Vídeo de Porchat sobre Lagoinha e Master não convence evangélicos - 23/09/2026 - Juliano Spyer - Folha
O vídeo "Grandes Igrejas, Master Negócios", apresentado por Fábio Porchat, viralizou assim que foi publicado. Trata de poder, dinheiro e religião, mas joga fora a oportunidade de mobilizar mais evangélicos conservadores, que são a maioria desse segmento.
O episódio faz parte de uma série de reportagens especiais "sobre temas urgentes e decisivos para entender o Brasil". O projeto vem de um coletivo progressista, o Calma Urgente, com apoio de distribuição do ICL, da Mídia Ninja e da 342 Artes.
O resultado é espetacular. Pense em um vídeo com a adrenalina do TikTok e duração de 30 minutos. Fartamente pesquisado, com roteiro informativo narrado com humor e leveza. Porchat faz as vezes de investigador e expõe as conexões entre uma igreja influente, a Batista da Lagoinha, e o Banco Master, pivô do maior escândalo financeiro da história do país.
É uma peça política. Entre as conexões apontadas estão dois dos maiores nomes do bolsonarismo hoje: o deputado federal Nikolas Ferreira e o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. Aparecem também, de passagem, o ministro do STF André Mendonça e Michelle Bolsonaro.
O tema é oportuno. A família Vorcaro está (ou estava) na Lagoinha há três gerações. Os Vorcaro ajudaram a nacionalizar a igreja ao financiar seu canal de TV. E a Lagoinha é talvez a denominação que mais abriu o púlpito para o bolsonarismo. Em 2022, durante o período eleitoral, Bolsonaro e Michelle falaram ao vivo, pelo YouTube, do templo da igreja nos EUA.
O roteiro entrega. A reportagem trata da suposta aliança entre Lagoinha e Master. O destaque entre os personagens não é o ex-banqueiro Daniel Vorcaro nem o líder da rede Lagoinha Global, André Valadão. É o também pastor Fabiano Zettel. Braço direito de Daniel, ele se casou com a irmã do banqueiro e uniu as duas organizações.
A reportagem atingiu a meta de viralizar quase instantaneamente. Várias pessoas me encaminharam o link ao mesmo tempo, logo depois de assisti-lo. Foram mais de 800 mil visualizações no YouTube nas primeiras 24 horas.
O vídeo podia ter alcançado uma parte do segmento evangélico insatisfeita com o tipo de igreja que a Lagoinha representa: uma versão gourmetizada da Igreja Universal que oferece uma prática da fé com baixo comprometimento e teologia aguada. Mas não será assim.
Esse público o vídeo assistiu tratando-o como peça de campanha por pelo menos um motivo: Fábio Porchat provoca rejeição nesse segmento. Vários dos meus interlocutores começaram a assistir já desconfiados da isenção do material.
Porchat está associado a produções de humor que incomodam evangélicos, espíritas e católicos por zombar do cristianismo. É visto por evangélicos de direita como artista global que, entre outros papéis, atuou como Lúcifer em um especial de Natal sobre um Jesus gay!
O programa termina inquirindo o espectador se pretende confiar seu voto a Flávio Bolsonaro nesta eleição presidencial. A resposta da maioria dos evangélicos a esta provocação deverá ser: sim, em solidariedade a André Mendonça e contra o PT.
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