Ventura acusa Carneiro de "hipocrisia": "Fugir à responsabilidade"

🗓️ 2026-10-19 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O presidente do Chega, André Ventura, acusou, esta segunda-feira, o Partido Socialista (PS) de "hipocrisia", na sequência das declarações dados pelo líder socialista, José Luís Carneiro. 

"Quando o líder de um partido que faz diferença na matemática na Assembleia - que, como toda a gente sabe, só o Chega, o PSD e o PS podem fazer a aprovação verdadeira de diplomas - decide dar luz verde ao orçamento sem o conhecer e dar um conjunto de medidas avulsas que o Governo pode decidir por sua vontade sem sequer serem escrutinadas, que terão a viabilização do PS, isto é que é hipocrisia, isto é que não querer saber das pessoas", afirmou, em conferência de imprensa, na sede da Lisboa. 

Para André Ventura, "quando o PS terminou o seu governo, o preço das casas tinha subido 90% desde 2015 - o início do governo da Geringonça". O líder do Chega aponta ainda que, "mesmo comparando rendas, houve um aumento de 30% desde o início do governo socialista". 

Ventura recuou até 2018, dizendo que, na altura, o então primeiro-ministro, António Costa, "falou ao país em nome da Geringonça" e prometeu que "nos 50 anos do 25 de Abril" acabaria "a carência habitacional" e passaria "a ter habitação para todos". 

"António Costa, em nome da Gerigonça, em nome dos líderes do BE, PCP, anuncia que haverá casas para todos em 2024. Chegamos a 2024. Não só não há casas para todos, como há casas para muito menos gente", salientou.

E acrescentou: "Chegamos a 2026. Não só não há casa para todos, há imensa gente sem casa, como deixaram entrar no país cerca de 1.6 milhões de pessoas que igualmente precisavam de casa e muitas deles também não a têm". 

André Ventura foi, no entanto, mais longe, sublinhando que "quem anda na rua a protestar em nome da Esquerda por querer mais habitação devia lembrar-se que foi a Esquerda precisamente, com o BE e PCP que estavam a governar ou a apoiar a governação, quando tivemos a maior crise de habitação em Portugal". 

"Isto é que é hipocrisia. Fugir a isto é fugir à nossa própria responsabilidade que é o que o líder do PS está a fazer", atirou. 

"O Chega não esteve no governo nem com o PS nem está com o PSD. É, por isso, livre de perceber que a crise que vivemos na habitação é uma crise transversal, não é uma crise da classe baixa, alta ou média. É uma crise que afeta a generalidade da população portuguesa, que toca a todos e que afeta indiretamente toda a população".

"Por isso, não devemos deixar que os protestos e as exigências em matéria de habitação sejam de um grupo de arruaceiros incentivados pela Esquerda ou pela extrema-esquerda, mas fazer desta uma causa nacional das pessoas que trabalham, que se esforçam e que têm o direito a ter uma habitação digna em Portugal", apontou. 

De recordar que, no domingo, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou que André Ventura poderá ganhar o Nobel da hipocrisia porque se mostra preocupado com a habitação, mas apoia a lei das rendas do Governo. 

"Eu diria que ele está mesmo em condições de poder ganhar o prémio Nobel da hipocrisia", disse José Luís Carneiro à margem da apresentação de um livro sobre Germano Sousa no Palácio da Bolsa, no Porto.

O líder socialista lembrou que André Ventura se mostrou preocupado com as rendas das casas quando, ele próprio, apoiou a lei das rendas do Governo PSD/CDS-PP e esteve contra os movimentos que se manifestaram pelo direito à habitação.

"Ele [André Ventura] apoiou a lei das rendas do Governo que permite lançar na instabilidade e na imprevisibilidade os mais jovens e que, por esta via, têm mais dificuldades em aceder ao arrendamento e que lançou, igualmente, a imprevisibilidade no futuro dos mais idosos que vivem nas grandes cidades", insistiu.

Ventura?

Ventura? "Diria que está em condições de ganhar Nobel da hipocrisia"

O secretário-geral do PS considerou hoje que o líder do Chega, André Ventura, poderá ganhar o prémio nobel da hipocrisia, pois se mostra preocupado com a habitação mas apoia a lei das rendas do Governo.

Lusa | 18:22 - 18/10/2026