UE pede processo "transparente e inclusivo" após referendo constitucional na Guiné-Bissau vencer com 70%
A União Europeia afirmou esta quinta-feira ter tomado nota dos resultados do referendo constitucional na Guiné-Bissau e defendeu que qualquer mudança institucional deve basear-se num “processo transparente, inclusivo e pacífico”.
Numa mensagem divulgada nas redes sociais, o porta-voz da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Anouar El Anouni, refere que o bloco “tomou nota dos resultados proclamados no referendo constitucional”.
“Qualquer mudança institucional deve assentar num processo transparente, inclusivo e pacífico, em conformidade com o Estado de Direito”, afirma.
#GuineaBissau: The EU takes note of the constitutional referendum proclaimed results. Any institutional change must rest on a transparent, inclusive and peaceful process, in line with the rule of law. We welcome @ECOWAS_CEDEAO mediation towards a return to constitutional order.
— Anouar El Anouni ???????? (@AnouarEUspox) September 3, 2026
A UE saúda ainda “a mediação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para o regresso à ordem constitucional”.
A presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, a juíza Cármen Lobo, anunciou esta terça-feira que o “sim” venceu o referendo de domingo sobre a entrada em vigor de uma nova Constituição, com 70% dos votos.
Numa comunicação transmitida em direto nos órgãos de comunicação social locais, Cármen Lobo afirmou que dos 914.428 eleitores inscritos para votar, 572.714 exerceram o seu direito cívico e destes 383.117 votaram a favor da nova Constituição.
A presidente da CNE indicou que 160.904 eleitores votaram “não”, o que corresponde a 30%.
“Com este resultado o voto ‘sim’ obteve a maioria”, declarou a líder da CNE.
No domingo, o povo guineense foi chamado para votar em referendo uma nova Constituição. Segundo a oposição, o referendo constitucional foi um “fracasso total” devido a uma taxa de abstenção superior a 90%.
Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro de 2025, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, afastaram do poder o então Presidente eleito, Umaro Sissoco Embaló, e avançaram com uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado.
A oposição considerou que se tratou de um golpe de Estado encenado para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 6 de dezembro.