Venezuelano baleado pela polícia de imigração dos EUA aguarda deportação com bala no corpo há 1 dia

🗓️ 2026-09-21 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

O jovem imigrante venezuelano Wilber Garces Perez, ferido pela polícia de imigração norte-americana (ICE) em Austin (Texas) no domingo, afirmou hoje que ainda tem a bala no corpo, enquanto aguarda deportação.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

“Sinto muitas dores porque o tiro fraturou-me a clavícula. No hospital, não conseguiram extrair a bala porque está perto da medula espinal. Ainda tenho a bala no corpo”, relatou Perez por telefone na segunda-feira, a partir do centro de detenção para onde foi transferido, numa conferência de imprensa realizada pela sua advogada e por apoiantes políticos e de associações.

A sua advogada, Kate Lincoln-Goldfinch, esclareceu que Perez foi atingido “na nuca”.

“Ele está atualmente detido em Pearsall (um centro do ICE no Texas, a duas horas a sul de Austin) para ser interrogado (…) Teve de dormir no chão”, afirmou a advogada na rede social X.

No dia anterior, o Departamento de Segurança Interna (DHS) tinha informado que o seu estado era “estável” e que estava “sob custódia das autoridades federais a aguardar a sua deportação”.

Continue a ler após a publicidade

Continue a ler após a publicidade

Garcés Pérez estava a fazer uma entrega através da plataforma DoorDash quando foi baleado durante uma operação policial de trânsito, segundo afirmou.

“Fiz o retorno e foi aí que começaram a perseguir-me, como se eu fosse fugir. Mas eu estava à procura de um local seguro para estacionar o meu carro. Foi então que bateram no meu carro duas vezes e dispararam”, relatou hoje o jovem venezuelano.

“Estava praticamente inconsciente” quando a ambulância chegou, continuou, acrescentando que só recebeu um analgésico de madrugada, antes de ser transferido para o centro de detenção.

Organizações de venezuelanos no exílio apelaram hoje ao Governo norte-americano para evitar “perseguições à comunidade venezuelana”, na sequência do caso de Perez.

A Associação Multicultural de Ativistas Voz e Expressão (Amavex) e a organização Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio (Veppex), com sede na Florida, manifestaram “a sua mais veemente rejeição” ao incidente ocorrido no domingo.

Continue a ler após a publicidade

“A aplicação das leis migratórias não concede licença para disparar, humilhar, manter incomunicável ou colocar em risco a vida de uma pessoa. Nem pode transformar-se numa perseguição dirigida à comunidade venezuelana ou a qualquer comunidade imigrante”, afirmaram as organizações, em comunicado.

As organizações de exilados consideraram “insuficiente” a resposta do Departamento de Segurança Interna (DHS), que anunciou uma investigação conduzida pela sua unidade de Investigação de Segurança Interna, com o apoio da polícia federal norte-americana (FBI).

Os grupos pediram ao secretário de Estado, Marco Rubio, que intervenha publicamente “em defesa da vida, da dignidade e dos direitos fundamentais dos venezuelanos” e solicite esclarecimentos sobre a localização e as condições de detenção de Garcés Pérez.

O DHS afirmou que o venezuelano se encontrava ilegalmente nos Estados Unidos e tinha uma ordem definitiva de deportação, mas não esclareceu o que motivou o disparo.

A defesa contestou esta versão, afirmando que Garcés Pérez é requerente de asilo, entrou no país através de um programa de autorização de permanência temporária e não tem antecedentes criminais.

Continue a ler após a publicidade

As organizações venezuelanas juntaram-se a congressistas que exigem uma investigação “independente, transparente e imparcial”, bem como a preservação e divulgação, nos termos da lei, das gravações das câmaras corporais dos agentes, comunicações operacionais e outras provas.

O incidente ocorre num contexto de intensificação das operações de fiscalização migratória durante o segundo mandato de Donald Trump, com o ICE a registar mais de 50 mil detenções mensais em julho e agosto.

Pelo menos quatro pessoas morreram este ano na sequência de disparos efetuados por agentes federais durante operações de imigração, segundo os dados citados pelas organizações.