Venda da SAF do Vasco avança na Justiça e pode movimentar mais de R$ 3 bilhões | Torcedores | Notícias esportivas

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Venda da SAF do Vasco avança na Justiça e pode movimentar mais de R$ 3 bilhões

Pedrinho no Vasco. Foto: Fabio Giannelli/AGIF/Alamy

O processo para a venda da SAF do Vasco avançou e agora aguarda uma decisão da Justiça para entrar em uma etapa decisiva. O grupo liderado por Marcos Lamacchia realizou alterações no contrato após pedidos dos responsáveis pela fiscalização da recuperação judicial.

Segundo André Sica, advogado do empresário, um aditivo com as mudanças já foi assinado e encaminhado novamente ao juízo. A expectativa do investidor é que a Justiça autorize a publicação do edital para iniciar o processo competitivo.

Caso o negócio avance nos termos apresentados, o compromisso financeiro vai muito além de um simples pagamento pela aquisição das ações. Segundo Sica, estão previstos recursos para futebol e infraestrutura, além da cobertura de dívidas e déficits futuros.

Proposta prevê R$ 500 milhões para o futebol do Vasco

De acordo com o advogado, a operação prevê R$ 500 milhões destinados especificamente ao futebol e outros R$ 150 milhões para o centro de treinamento. Também está previsto o perdão de R$ 80 milhões referentes a um empréstimo.

O maior impacto financeiro, porém, aparece nas obrigações assumidas pelo investidor. Sica afirmou que aproximadamente R$ 1,3 bilhão em dívidas concursais e extraconcursais estão contemplados pela operação.

Além disso, o acordo prevê a cobertura do déficit de caixa do Vasco durante os próximos cinco anos. A estimativa apresentada pelo advogado é de aproximadamente R$ 300 milhões anuais. Se esse déficit alcançar o valor projetado durante todo o período, seriam outros R$ 1,5 bilhão.

Somados os valores citados pelo advogado, os compromissos relacionados à operação podem superar R$ 3,5 bilhões. Isso não significa, porém, um aporte imediato desse montante no caixa do Vasco. Parte corresponde a investimentos direcionados, outra ao pagamento ou perdão de dívidas e outra à cobertura de déficits futuros.

O que falta para a venda da SAF do Vasco?

O negócio ainda não está concluído. Neste momento, o grupo de Lamacchia aguarda a Justiça autorizar a abertura do processo competitivo.

Esse procedimento permitirá que terceiros apresentem propostas pela SAF. Portanto, o acordo existente não garante automaticamente que Lamacchia será o comprador.

Caso nenhuma proposta concorrente supere a apresentada pelo empresário, a oferta poderá ser declarada vencedora pelo juízo.

Depois disso, começa a etapa de fechamento da operação. O negócio ainda precisará passar pelos procedimentos internos do Vasco, incluindo Conselho Deliberativo e Assembleia Geral. Também será necessário constituir a nova SAF antes da conclusão definitiva da transação.

“A gente está no ponto de partida, que é a solicitação para abertura do processo competitivo, que deve ocorrer, se tudo der certo dentro do nosso cronograma, nos próximos dias”, explicou Sica.

A expectativa apresentada pelo advogado é concluir o processo competitivo até o final de setembro. O prazo, entretanto, não é definitivo.

Impugnações de terceiros ou novas discussões judiciais podem atrasar o cronograma. Por outro lado, a etapa pode terminar antes caso não apareçam obstáculos relevantes.

Depois do processo competitivo, o ritmo dependerá também das instâncias políticas do próprio Vasco. De acordo com Sica, o grupo não pretende estabelecer um calendário para as aprovações internas porque considera que essa decisão cabe ao clube.

Contrato da SAF precisou passar por ajustes

Antes de devolver a documentação à Justiça, os responsáveis pela fiscalização solicitaram diferentes modificações no acordo.

Uma delas envolveu a redução do chamado break-up fee. Trata-se de uma multa prevista para o Vasco caso Lamacchia não seja o vencedor do processo competitivo.

Também foi solicitado um complemento de garantia para uma eventual falha na comprovação da capacidade econômico-financeira necessária para cumprir as obrigações previstas na recuperação judicial.

Outro pedido envolveu a definição mais clara do fluxo utilizado para pagar as dívidas da recuperação judicial.

Os custos dos assessores judiciais também passaram a integrar as despesas previstas na operação. De acordo com Sica, essas alterações não modificaram o mérito da proposta apresentada pelo investidor.

Vasco terá representante no Conselho de Administração

Mesmo com a entrada de um sócio majoritário, a associação Vasco da Gama continuará participando da fiscalização da SAF. Sica confirmou que o clube terá um representante no Conselho de Administração.

Além disso, a própria Lei da SAF estabelece proteções para a associação originária em determinados assuntos. Questões envolvendo símbolos, sede e identidade do clube, por exemplo, possuem mecanismos específicos de proteção.

A estrutura pretende evitar uma ruptura completa entre a associação e a administração do futebol mesmo depois da transferência do controle da SAF.

Advogado chama operação de uma das mais fiscalizadas do Brasil

Ao comentar os questionamentos sobre o negócio, Sica destacou a quantidade de órgãos e profissionais envolvidos na análise da venda.

“A operação do Vasco é a operação mais publicizada do Brasil, ou talvez uma das mais publicizadas entre todas as operações que já houve no país”, afirmou.

A recuperação judicial aumenta esse nível de controle. De acordo com o advogado, os administradores judiciais acompanham o fluxo financeiro do Vasco e até contratações realizadas pelo clube são comunicadas à magistrada responsável pelo processo.

A operação também envolve o watchdog, escritórios de advocacia, assessores financeiros e outras estruturas de fiscalização.

Agora, o próximo passo depende justamente de uma dessas instâncias. Com o contrato ajustado e novamente entregue à Justiça, Vasco e o grupo de Lamacchia aguardam a autorização para publicar o edital e abrir oficialmente a disputa pela SAF.