Venezuela prepara casas para milhares de desalojados pelos sismos
Delcy Rodríguez indicou que está a ser avaliada a possibilidade de certificar parcelas adequadas para a construção de habitações em zonas consideradas seguras, ao mesmo tempo que prosseguem os trabalhos de conclusão de edifícios e a implementação de outras soluções "imediatas" para as famílias que permanecem em centros temporários de acolhimento.
"Viemos visitar vários terrenos no estado de La Guaira, onde os sismos provocaram mais de 5.300 mortes, e os estudos preliminares indicam que é possível construir habitações", afirmou a governante, salientando os progressos das avaliações técnicas no terreno, segundo reportou o jornal venezuelano El Universal.
Delcy Rodríguez precisou que foram inspecionados cerca de 580 mil metros quadrados de terreno, onde poderão ser construídas mais de 25 mil habitações projetadas "de acordo com rigorosas normas antissísmicas e estudos sobre a capacidade de carga dos solos".
Nas inspeções participaram o comissário presidencial para a Habitabilidade, Francisco Garcés, e a ministra da Habitação, Paola Posani.
Segundo Rodríguez, as equipas técnicas, coordenadas por Francisco Garcés, continuam a avaliar a viabilidade da construção naquela área.
No âmbito do processo de reconstrução, foram também realizados no estado de La Guaira levantamentos cartográficos de detalhe e estudos geotécnicos.
Segundo a presidente interina, estes trabalhos destinam-se a organizar a transferência das pessoas afetadas pelos sismos, avaliar os riscos associados a futuros abalos sísmicos e deslizamentos de terras e identificar terrenos seguros para a construção de novas habitações.
"Continuamos a trabalhar sem descanso e o Plano Venezuela Renasce está a recuperar as habitações que necessitam de obras para que as pessoas possam regressar às suas casas", afirmou Rodríguez, um dia depois da entrega de 240 habitações a famílias afetadas pelos sismos devastadores.
Os sismos registados na Venezuela a 24 de junho causaram pelo menos 5.346 mortos e 16.740 feridos, segundo o mais recente balanço oficial, divulgado na terça-feira.
Entre os mortos, há pelo menos 121 portugueses e lusodescendentes, e outros 49 estão desaparecidos.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia (UE), enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
As autoridades não avançaram dados sobre desaparecidos, mas a ONU estimou, dois dias após o desastre natural, que poderiam chegar a 50.000, embora outras projeções apontem para cerca de 10.000.
Leia Também: Número de mortos nos sismos da Venezuela aumenta para 5.346