Vendas mundiais de carros estão em quebra muito devido a dois países
O mercado automóvel está em quebra este ano e assim deve continuar. É o que sugere um relatório divulgado esta quinta-feira (30 de julho) pela Agência Internacional de Energia (AIE).
A entidade explica que na primeira metade deste ano a comercialização de carros caiu cinco por cento face ao mesmo período de 2025, principalmente devido à queda nos dois maiores mercados, China e Estados Unidos.
A razão são as pressões económicas, num contexto marcado sobretudo devido ao impacto da guerra no Médio Oriente (iniciada em 28 de fevereiro), os elevados preços dos combustíveis e a algumas mudanças nas políticas que afetam o setor.
Na China, por exemplo, o ano começou com uma diminuição do subsídio para comprar os carros mais acessíveis, registando uma quebra de 30 por cento da venda de carros no primeiro semestre "sobretudo devido aos veículos convencionais", pode ler-se. A Associação de Carros de Passageiros da China previu em meados do mês passado que as vendas no país caiam 14 por cento face a 2025. Mas há quem faça estimativas diferentes, entre três e 20 por cento.
Quanto aos EUA, até ao fim de junho as vendas automóveis baixaram três por cento ao comparar com o período homólogo de 2025 - sendo projetado que o valor da queda se mantenha no final do ano.
Também a AIE espera uma recuperação das vendas no segundo semestre, mas que fiquem dois por cento abaixo do nível de 2025 no final do ano.
Carros elétricos não escapam à queda (por causa da China)
O decréscimo atinge também os automóveis elétricos (menos um por cento), neste caso com um forte impacto da quebra de 29 por cento na China - apesar dos aumentos em 90 países, incluindo muitos europeus.
No total, os elétricos representaram 24 por cento de todas as matrículas no mundo no período, mais um ponto percentual do que entre janeiro e junho de 2025. Só no segundo trimestre (entre abril e junho) as matrículas de carros elétricos em todo o mundo aumentaram quatro por cento face ao mesmo período de 2025 e, sobretudo, subiram 35 por cento face ao primeiro trimestre, com mais de cinco milhões de unidades vendidas.
A Europa foi a região do mundo onde se registou o maior aumento nas vendas de carros elétricos no primeiro semestre, com um aumento de 30 por cento do que na primeira metade de 2025. Na Alemanha foram mais 140 mil veículos elétricos do que na primeira metade de 2025, no Reino Unido mais 100 mil, em França mais 95 mil, em Itália mais 75 mil e em Espanha mais 40 mil.
O elemento crucial para determinar o ritmo de recuperação global ao longo do ano será novamente a China, onde se espera que este ano sejam comercializados um número de veículos elétricos semelhante ao de 2025 e que a quota dos mesmos suba para mais de 60 por cento.
Outro fator importante é a queda de 20 por cento das vendas de carros na China no primeiro semestre (menos cerca de 2,5 milhões de veículos matriculados) que levou os fabricantes do país a aumentar em 65 por cento as exportações.
No caso dos elétricos, o impulso das exportações de veículos chineses foi ainda maior, de 120 por cento, e representaram mais de 45 por cento dos carros fabricados na China que foram destinados aos mercados externos.

Carros elétricos podem ser quase um terço das vendas mundiais este ano
Este ano, os carros elétricos podem representar quase um terço de todas as vendas automóveis: 29 por cento. É uma estimativa da Agência Internacional da Energia, que foi revista em alta.
Lusa | 09:59 - 30/07/2026