentro do prazo estabelecido", escreveu o presidente na rede social TruthSocial. Segundo o regulador norte-americano, a FDA, os genéricos correspondem a 90% dos fármacos utilizados no país, sendo que 70% destes são importados pelos Estados Unidos.
O fim da isenção está marcada para poucos meses antes da próxima eleição presidencial nos Estados Unidos. Reeleito em 2024 após perder para Joe Biden em 2020, Donald Trump está impedido pela constituição do país de concorrer novamente. O chefe de Estado e seus aliados, porém, dão sinais ambíguos sobre esta possibilidade.
A loja oficial do presidente vende bonés com o slogan "Trump 2028", indicando a possibilidade de tentar contornar a legislação para garantir mais um mandato. Além disso, no fim de 2025, Steve Bannon, antigo conselheiro de Trump, afirmou que "existem planos" para que o republicano concorra à Casa Branca mais uma vez. Por outro lado, Trump afirmou em entrevista ao podcast de Miranda Devine que uma dupla com Marco Rubio e JD Vance nas próximas eleições seria "muito difícil de superar".
Em abril, o governo norte-americano já havia anunciado o aumento das tarifas para produtos farmacêuticos de marca e patenteados para até 100%. Isso, porém, não abrange todas as empresas ou todos os países. Alguns Estados conseguiram taxas menos significativas através de acordos comerciais - Suíça e Japão, por exemplo, são taxados em 15% -, enquanto o Reino Unido está isento durante três anos.
As grandes farmacêuticas - Pfizer, AstraZeneca e Novo Nordisk - estão entre as companhias que não foram taxadas. Em troca, garantiram aumentar os investimentos nos Estados Unidos e reduzir os preços dos seus produtos. Outras empresas podem solicitar uma tarifa reduzida de 20% caso pretendam aumentar a produção no país.