Trump e a obsessão pelos nomes: os locais que quer mudar no mapa - 24 Notícias
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Donald Trump quer voltar a mexer no mapa dos Estados Unidos. O Presidente norte-americano sugeriu que o Novo México passe a chamar-se Nova América, numa publicação nas redes sociais, poucos dias depois de determinar a mudança do nome do Lago Ontário para Lago América. A nova proposta junta-se a uma lista de alterações e sugestões que incluem o Golfo do México, o monte Denali, o estreito de Ormuz e até os oceanos Atlântico e Pacífico.
Foi este domingo que Trump publicou uma imagem do Estado do Novo México na qual a palavra “México” aparece riscada a vermelho e substituída por “América”. A imagem foi posteriormente partilhada pela própria Casa Branca na rede social X, sem que o Presidente apresentasse uma explicação adicional ou anunciasse qualquer processo formal para concretizar a mudança.
A governadora do Novo México, Michelle Lujan Grisham, contudo, rejeitou a sugestão e afirmou que o nome do Estado “não está em discussão”. O senador democrata Martin Heinrich também reagiu, dizendo que continuará a utilizar as designações tradicionais para o Golfo do México, o Lago Ontário e o Novo México.
A proposta enfrenta ainda um obstáculo constitucional, dado que Trump não pode, por decisão presidencial unilateral, alterar o nome oficial de um Estado norte-americano. Uma mudança dessa natureza teria de seguir os procedimentos previstos no próprio Estado.
O nome Novo México tem raízes muito anteriores à criação dos Estados Unidos. A designação remonta ao período da colonização espanhola e deriva de “Nuevo México”, pelo que a eventual alteração teria também uma dimensão histórica e cultural que ultrapassa a atual administração norte-americana.
O Golfo do México tornou-se Golfo da América
A primeira grande mudança da atual vaga ocorreu em janeiro de 2025, logo após Trump regressar à Casa Branca. Através de uma ordem executiva, o Presidente determinou que o Governo federal passasse a utilizar Golfo da América em vez de Golfo do México.
O Departamento do Interior concretizou a alteração no sistema federal de nomes geográficos, o Geographic Names Information System (GNIS). A mudança é vinculativa para a nomenclatura utilizada pelas autoridades federais norte-americanas, mas não obriga outros países ou organizações internacionais a adotarem o novo nome.
A designação também passou a surgir em serviços de mapas nos Estados Unidos. Google e Apple adotaram Golfo da América para utilizadores norte-americanos, mantendo a designação tradicional noutros mercados.
Denali voltou a ser Monte McKinley
Na mesma ordem executiva, Trump determinou a recuperação do nome Monte McKinley para a montanha mais alta da América do Norte, no Alasca. O nome Denali tinha sido reposto na nomenclatura federal pela administração de Barack Obama em 2015, recuperando a designação tradicional de origem indígena.
Neste caso, Trump apresentou a alteração como uma homenagem a William McKinley, o 25.º Presidente dos Estados Unidos. A ordem presidencial especificou, contudo, que o parque nacional que rodeia a montanha continuaria a chamar-se Denali National Park and Preserve.
Lago Ontário passa a Lago América
A mais recente mudança efetivamente determinada por Trump envolve um território partilhado com o Canadá. Em 27 de agosto de 2026, o Presidente assinou uma ordem executiva para que o Lago Ontário passasse a ser designado Lago América na nomenclatura federal norte-americana.
A decisão surgiu num contexto de fortes tensões comerciais entre Washington e Ottawa. Cerca de 52% da superfície do lago encontra-se no Canadá e o restante no Estado de Nova Iorque, razão pela qual o Governo canadiano rejeitou a nova designação. O primeiro-ministro Mark Carney e outras autoridades canadianas mantêm a designação Lago Ontário.
Google e Apple já passaram a apresentar Lago América aos utilizadores nos Estados Unidos. No Canadá, continua a aparecer Lago Ontário, enquanto utilizadores de outros países podem visualizar as duas designações.
Depois de ordenar a mudança do nome do Lago Ontário, Trump sugeriu que a sua política de renomeação poderia não ficar pelos lagos e golfos. O Presidente afirmou que, depois de ter “um golfo” e “um lago”, faltava um oceano e admitiu a possibilidade de alterar o nome do Atlântico, do Pacífico ou de ambos.
E o estreito de Ormuz?
A 2 de setembro, Trump levou a ideia para fora da América do Norte. Numa publicação na Truth Social, sugeriu que o estreito de Ormuz passasse a chamar-se “Estreito de Trump”, alegando que os Estados Unidos tinham o controlo da importante passagem marítima.
A sugestão surgiu no contexto da guerra entre os Estados Unidos e o Irão e das disputas sobre o controlo da estratégica via marítima. O estreito liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.
Horas depois, Trump desvalorizou a proposta, dizendo que tinha sido apenas uma ideia lançada no ar. A Casa Branca, contudo, chegou a publicar um mapa utilizando “Trump Strait”, dando maior visibilidade à sugestão.
E o Golfo Pérsico?
Trump também equacionou uma alteração para o Golfo Pérsico. Em maio de 2025, afirmou que iria decidir se os Estados Unidos passariam a utilizar Golfo Árabe ou Golfo da Arábia, designações defendidas por vários países árabes, em vez de Golfo Pérsico.
A possibilidade provocou uma forte reação no Irão, onde Golfo Pérsico é considerado uma designação histórica e culturalmente significativa. Trump não avançou, contudo, com uma alteração equivalente à que aplicou posteriormente ao Golfo do México ou ao Lago Ontário.
A estratégia de associação do nome Trump a locais e instituições não se limita a acidentes geográficos. Em julho de 2026, o aeroporto internacional de Palm Beach, na Florida, passou oficialmente a chamar-se President Donald J. Trump International Airport, depois de uma lei aprovada pelo Estado e assinada pelo governador Ron DeSantis.
A alteração teve um custo estimado de 5,5 milhões de dólares e incluiu a mudança do código aeroportuário de PBI para DJT. O aeroporto fica próximo de Mar-a-Lago, a residência de Trump na Florida.
Em Nova Iorque, a administração Trump também pressionou para que a Pennsylvania Station, em Manhattan, fosse renomeada. A possibilidade de Estação Trump está associada ao projeto de reconstrução da estação, mas a alteração não foi concretizada. Trump afirmou, por seu lado, que a ideia lhe tinha sido apresentada por outros políticos.
Resumidamente, Trump pode determinar alterações na nomenclatura utilizada pelo Governo federal através do sistema norte-americano de nomes geográficos, mas essas decisões não têm automaticamente efeito internacional. É o caso do Golfo do México, do Lago Ontário e, sobretudo, de uma eventual alteração do nome do estreito de Ormuz.
A nova proposta para o Novo México é ainda mais difícil de concretizar, porque o nome de um Estado não pode ser alterado simplesmente através de uma ordem presidencial. Por agora, Novo México continua a ser o nome oficial do Estado.
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