Ucrânia estraga férias aos russos e obriga-os a procurar alternativas
Mais de metade dos russos decidiu não tirar férias de verão este ano
A intensificação dos ataques ucranianos contra destinos turísticos tradicionais para russos, como a península ucraniana anexada da Crimeia, obrigou muitos viajantes a cancelarem as suas férias ou a procurar alternativas aos locais outrora concorridos.
"As vendas [de pacotes turísticos] foram afetadas sobretudo pela situação de segurança nas regiões do sul, pela acessibilidade dos transportes, pela situação ambiental, pelos problemas nos aeroportos [com atrasos nos voos] e pela escassez de combustível nos postos de abastecimento de combustível", observa a agência Multitour.
A 3 de agosto, sete pessoas, incluindo três crianças, morreram na estância balnear de Gelendzhik, no Mar Negro, quando um drone inimigo explodiu numa praia repleta de banhistas, depois de ter sido abatido pelas defesas aéreas russas.
A Crimeia já não é a "Benidorm russa"
De acordo com dados da Intourist, citados pela agência de notícias Interfax, a Crimeia, um destino de verão popular para os russos desde os tempos soviéticos, foi a mais afetada pela queda das vendas, que caíram a pique 67%.
Os especialistas apontam que julho foi o mês mais difícil para o setor hoteleiro da península, conhecida pelo seu clima temperado e subtropical. A ocupação hoteleira desceu para níveis críticos e, embora os preços tenham diminuído, os turistas optaram, na sua grande maioria, por destinos alternativos.
De acordo com a consultora Umbrella Consulting Group, a ocupação hoteleira na Crimeia durante esse mês sofreu uma quebra catastrófica. Os apart-hotéis registaram uma taxa de ocupação de apenas 35%, e os hotéis de quatro estrelas, de 45%.
Nem o segmento premium escapou à crise: os hotéis de cinco estrelas registaram uma taxa de ocupação de apenas 42%, menos 30% do que no ano anterior. Estas estatísticas contrastam fortemente com as de Junho, quando a ocupação hoteleira ultrapassou os 60%.
A situação também não melhorou em agosto, uma vez que, segundo a Associação Hoteleira da Crimeia, a ocupação hoteleira durante esse mês foi de apenas 30%.
Mas o dado que mais alarma os especialistas está relacionado com os cancelamentos, que, de acordo com alguns relatórios, chegaram aos 80%. Isto significa que até os poucos turistas que tinham planeado uma viagem mudaram de ideias no último minuto.
O presidente da Associação Hoteleira da Crimeia admitiu que a região só conseguirá atingir os níveis de fluxo turístico da era soviética (oito milhões de turistas por ano) daqui a cerca de dez anos.
Em busca de sol e areia
Apesar das dificuldades em encontrar férias de verão seguras e acessíveis, o sol e as férias na praia continuam a ser uma das principais prioridades para os turistas russos.
"As viagens para o litoral continuaram a ser uma prioridade nesta estação; os turistas não abandonaram as suas férias na praia", observa a agência de viagens Coral Travel.
Um dos destinos favoritos dos russos continua a ser a estância balnear de Sochi, no Mar Negro, que também foi afetada pelo ressurgimento dos ataques ucranianos às infraestruturas no sul do país.
De acordo com a agência Multitour, as vendas de viagens para Sochi este verão diminuíram entre 10% e 15%. No entanto, em comparação com o colapso das vendas na Crimeia, Sochi ainda se mantém firme, dizem os analistas.
Ao mesmo tempo, são cada vez mais os turistas que optam por passar férias na cidade de Anapa, também no Mar Negro.
"Anapa tornou-se uma alternativa mais acessível a Sochi. A procura aumentou significativamente em relação ao ano passado", afirma a Coral Travel.
Os turistas que tinham condições para viajar para o estrangeiro optaram por passar férias na Turquia, no Egipto ou nas costas da região separatista georgiana da Abecássia.
Sem férias à vista
A incerteza quanto à segurança dos destinos e os preços elevados levaram muitos russos a abdicar das férias de verão ou a passá-las nas suas dachas ou casas de campo.
De acordo com as sondagens, mais de 55% dos russos não tiraram férias este verão. Entretanto, 20% teriam preferido relaxar nas suas dachas, longe do alcance dos drones inimigos.