Vai atingir "uma intensidade muito forte": maior autoridade mundial sobre o clima alerta que o El Niño vai intensificar-se ainda mais

🗓️ 2026-09-03 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A intensidade que o El Niño deverá atingir terá origem, em parte, nas temperaturas excecionalmente elevadas no Pacífico tropical, que, do lado da América Latina, banha as costas do Equador, Colômbia e Peru, entre outros países

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), a maior autoridade científica em questões climáticas, confirmou esta quinta-feira que o fenómeno El Niño vai intensificar-se ainda mais até atingir uma intensidade muito forte e que persistirá, pelo menos, até fevereiro próximo, alterando os padrões de precipitação e temperatura em todo o mundo.

“O episódio de El Niño consolidou-se e, nos próximos meses, vai intensificar-se até se transformar num evento de intensidade muito forte”, de acordo com as previsões coincidentes de especialistas e das organizações mais avançadas de todo o mundo que estudam este fenómeno, que costuma ocorrer a cada dois a sete anos.

As alterações na temperatura e nos padrões de precipitação vão aumentar os riscos de inundações, secas e calor extremo, reconheceu em Genebra a argentina Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, uma das principais organizações científicas das Nações Unidas.

A intensidade que o El Niño deverá atingir terá origem, em parte, nas temperaturas excecionalmente elevadas no Pacífico tropical, que, do lado da América Latina, banha as costas do Equador, Colômbia e Peru, entre outros países. Prevê-se que o fenómeno atinja o seu “apogeu” no final deste ano, embora os seus efeitos continuem a fazer-se sentir já em 2027.

A ocorrência do El Niño está a causar preocupação em diferentes partes do mundo, que costumam sentir de forma mais intensa os seus efeitos e até sofrer vários tipos de desastres naturais associados ao fenómeno. Em regiões como a América Central, a alteração das chuvas provocou uma forte seca e escassez de água, com consequências catastróficas para as culturas de milho e milhares de famílias camponesas já afetadas.

Na Índia, as chuvas das monções ficaram abaixo do normal em agosto e espera-se que estas condições se mantenham em setembro, o que também terá efeitos prejudiciais na agricultura. Partes de África, do Sudeste Asiático e da Austrália também costumam registar chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terras quando ocorre o El Niño.

Do ponto de vista social, o impacto mais grave é a diminuição da produção agrícola, que pode privar as comunidades do acesso aos alimentos e provocar um aumento dos preços no resto do mundo. A este cenário somam-se os efeitos do conflito entre o Irão e os Estados Unidos e o encerramento do Estreito de Ormuz.

Saulo defendeu que “este episódio excecional de El Niño exige medidas de preparação e resposta excecionais” e destacou a mobilização sem precedentes dos serviços meteorológicos e hidrológicos de todos os países. A OMM indicou que cabe agora aos governos e a outras instâncias de decisão avaliar esta informação e definir as medidas a tomar.

Um dos fatores que mais alarma os cientistas é o aumento excessivo das temperaturas do mar, não apenas à superfície, mas também nas camadas abaixo desta. À superfície, os valores ultrapassaram largamente os registos normais, com aumentos de até 2,6 graus Celsius e temperaturas que não deixaram de subir nas últimas semanas.

Já abaixo da superfície do oceano, “o calor acumulado alcança uma magnitude ainda mais excecional”, uma vez que, em algumas zonas, as temperaturas ultrapassaram a média em mais de 8 graus.