Amaury Jr - Valentino leva literatura à passarela e faz dos livros um manifesto da moda
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Por Gabriela Rosa
Moda e literatura sempre tiveram algo em comum: ambas constroem personagens, atravessam épocas e nos permitem experimentar outras versões de nós mesmos. Na temporada de Paris, a Valentino levou essa relação para além da inspiração estética.
Sob a direção criativa de Alessandro Michele, a maison escolheu a histórica Bibliothèque Sainte-Geneviève como cenário de seu desfile, aproximando dois universos que, à primeira vista, parecem distintos, mas que compartilham a capacidade de contar histórias.
Desfile é batizado de "Antilibrary", que propõe uma reflexão sobre a maneira como construímos nossa identidade
Imagem: ReproduçãoO conceito ganhou ainda mais força antes mesmo de os convidados ocuparem seus lugares. O convite pedia que cada pessoa levasse um livro. Que poderia ser novo ou retirado da própria estante, para ser posteriormente doado a bibliotecas. Falando em uma indústria acostumada a convites elaborados e objetos de desejo, substituir o excesso por um gesto ligado ao conhecimento diz muito sobre o momento atual.
Batizado de "Antilibrary", o desfile também propôs uma reflexão interessante sobre a maneira como construímos nossa identidade. Assim como nossas roupas, os livros que escolhemos carregam referências, memórias, desejos e até versões de quem gostaríamos de ser.
Sob a direção criativa de Alessandro Michele, a maison escolheu a histórica Bibliothèque Sainte-Geneviève como cenário de seu desfile
Imagem: ReproduçãoProvavelmente é por isso que a aproximação entre moda e literatura parece tão natural: vestir e ler são, cada um à sua maneira, exercícios de imaginação e de construção pessoal.
Em tempos dominados por conteúdos rápidos, algoritmos e imagens que desaparecem em segundos, ver uma das grandes maisons internacionais colocar o livro no centro da conversa cultural é significativo. A Valentino nos lembra que moda não precisa existir apenas para apresentar tendências.
Moda e literatura constroem personagens, atravessam épocas e nos permitem experimentar outras versões de nós mesmos
Imagem: ReproduçãoMas ela também pode provocar reflexão. Afinal, roupas e livros possuem um poder semelhante: nos transportar para vidas que ainda não vivemos e, quem sabe, nos ajudar a compreender melhor aquela que escolhemos viver.