Candidata da UP, Samara Martins quer dobrar salário mínimo - 29/08/2026 - Política - Folha

🗓️ 2026-08-30 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Única mulher negra candidata à Presidência, Samara Martins (UP), 38, defende aumentar em 100% o salário mínimo e acabar com a escala de trabalho 6 por 1.

Natural de Belo Horizonte, brinca ser "potineira": mora em Natal (RN), onde constituiu família, se formou pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e hoje trabalha como cirurgiã-dentista no SUS (Sistema Único de Saúde).

Faz política desde a adolescência. Participou do movimento estudantil, integrou o grêmio escolar e integrou a mobilização pelo passe livre.

Mais tarde, foi diretora de mulheres da UNE (União Nacional dos Estudantes), militou no movimento de mulheres Olga Benário e coordenou a Frente Negra Revolucionária, uma iniciativa da Unidade Popular de combate ao racismo.

A candidata chega à disputa presidencial como cabeça de chapa após concorrer à Vice-Presidência em 2022 ao lado de Leonardo Péricles (UP). A dupla obteve pouco mais de 53 mil votos, ou 0,05%.

Quatro anos depois, Samara diz que a diferença está no fortalecimento do partido, que passou de 3.210 filiados para 16.527 agora em 2026.

Sem recursos para viagens e materiais, ela conta que aquela candidatura dependeu da militância e das contribuições dos filiados, o que não mudou muito neste ano.

A candidata afirma que continuou trabalhando como dentista até o início de julho, conciliando emprego com viagens de pré-campanha.

De acordo com pesquisa Datafolha de julho, a presidenciável da UP soma 1% das intenções de votos para presidente, desempenho que ela minimiza.

"Queremos que neste ano seja a primeira eleição dos nossos deputados federais e estaduais", diz, em entrevista à Folha na sede paulista da UP, no centro da capital.

A candidatura de Samara se define como uma alternativa socialista à esquerda tradicional, mas sem inspiração em Cuba, Venezuela, China ou Vietnã. Ela fala em "socialismo brasileiro".

Indagada sobre como seriam seus primeiros cem dias no Palácio do Planalto, ela cita o calote —ou suspensão, como prefere— da dívida pública como medida mais importante.

Na sequência, aparecem a reestatização de empresas públicas privatizadas e a nacionalização de recursos estratégicos, como terras raras, petróleo e minérios.

E prossegue: "A nacionalização dos bancos para que o dinheiro do povo brasileiro não esteja à mercê dos bancos privados, que usam para especulação, para o rentismo, como foi o escândalo do Banco Master".

Ela defende a criação de frentes emergenciais de trabalho, a diminuição da jornada e o aumento do salário —tudo empacotado em um plano para reindustrializar o país.

Samara rejeita integrar uma federação com partidos como PT e PSOL ou PSTU e PCB. Diz que a UP prioriza alianças "programáticas" em pautas como o fim da escala 6 por 1, e não acordos eleitorais entre as legendas.

Também resiste a se antecipar sobre eventual apoio a Lula (PT) em segundo turno das eleições, embora diga que o petista e Flávio Bolsonaro (PL) não são "a mesma coisa".

Após ser oficializada candidata a presidente, Samara afirma que sofreu ataques nas redes sociais: comentários sobre seu cabelo, sua pele e até sua higiene.

"Há uma violência política muito grande que demonstra toda a misoginia, todo o patriarcado, todo o machismo e todo o racismo dessa sociedade", afirma.

A candidata diz já ter feito um boletim de ocorrência e que pretende levar os responsáveis à Justiça.

No campo de gênero, a candidata defende a criminalização da misoginia e a implementação de uma educação não sexista nas escolas, assim como políticas de moradia e renda para mulheres em situação de violência.

O plano de governo da UP para a Presidência tem duas páginas. Questionada, Samara afirma que esse texto foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pela exigência legal, mas que devem lançar um novo programa mais detalhado.

"A gente não conseguiu no tempo que a gente queria. Vamos apresentar [um novo plano de governo], até porque já temos um programa, que é o programa da Unidade Popular."