Trump promete pagar R$ 25.000 a cada americano se republicanos vencerem ‘midterms’
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu pagar US$ 5 mil (mais de R$ 25,5 mil, na cotação atual) a cada cidadão americano adulto caso o Partido Republicano seja bem-sucedido nas eleições de meio de mandato, em novembro, mantendo sua maioria no Congresso. A proposta veio durante um longo discurso, na noite de quarta-feira 9, durante um comício no Texas no qual ele atacou os democratas “radicais” e defendeu sua guerra no Irã, extremamente impopular entre os eleitores.
Plantadas bem no meio de cada mandato presidencial, as midterms, como são chamadas, quase sempre impõem derrotas ao mandatário em exercício — alvo fácil de todo tipo de insatisfação popular, que há de sobra para Trump. O presidente americano amarga 33% de aprovação, segundo pesquisa do jornal Financial Times, enquanto a desaprovação na casa dos 65%, a pior de seus dois mandatos, o coloca apenas 1% abaixo de Richard Nixon, que sofreu impeachment em função do escândalo de Watergate, e o aproxima de George W. Bush, que bateu o recorde de descontentamento (71%) no auge da guerra do Iraque e da crise financeira de 2008.
Há queda na aprovação até mesmo entre os republicanos. Atualmente, 72% dos partidários classificam de maneira positiva a gestão — menor índice da série histórica feita pelo Financial Times. Antes, o índice era de 74%. Entre os fatores para queda na avaliação do atual governo estão os rumos da economia e os impasses na guerra com Irã. Estes são os problemas que mais afetaram a percepção do americano junto ao chefe do Poder Executivo.
Promessa de R$ 5 trilhões
A proposta extravagante, que custaria mais de US$ 1 trilhão aos cofres públicos (mais de R$ 5 trilhões), imediatamente levantou questões éticas. No entanto, ela escancarou a dimensão da preocupação dos republicanos quanto com o pleito de novembro.
“Se os republicanos vencerem, vocês vencem conosco e recebem 5 mil dólares”, disse Trump a uma multidão de apoiadores, durante uma fala de quase duas horas na qual também instou os eleitores a “fingirem que estou na cédula” — apesar de sua impopularidade.
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Ameaça do ‘comunismo’
Cercado por trumpistas agitando bandeiras americanas, Trump afirmou, sem apresentar evidências, que seu segundo mandato havia sido “os dois anos de maior sucesso, no sentido financeiro e qualquer outro, na história da Presidência”, mas dedicou grande parte de seu discurso a semear medo sobre o que aconteceria caso os democratas tivessem maioria na Câmara ou no Senado nos dois anos finais de seu mandato.
“Há uma pequena nuvem doentia e louca pairando sobre o nosso país”, disse Trump. “Derrotaremos o comunismo na América.”
A impopularidade do ocupante do Salão Oval fez com que muitos republicanos em corridas acirradas faltassem ao evento que ganhou apelido de “Trumpapalooza”, a primeira convensão já realizada pelo partido para as midterms. No entanto, Trump deixou claro que acredita que ele será o fator decisivo em novembro.
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“Se perdermos, vocês perderão a fronteira, perderão os cortes de impostos, perderão a segurança e a proteção, perderão a sua riqueza. Vamos passar por um inferno, assim como passamos há apenas dois anos”, afirmou, referindo-se ao governo do democrata Joe Biden.
‘Ego frágil’ e ‘circo bizarro’
Trump passou vários minutos atacando democratas. Descreveu o candidato a senador James Talarico — que vai enfrentar Ken Paxton, escolhido a dedo pelo presidente americano —, por exemplo, como um “sujeito de aparência estranha”. Também direcionou a metralhadora verbal contra o Abdul El-Sayed, candidato ao Senado por Michigan, parte da ala mais à esquerda do Partido Democrata.
Em um comunicado, Ken Martin, presidente do Comitê Nacional Democrata, acusou os republicanos de promoverem um “circo bizarro” para agradar ao “ego frágil” do presidente.
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“Esta noite apenas confirmou que o presidente é um fracasso em fim de mandato que está arrastando seu partido para a derrota”, disse Martin.
Guerra impopular
Trump também fez várias referências ao conflito com o Irã, alertando Teerã para “não bancar o engraçadinho”, caso contrário, os Estados Unidos “teriam de atingi-los com muita força”.
Ele também pareceu reconhecer o impacto econômico causado pela disparada dos preços do petróleo (“detesto fazer isso com vocês), ligada ao fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, rota por onde passavam 20% do gás e petróleo consumidos no planeta e fechada pela república islâmica desde o início da guerra.
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No entanto, o mandatário americano voltou a justificar que os Estados Unidos precisavam iniciar o conflito porque o Irã estava “a duas, talvez três semanas de ter uma arma nuclear”.
Convenção ‘flop’
Comparada à convenção republicana para as eleições presidenciais de 2024 em Milwaukee, o primeiro dia do Trumpapalooza “flopou”. Não houve longas filas para entrar, nem esperas intermináveis para comprar comida ou usar o banheiro. Fileiras e fileiras de assentos ficaram vazias durante o discurso de Trump.
O presidente alegou, mesmo assim, que a arena estava lotada.
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“Não só está lotado, como há um número igual de pessoas do lado de fora”, declarou ele.
O Partido Republicano chegou a alertar, em meados de agosto, para interessados reservarem seus ingressos por receio de esgotarem. Em plena quarta-feira, com a convenção já em andamento, contudo, o site ainda estava vendendo entradas — compras que eram aprovadas instantaneamente.
A incomum convenção republicana conta com 12 horas de programação distribuídas por duas noites. Na quarta-feira, a lista de palestrantes incluiu candidatos e aliados leais a Trump, mas o caráter de espetáculo predominou: o presidente, fã de UFC, decidiu ser apresentado no palco por dois lutadores — o peso-médio Bo Nickal e o peso-leve Justin “The Highlight” Gaethje.
Trump voltará a discursar nesta quinta-feira, 10, mas afirmou que sua fala seria muito mais breve. Ao encerrar sua fala na quarta, pediu aos eleitores: “Por favor, finjam que sou eu quem está concorrendo”.
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