Veteranos da guerra na Ucrânia em destaque em eleições russas

🗓️ 2026-09-16 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Segundo as autoridades eleitorais, quase 200 candidatos serviram na Ucrânia, numa tentativa por parte do Kremlin de mostrar que os veteranos da guerra, que já dura quatro anos e meio, terão um lugar de relevo na vida civil.

No entanto, analistas apontaram à agência Associated Press ser improvável que a maioria destes candidatos venha a deter poder real, vendo o esforço como uma forma de atrair mais voluntários para o conflito.

A imprensa independente russa relata frequentemente casos de veteranos envolvidos em agressões, rixas e até homicídios, alguns deles recrutados diretamente das prisões. A votação para a Duma Estatal, a câmara baixa do parlamento, que começa sexta‑feira, é a primeira desde o início da guerra e vai decorrer também em áreas da Ucrânia capturadas e anexadas ilegalmente pela Rússia.

O Kremlin gere de forma apertada o processo, procurando reforçar a narrativa de apoio generalizado à guerra e dar uma aparência de legitimidade às suas ações, com grande parte dos partidos alinhados com o Kremlin apresenta candidatos identificados como participantes na "operação militar especial".

Entre os nomes mais destacados está Vladislav Golovin, de 29 anos, do partido Rússia Unida, que combateu em Mariupol e perdeu parte de uma perna. Foi condecorado por Vladimir Putin como Herói da Rússia e lidera atualmente a organização juvenil militar e patriótica Exército Jovem, embora figure em listas de sanções ocidentais.

Outro candidato é Yevgeny Poddubny, correspondente de guerra da televisão estatal, ferido por um drone ucraniano. Já o Partido Liberal Democrático, de tendência ultranacionalista, apresenta Alexei Vereshchagin, que se juntou em 2014 à insurgência separatista pró‑Moscovo no leste da Ucrânia e comandou uma brigada de voluntários.

O Kremlin procura, ao promover veteranos na campanha, convencer potenciais recrutas de que combatem "por uma causa superior" e que terão perspetivas de carreira. Mas, segundo especialistas, muitos regressam sem rumo definido e recebem cargos sem poder efetivo.

Programas como "Tempo de Heróis", lançados por Putin para preparar veteranos para funções públicas, aceitam apenas uma pequena fração dos candidatos.

Apesar de alguns veteranos terem sido nomeados para cargos governamentais ou empresas estatais, a maioria enfrenta dificuldades no regresso à vida civil. Muitos não podem rescindir os contratos militares que assinaram devido ao decreto de mobilização parcial de 2022.

Estima‑se que mais de 167.000 militares tenham regressado da Ucrânia, mas "dezenas de milhares" continuam sem emprego, formando uma "zona de risco perigosa", segundo o Kremlin.

Casos como o do governador regional de Tambov, Yevgeny Pervyshov, que serviu brevemente numa unidade especial antes de ser promovido, alimentam descontentamento entre os setores pró‑guerra, que esperavam uma nova elite genuinamente formada por veteranos.

Analistas concluíram que, na prática, o Kremlin prefere burocratas com experiência política, relegando os combatentes para papéis secundários.

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