Venezuela desbloqueia sites de notícias censurados há anos - 17/09/2026 - Mundo - Folha
Diversos sites de notícias que estavam censurados na Venezuela havia anos foram desbloqueados, anunciou a agência reguladora de telecomunicações nesta quinta-feira (17). A medida veio horas antes do início da segunda rodada de negociações políticas entre o governo interino e a oposição.
A liberdade de expressão será um dos temas abordados na mesa de diálogo, patrocinada pelos Estados Unidos, que será retomada nesta quinta em Caracas. A primeira rodada aconteceu em agosto.
Oito meses após a intervenção dos EUA para capturar Nicolás Maduro, a Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) anunciou em seu site o "restabelecimento formal do acesso a diversas plataformas e veículos de mídia digital nacionais e internacionais". Jornalistas e ONGs denunciam há anos o bloqueio de sites como um mecanismo de censura.
O site de notícias NTN24 confirmou que "após o anúncio do regime, na noite de quarta-feira, foi verificado na Venezuela, com diferentes provedores de internet, que o acesso ao www.ntn24.com era possível sem o uso de uma VPN". A sigla em inglês se refere a uma rede privada virtual que mascara o "endereço" do usuário e criptografa sua conexão, permitindo acessar conteúdos bloqueados localmente.
Os veículos de comunicação venezuelanos El Nacional, Efecto Cocuyo e El Pitazo também foram removidos da lista de censura.
A ONG de direitos digitais VE Sin Filtro verificou o acesso a dez sites por meio de diversos provedores de internet. Ainda assim, relata que há pelo menos 194 sites bloqueados no país, incluindo 84 veículos de notícias.
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A chefe da delegação da oposição, Dinorah Figuera, comemorou a decisão. "Este é um primeiro passo. Muitos meios de comunicação ainda estão ausentes e todos precisam retornar, integralmente e em definitivo", ponderou.
A medida foi recomendada horas antes pelo Programa para a Paz e a Coexistência Democrática, uma organização não governamental criada pela líder interina, Delcy Rodríguez, que governa sob pressão de Washington.
A proposta surgiu após "um processo de consulta com diferentes setores da mídia", explicou o programa em suas redes sociais.
A abertura dos sites ocorre em meio a uma transição política ainda sem prazo definido para a realização de eleições. Delcy assumiu em janeiro, após a captura de Maduro. Desde então, Washington passou a exercer forte influência sobre o regime venezuelano, enquanto a oposição participa de negociações para definir os termos de uma eventual transição democrática.
Em agosto, Caracas anunciou a libertação de 131 presos políticos, uma das principais medidas decorrentes das negociações com a oposição. O processo também envolve a discussão sobre a criação de condições para uma futura eleição e sobre a libertação dos demais presos políticos.
A questão eleitoral, porém, permanece em aberto. No início de setembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Venezuela ainda não estava pronta para realizar novas eleições, oito meses depois da captura de Maduro. A declaração ocorreu após Washington e Caracas anunciarem um acordo para ampliar a participação americana na indústria petrolífera venezuelana.
O papel de Delcy também é um dos pontos centrais da transição. Ex-vice de Maduro, ela permaneceu no comando do regime chavista após a operação americana e passou a negociar diretamente com Washington.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, mantém contato direto com Delcy, e sua equipe passou a exercer influência sobre as receitas obtidas com as exportações de petróleo venezuelano e sobre a forma como esses recursos poderiam ser utilizados.