Veterano da id Software critica Game Pass e questiona presença de Doom
Andrew Willis, ex-produtor da id Software e veterano da franquia Doom, afirmou que o Xbox Game Pass foi “extremamente mal gerido” e que Doom: The Dark Ages não deveria ter sido lançado no serviço. A declaração foi feita durante uma entrevista ao podcast Kiwi Talkz, meses depois de Willis deixar o estúdio nas demissões realizadas pela Microsoft em julho.

Na avaliação do ex-produtor, a Microsoft tentou tratar o Game Pass como uma espécie de Netflix dos videogames, sem definir uma estratégia clara para medir o sucesso da plataforma. “Acho que eles simplesmente entraram na armadilha de: ‘Bom, vamos transformar tudo em Netflix’”, afirmou.
Willis também disse que ele e outros desenvolvedores nunca receberam metas objetivas relacionadas ao desempenho do serviço. Entre as dúvidas mencionadas estavam o número de horas jogadas, a quantidade de instalações e a retenção de assinantes. Para ele, a falta de critérios claros levou a decisões comerciais orientadas mais pelos investidores do que pelas necessidades dos consumidores e das equipes de desenvolvimento.
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O caso de Doom: The Dark Ages seria, segundo Willis, um exemplo dos problemas dessa estratégia. “Doom não deveria ter estado lá. Foi uma ideia estúpida”, declarou. O jogo chegou ao Xbox Game Pass após seu lançamento em 2025, e a Bethesda comemorou o fato de o título ter alcançado 3 milhões de jogadores sete vezes mais rápido que Doom Eternal.
O número, porém, não representa necessariamente o mesmo resultado em vendas. Dados citados na discussão apontam que mais de 2 milhões desses jogadores estavam no Xbox, enquanto cerca de 500 mil jogaram no PlayStation 5. A diferença pode indicar o peso da inclusão no Game Pass, já que muitos usuários da plataforma tiveram acesso ao jogo sem precisar comprá-lo separadamente.
Willis reconheceu que não sabe se o desempenho comercial de Doom: The Dark Ages influenciou diretamente os cortes na id Software, mas afirmou que as vendas ficaram abaixo do esperado e que o Game Pass provavelmente teve participação importante nesse resultado. Ele também declarou não entender por que o estúdio acabou “cortado pela metade”.
As críticas coincidem com declarações recentes da liderança da Xbox. Em maio, a CEO Asha Sharma disse que a redução do preço do serviço para US$ 23 era apenas um primeiro passo para recuperar um crescimento duradouro. Em julho, ela admitiu que o negócio não estava saudável e que apostas envolvendo Game Pass, lançamentos multiplataforma e um catálogo mais amplo não haviam crescido no ritmo esperado.
A Microsoft anunciou 3.200 demissões na divisão Xbox, em uma das maiores reestruturações da história do braço de games da empresa. O depoimento de Willis reforça a percepção de que o modelo do Game Pass ainda enfrenta dificuldades para equilibrar alcance, receita e retorno para os estúdios. Para jogos de grande orçamento como Doom: The Dark Ages, alcançar milhões de jogadores pode não ser suficiente quando esse público não se converte em vendas capazes de sustentar a produção.
Eric Arrachéhttps://criticalhits.com.br
Eric Arraché Gonçalves é o Fundador e Editor do Critical Hits. Desde pequeno sempre quis trabalhar numa revista sobre videogames. Conforme o tempo foi passando, resolveu atualizar esse sonho para um website e, após vencer alguns medos interiores, finalmente correu atrás do sonho.