Vereador Manuel Pizarro condena "violência descontrolada" da PSP no Porto

🗓️ 2026-10-15 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O vereador do PS na Câmara do Porto Manuel Pizarro criticou hoje "a violência descontrolada da intervenção policial" ocorrida de madrugada contra manifestantes pela habitação na Praça D. João I, esperando uma análise rigorosa da Inspeção-Geral da Administração Interna.

"Discordo de muito dos que os manifestantes defendem e não me parece adequado que decidam acampar numa praça do centro do Porto. Mas, repugna-me que a resposta a isso seja a violência desmesurada, numa operação policial que me pareceu, além do mais, muito mal preparada", escreveu Manuel Pizarro na rede social Facebook.

Para o vereador eleito pelo PS, nada justifica a violência descontrolada da intervenção policial que, a meio da noite, foi realizada contra uma manifestação pacífica, que decorria na Praça D. João I.

"Espero que os contornos desta operação, quem a ordenou e quem/como a organizou, sejam analisados com rigor pela Inspeção-Geral da Administração Interna e pela Provedoria de Justiça", acrescentou.

Defendeu que "o argumento de desocupar a praça não serve", porque "foi desocupada pacificamente na manhã de segunda-feira, pela Polícia Municipal, sem qualquer violência", ao contrário do que aconteceu esta madrugada, pelas 03:00, quando "alguns dos jovens foram perseguidos à bastonada pelas ruas vizinhas".

Segundo Pizarro, "uma coisa como esta só aconteceu porque as sondagens colocam a AD [Aliança Democrática] em terceiro lugar e porque o ministro da Administração Interna se arrasta no lugar, que já não tem autoridade para ocupar".

"O poder não resistiu a usar as forças de segurança com fins meramente políticos, colocando em risco o seu prestígio e, mesmo, permitindo pôr em causa a segurança dos agentes que participaram na operação", sustentou, recordando que os confrontos provocaram ferimentos em "dezenas de civis", mas também em "pelo menos" um agente da PSP.

O socialista disse desejar ver o presidente da Câmara, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), "a reclamar mais polícia contra o crime organizado na zona da movida e contra o tráfico de droga na Pasteleira e noutras zonas da cidade", porque "os polícias ocupados a agredir manifestantes pacíficos são os que faltam para combater o crime e os criminosos".

Garantindo que não deixará de pugnar pelo valor que mais caracteriza o Porto - a liberdade -, Pizarro salientou que pode "discordar de quem se manifesta num ou noutro sentido", mas não pode aceitar "que o impeçam de se manifestar", mesmo que seja contra o que pensa.

Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de "continuar a crescer e não só no Porto", apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.

Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto ter dito na quarta-feira que seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas" na Praça D. João I.

A ação da polícia aconteceu cerca das 03:00, numa operação que o movimento refere ter provocado 39 feridos, dois dos quais em estado grave.

Na nota de hoje, o movimento "denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", considerando a carga "inaceitável" e pedindo responsabilidades.

O movimento apresenta seis reivindicações principais: "abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas".

A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a "comportamentos de resistência".

O presidente da Câmara do Porto disse hoje que a PSP se viu "forçada" a atuar perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.

Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça depois de a câmara ter dito que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público.

A retirada das tendas não afastou os manifestantes, que dormiram ao relento e mantiveram o protesto.

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